quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O Grammy e a imbecilidade política das celebridades

Leandro Ruschel

Você jamais deveria dar grande peso às opiniões políticas de artistas. A esmagadora maioria não passa de idiotas completos quando o assunto é política, história ou economia — e eu posso demonstrar isso com facilidade.

No Grammy, por exemplo, a cantora Billie Eilish foi ovacionada por uma plateia composta quase inteiramente por celebridades militantes de extrema-esquerda (99,9%) como ela, depois de afirmar:

“Ninguém é ilegal em terras roubadas.”

E, logo em seguida, mandou a ICE (polícia de imigração) “se foder”.

A frase é emocionalmente apelativa — mas racionalmente absurda.

Se as terras americanas foram “roubadas” de seus habitantes ancestrais, então, pela própria lógica dela, essas terras deveriam pertencer exclusivamente aos nativos americanos. Sendo assim, imigrantes vindos do mundo inteiro estariam tentando se estabelecer numa terra que não lhes pertence. Não é isso que o argumento implica?

Além disso, essa visão simplista parte de uma noção infantil de propriedade histórica. Se levássemos esse raciocínio a sério, praticamente todos os povos do planeta seriam invasores, já que tribos e nações sempre conquistaram territórios umas das outras ao longo dos séculos.

Aliás, como seria possível determinar com precisão quem foi o primeiro ser humano a pisar em cada região do mundo, para então decidir quem é o “verdadeiro dono” de cada pedaço de terra? Esse tipo de raciocínio não é apenas impraticável — é intelectualmente desonesto.

E os absurdos não param aí.

Se Billie realmente acreditasse no que disse, deveria então agir de acordo com suas palavras e entregar imediatamente suas propriedades, avaliadas em dezenas de milhões de dólares.

Integrantes da tribo Tongva, por exemplo, já vieram a público lembrar que Los Angeles é “terra deles”, segundo a definição defendida pela cantora, e aguardam seu contato para a transferência de sua mansão de US$ 14 milhões localizada na cidade.

Mas o buraco lógico é ainda mais profundo.

Se “ninguém é ilegal em terras roubadas”, então o conceito de imigração ilegal simplesmente não existe. Isso elimina completamente a ideia de fronteira.

Porém, se não existem fronteiras, então os próprios nativos americanos jamais poderiam impedir a entrada de outros povos em seus territórios. E, se eles podem impedir, então existem, sim, invasores e ilegais.

Ou seja: a frase é autocontraditória.

A verdade é que Billie provavelmente nunca parou para pensar na coerência do que disse. Apenas expressou uma emoção para gerar outra emoção — algo típico do ativismo artístico.

E há algo ainda mais grave nisso: o ativismo político costuma ser inversamente proporcional à arte verdadeira.

A arte, em sua essência, é uma tentativa de representar a realidade, isto é, de se aproximar da verdade, de forma original, espontânea e honesta, elevando a consciência do espectador.

Já a militância ideológica é, quase sempre, propaganda. Ela se sustenta menos na verdade e mais na manipulação emocional do público, frequentemente por meio de distorções, slogans e mentiras convenientes.

No mesmo evento, um repórter perguntou a Gene Simmons, baixista da banda Kiss, sua opinião sobre a política de imigração de Trump. A resposta foi impecável:

“Eu trabalho com entretenimento. Eu lambo o chão para entreter as pessoas. Por que alguém deveria prestar atenção na minha opinião política?”

Exatamente.

Título, Texto e Vídeo: Leandro Ruschel, Substack, 3-2-2026 

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