Leandro Ruschel
Você jamais deveria dar grande
peso às opiniões políticas de artistas. A esmagadora maioria não passa de
idiotas completos quando o assunto é política, história ou economia — e eu
posso demonstrar isso com facilidade.
No Grammy, por exemplo, a
cantora Billie Eilish foi ovacionada por uma plateia composta quase
inteiramente por celebridades militantes de extrema-esquerda (99,9%) como ela,
depois de afirmar:
“Ninguém é ilegal em terras
roubadas.”
E, logo em seguida, mandou a
ICE (polícia de imigração) “se foder”.
A frase é emocionalmente
apelativa — mas racionalmente absurda.
Se as terras americanas foram “roubadas” de seus habitantes ancestrais, então, pela própria lógica dela, essas terras deveriam pertencer exclusivamente aos nativos americanos. Sendo assim, imigrantes vindos do mundo inteiro estariam tentando se estabelecer numa terra que não lhes pertence. Não é isso que o argumento implica?
Além disso, essa visão
simplista parte de uma noção infantil de propriedade histórica. Se levássemos
esse raciocínio a sério, praticamente todos os povos do planeta seriam
invasores, já que tribos e nações sempre conquistaram territórios umas das
outras ao longo dos séculos.
Aliás, como seria possível
determinar com precisão quem foi o primeiro ser humano a pisar em cada região
do mundo, para então decidir quem é o “verdadeiro dono” de cada pedaço de
terra? Esse tipo de raciocínio não é apenas impraticável — é intelectualmente
desonesto.
E os absurdos não param aí.
Se Billie realmente
acreditasse no que disse, deveria então agir de acordo com suas palavras e
entregar imediatamente suas propriedades, avaliadas em dezenas de milhões de
dólares.
Integrantes da tribo Tongva,
por exemplo, já vieram a público lembrar que Los Angeles é “terra deles”,
segundo a definição defendida pela cantora, e aguardam seu contato para a
transferência de sua mansão de US$ 14 milhões localizada na cidade.
Mas o buraco lógico é ainda
mais profundo.
Se “ninguém é ilegal em terras
roubadas”, então o conceito de imigração ilegal simplesmente não existe. Isso
elimina completamente a ideia de fronteira.
Porém, se não existem
fronteiras, então os próprios nativos americanos jamais poderiam impedir a
entrada de outros povos em seus territórios. E, se eles podem impedir, então
existem, sim, invasores e ilegais.
Ou seja: a frase é
autocontraditória.
A verdade é que Billie
provavelmente nunca parou para pensar na coerência do que disse. Apenas
expressou uma emoção para gerar outra emoção — algo típico do ativismo
artístico.
E há algo ainda mais grave
nisso: o ativismo político costuma ser inversamente proporcional à arte
verdadeira.
A arte, em sua essência, é uma
tentativa de representar a realidade, isto é, de se aproximar da verdade, de
forma original, espontânea e honesta, elevando a consciência do espectador.
Já a militância ideológica é,
quase sempre, propaganda. Ela se sustenta menos na verdade e mais na
manipulação emocional do público, frequentemente por meio de distorções,
slogans e mentiras convenientes.
No mesmo evento, um repórter
perguntou a Gene Simmons, baixista da banda Kiss, sua opinião sobre a política
de imigração de Trump. A resposta foi impecável:
“Eu trabalho com
entretenimento. Eu lambo o chão para entreter as pessoas. Por que alguém
deveria prestar atenção na minha opinião política?”
Exatamente.
Título, Texto e Vídeo: Leandro Ruschel, Substack, 3-2-2026
Billie Eilish’s Ignorance Just Backfired
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