Paulo Hasse Paixão
Numa demonstração assustadora de censura ideológica, um professor veterano na Grã-Bretanha foi denunciado ao programa antiterrorista Prevent do governo simplesmente por ter mostrado vídeos do Presidente Trump aos seus alunos do ensino secundário durante uma aula sobre política norte-americana.
O incidente ocorreu no Henley
College, em Oxfordshire, onde o professor — um educador qualificado que iniciou
a sua carreira em meados da década de 1990 — apresentou excertos da tomada de
posse e da campanha de Trump para ilustrar as recentes eleições norte-americanas.
Imagine showing students the U.S. President in a class about U.S. politics. https://t.co/3spGX1xuM5 Pure terrorism.
— m o d e r n i t y (@ModernityNews) December 25, 2025
Apenas alguns dias após a
vitória de Trump, dois estudantes queixaram-se, alegando que o material era
“tendencioso” e os deixou “emocionalmente perturbados”, tendo um deles afirmado
que teve pesadelos por causa destas imagens. A faculdade rapidamente remeteu o
caso para o Oficial Designado da Autoridade Local (LADO), que deu prioridade a
uma queixa ao programa Prevent, alertando que as opiniões do
professor “poderiam ser percebidas como radicais”, configurando potencialmente
um crime de ódio ou radicalização.
O professor, ao manifestar-se contra esta farsa, afirmou:
“É uma experiência
completamente perturbadora e distópica, como saída de um romance de George
Orwell.”
E acrescentou:
“Foi simplesmente
aterrorizante; simplesmente inacreditável. Estávamos a discutir as eleições
americanas, Trump tinha acabado de ganhar e eu mostrei alguns vídeos da
campanha de Trump. De repente, fui acusado de parcialidade. Um dos alunos disse
que ficou emocionalmente perturbado e alegou ter tido pesadelos”.
Rejeitando firmemente o rótulo
de extremista, o professor, que se descreveu como um “republicano moderado”,
afirmou: “Não sou extremista” e acusou a faculdade de “completa parcialidade de
esquerda”, referindo: “Não toleram nada relacionado com Donald Trump.”
A comunicação oficial da
faculdade reforçou o ponto, alegando que o professor tinha “mostrado aos seus
alunos vídeos de Donald Trump, da sua campanha, propaganda e outros vídeos que
não têm qualquer relação com o que está a ser ensinado.”
Entretanto, o relatório da
LADO intensificou a histeria:
“Há a preocupação de que
este comportamento possa causar danos a uma criança, que as opiniões expressas
possam constituir um crime de ódio e que a promoção dessas opiniões possa ser
considerada radicalização.”
No final, o professor aceitou
uma modesta indemnização de 2.000 libras e demitiu-se do cargo, sendo
efectivamente expulso por ousar apresentar um discurso político equilibrado.
Este caso expõe uma realidade
grotesca na educação britânica. Como é possível que exibir imagens do
presidente eleito dos EUA numa aula explicitamente sobre política americana
faça com que o professor seja rotulado como um potencial terrorista?
Existe também um terrível
duplo critério, em que as escolas doutrinam livremente as crianças com
invenções descaradas, como a distribuição de livros de “não-ficção” que afirmam
que as pessoas negras construíram Stonehenge e foram essenciais noutros desenvolvimentos
históricos no Ocidente medieval e da antiguidade, parte de um movimento de
“descolonização” que insiste que a Grã-Bretanha era “um país negro há mais de
7.000 anos, antes da chegada dos brancos”.
A hipocrisia aprofunda-se com
a disseminação da ideologia radical nas salas de aula. Os ativistas trans da
Stonewall exigem que
mais de 300 escolas abandonem termos como “rapazes e raparigas”, optando por
linguagem neutra, casas de banho sem distinção de género e uniformes idênticos
— tudo sob o pretexto de “inclusão”. As escolas que contribuem para o programa
da Stonewall devem incorporar a propaganda LGBTQ+ em todo o currículo,
ignorando as diretrizes governamentais contra a promoção da “ideologia da
identidade de género”.
Esta prática de humilhar e
cancelar os professores enquadra-se numa tendência mais ampla e sinistra: a
pressão do governo britânico para ensinar as crianças a “identificar conteúdos
extremistas e desinformação” nas escolas, incorporando o “pensamento crítico”
que se alinha de forma suspeita com as narrativas oficiais.
Sob o governo trabalhista, as
crianças estão a ser doutrinadas a analisar artigos e sites e a eliminar
“teorias da conspiração repugnantes”, preparando a próxima geração para
policiar o pensamento.
E, como o Contra documentou recentemente,
um professor pode ser despedido apenas por afirmar que o Reino Unido é um país
cristão.
O líder do Reform UK, Nigel
Farage, alertou a este propósito:
“Se os parâmetros
estabelecidos forem dizer a todas as crianças que, se lerem uma publicação que
questione o carbono zero e o aquecimento global, será conteúdo extremista e
mentira; se lerem uma publicação que ouse questionar os níveis de imigração,
legal ou ilegal, para a Grã-Bretanha, será extremista, então começamos a
construir uma narrativa para uma futura geração que é fundamentalmente
antidemocrática.”
Que é fundamentalmente insana.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
16-1-2026

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