sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Distopia do Reino Unido: Professor é considerado uma "ameaça terrorista" por exibir vídeos de Trump em aula de política norte-americana

Paulo Hasse Paixão

Numa demonstração assustadora de censura ideológica, um professor veterano na Grã-Bretanha foi denunciado ao programa antiterrorista Prevent do governo simplesmente por ter mostrado vídeos do Presidente Trump aos seus alunos do ensino secundário durante uma aula sobre política norte-americana. 

O incidente ocorreu no Henley College, em Oxfordshire, onde o professor — um educador qualificado que iniciou a sua carreira em meados da década de 1990 — apresentou excertos da tomada de posse e da campanha de Trump para ilustrar as recentes eleições norte-americanas.  

Apenas alguns dias após a vitória de Trump, dois estudantes queixaram-se, alegando que o material era “tendencioso” e os deixou “emocionalmente perturbados”, tendo um deles afirmado que teve pesadelos por causa destas imagens. A faculdade rapidamente remeteu o caso para o Oficial Designado da Autoridade Local (LADO), que deu prioridade a uma queixa ao programa Prevent, alertando que as opiniões do professor “poderiam ser percebidas como radicais”, configurando potencialmente um crime de ódio ou radicalização.

O professor, ao manifestar-se contra esta farsa, afirmou:

“É uma experiência completamente perturbadora e distópica, como saída de um romance de George Orwell.”

E acrescentou:

“Foi simplesmente aterrorizante; simplesmente inacreditável. Estávamos a discutir as eleições americanas, Trump tinha acabado de ganhar e eu mostrei alguns vídeos da campanha de Trump. De repente, fui acusado de parcialidade. Um dos alunos disse que ficou emocionalmente perturbado e alegou ter tido pesadelos”.

Rejeitando firmemente o rótulo de extremista, o professor, que se descreveu como um “republicano moderado”, afirmou: “Não sou extremista” e acusou a faculdade de “completa parcialidade de esquerda”, referindo: “Não toleram nada relacionado com Donald Trump.”

A comunicação oficial da faculdade reforçou o ponto, alegando que o professor tinha “mostrado aos seus alunos vídeos de Donald Trump, da sua campanha, propaganda e outros vídeos que não têm qualquer relação com o que está a ser ensinado.”

Entretanto, o relatório da LADO intensificou a histeria:

“Há a preocupação de que este comportamento possa causar danos a uma criança, que as opiniões expressas possam constituir um crime de ódio e que a promoção dessas opiniões possa ser considerada radicalização.”

No final, o professor aceitou uma modesta indemnização de 2.000 libras e demitiu-se do cargo, sendo efectivamente expulso por ousar apresentar um discurso político equilibrado.

Este caso expõe uma realidade grotesca na educação britânica. Como é possível que exibir imagens do presidente eleito dos EUA numa aula explicitamente sobre política americana faça com que o professor seja rotulado como um potencial terrorista?

Existe também um terrível duplo critério, em que as escolas doutrinam livremente as crianças com invenções descaradas, como a distribuição de livros de “não-ficção” que afirmam que as pessoas negras construíram Stonehenge e foram essenciais noutros desenvolvimentos históricos no Ocidente medieval e da antiguidade, parte de um movimento de “descolonização” que insiste que a Grã-Bretanha era “um país negro há mais de 7.000 anos, antes da chegada dos brancos”.

A hipocrisia aprofunda-se com a disseminação da ideologia radical nas salas de aula. Os ativistas trans da Stonewall exigem que mais de 300 escolas abandonem termos como “rapazes e raparigas”, optando por linguagem neutra, casas de banho sem distinção de género e uniformes idênticos — tudo sob o pretexto de “inclusão”. As escolas que contribuem para o programa da Stonewall devem incorporar a propaganda LGBTQ+ em todo o currículo, ignorando as diretrizes governamentais contra a promoção da “ideologia da identidade de género”.

Esta prática de humilhar e cancelar os professores enquadra-se numa tendência mais ampla e sinistra: a pressão do governo britânico para ensinar as crianças a “identificar conteúdos extremistas e desinformação” nas escolas, incorporando o “pensamento crítico” que se alinha de forma suspeita com as narrativas oficiais.

Sob o governo trabalhista, as crianças estão a ser doutrinadas a analisar artigos e sites e a eliminar “teorias da conspiração repugnantes”, preparando a próxima geração para policiar o pensamento.

E, como o Contra documentou recentemente, um professor pode ser despedido apenas por afirmar que o Reino Unido é um país cristão.

O líder do Reform UK, Nigel Farage, alertou a este propósito:

“Se os parâmetros estabelecidos forem dizer a todas as crianças que, se lerem uma publicação que questione o carbono zero e o aquecimento global, será conteúdo extremista e mentira; se lerem uma publicação que ouse questionar os níveis de imigração, legal ou ilegal, para a Grã-Bretanha, será extremista, então começamos a construir uma narrativa para uma futura geração que é fundamentalmente antidemocrática.”

Que é fundamentalmente insana.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 16-1-2026

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