O grupo por trás de Casa & Video e Le Biscuit conseguiu na Justiça do Rio uma cautelar que suspende cobranças por 60 dias, abrindo espaço para negociação com credores e possível pedido de recuperação judicial
Quintino Gomes Freire
O grupo que controla as varejistas Casa & Video e Le Biscuit conseguiu na Justiça do Rio uma cautelar que dá proteção contra credores por 60 dias. Na prática, a decisão abre um respiro de dois meses para mediação e renegociação, num movimento que costuma ser usado como ensaio para uma Recuperação Judicial. As informações são da coluna Capital/O Globo.
O processo tramita na 1ª
Vara Empresarial do Rio, sob segredo de Justiça. Ao pedir a medida, o grupo
argumentou que enfrenta “dificuldades econômicas decorrentes de choques
sistêmicos no setor varejista”, que estariam “comprometendo a
liquidez da operação em razão da elevação da taxa Selic”, segundo a própria
empresa.
Ainda de acordo com a petição,
o cenário aumentou custos financeiros e afetou diretamente o público-alvo do
grupo. A companhia afirma que o poder de compra das classes C, D e E teria
sido “drasticamente reduzido”, num ambiente em que juros altos e
pressão competitiva do e-commerce apertam as margens. Pessoas que acompanham o
negócio também citam mudanças de comportamento de consumo, incluindo o impacto
das bets na renda disponível, especialmente na classe C.
Endividamento e desempenho em
2025
O grupo diz que o desempenho
comercial de 2025 ficou abaixo do projetado e inferior ao de 2024. Também
admite que não conseguiu resolver o “elevado endividamento”, mas
sustenta que já demonstrou capacidade de recuperação no passado quando “amparado
por instrumentos adequados de proteção judicial”.
Atualmente, a companhia mantém 344 lojas, sendo 226 da Casa & Video. A marca carioca concentra a operação no Sudeste, enquanto a Le Biscuit atua quase toda no Norte e no Nordeste.
Nos nove primeiros meses de
2025, as vendas totais somaram R$ 1,82 bilhão, queda de 6,5% na comparação
anual. As vendas digitais subiram 12,3%, mas ainda representaram 16,1% do
total. No mesmo período, o prejuízo líquido saltou 80%, chegando a R$ 246 milhões.
O endividamento líquido também
cresceu: alta de quase 9% em 12 meses, atingindo R$ 689,1 milhões em setembro.
Segundo o último balanço citado no material, a empresa vem alongando a dívida
com notas comerciais e empréstimos.
Fusão e histórico
Casa & Video e Le
Biscuit anunciaram fusão em 2022, formando a CVLB. Na
época, a gestora carioca Polo Capital, de Marcos Duarte e
controladora da Casa & Video, ficou com quase dois terços da companhia
resultante. O restante ficou com antigos acionistas da Le Biscuit, como a Vinci,
a família Santana e a gestora americana Siguler Guff.
A Polo Capital entrou
na Casa & Video há mais de uma década, após um período conturbado da rede.
Em 2008, a empresa chegou a ser fechada pela Polícia Federal,
acusada de sonegação fiscal, passou por recuperação judicial e depois foi
comprada pelo advogado Fábio Carvalho. Pouco antes da pandemia, a
Polo comprou a participação de Carvalho e se tornou a única dona da varejista.
Antes da fusão, as duas empresas chegaram a tentar IPOs, mas as operações não
avançaram.
Nota
oficial do grupo CVLB
Decisão permite negociação
estruturada com credores; empresa afirma que operação segue normalmente e que
“para o cliente nada muda”
O Grupo CVLB, controlador das
marcas CASA&VIDEO e Le biscuit, informou que nesta quarta- feira (14)
obteve na Justiça a aprovação de um pedido de Tutela Cautelar, medida prevista
em lei e adotada em processos de reorganização financeira por várias empresas
para viabilizar um ambiente mais organizado e estável de negociação com
credores.
Em comunicado, a empresa
destacou que para o cliente nada muda: a operação segue normalmente, com lojas
físicas e canais digitais em funcionamento, e o foco permanece no atendimento e
na experiência de compra, em linha com nosso propósito do grupo de tornar os
sonhos dos nossos clientes acessíveis.
A aprovação do pedido ocorre
em um contexto em que o varejo brasileiro enfrenta desafios macroeconômicos
relevantes, como juros elevados, crédito mais restrito, aumento de custos e
maior concorrência do mercado digital. Segundo o Grupo CVLB, a medida cria as
condições para a companhia conduzir um processo estruturado de diálogo e
mediação com credores, buscando construir uma solução para reorganização de
compromissos financeiros com transparência e responsabilidade, preservando
relações de longo prazo com parceiros e
fornecedores. O período de proteção temporária previsto na Tutela Cautelar é de
até 60 dias.
“Estamos dando um passo
importante para organizar as negociações com responsabilidade e respeito às
relações sólidas construídas ao longo do tempo. Seguimos com a operação
funcionando e com foco total no cliente”, informou o Grupo CVLB.
Título e Texto: Quintino
Gomes Freire, Diário do Rio, 14-1-2026

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