Aparecido Raimundo de Souza
Essa desgraça de Fula
da Garganta Profunda, segundo os moradores próximos, caíra de madura. Em face
disso, separado de suas demais coirmãs, por uma ventania repentina, esse animal
se encontrou sozinho. Se pilhou navegando em águas, terras e campos desconhecidos,
embora quem a visse, ainda que de relance, diria que a infâmia parecia ter sob
seus costados, a aparência de uma independência maligna “meio precoce”.
Muito tempo depois,
veio à tona, que a tal aberração de fato, fora gerada de uma adversidade
estranha. Por assim, se viu apelidada pela alcunha de “Fula da Garganta
Profunda”. Como tal, vestida em sua casca cavalgadurada, a coisa se
transformara num organismo eucarionte desses bem quadrados. Possuía, seu corpo
raquítico, as mazelas de todas as imundícies.
Em seu rosto chupado,
reinavam um par de olhos funestos que lembrava perfeitamente os esbugalhos de
um ladrão prestes a atacar. De longe a maldita observava em silêncio as
criaturas ao seu entorno. De tanto observar, percebeu, de imediato, a fraqueza
dos seres humanos, ou seja, dos bandos de infelizes que moravam próximo.
Assimilou num piscar
de pálpebras, a agilidade de como eles lutavam para sobreviver a trancos e
barrancos em vista do escasso que possuíam. Entendeu, a besta Mula, que para
viver ali, teria que a cada dia matar um leão às expensas desses ingênuos.
Afinal, uma casta de simplórios, imbecilizados e manés, não se fazia assim tão
difícil de achar.
Enraizado de cu e bunda nesse propósito, Fula da Garganta Profunda sentia (apesar dos pesares) a falta do carinho murmurante de sua falecia mãe, a dona Besta-Fera. Lembrava, todavia, que precisava se criar, ser forte, indestrutível. Com o passar dos dias, criou vida e forma e se fez poderoso.
Fula da Garganta
Profunda aos goles poucos, aprendeu a se alimentar roubando marmitas dos
moradores de rua. E não ficou só nisso. Passou a usar a sua astúcia mais
famigerada para proteger a sua pele dos que vinham em seu encalço lhe chamando
de ladrão e vigarista. Conseguiu. Criou e deu vida ao PT, Partido dos
Trapaceiros.
Com o PT a todo valor,
descobriu, em paralelo, a alegria de viver como um nababo, sem trabalhar.
Concluiu que era muito mais fácil e cômodo seguir chupando os ovos e os bagos
das criaturas às custas dos sacrifícios alheios. Bastava se achegar de mansinho
e passar a sua lábia de filho de quenga e não demoraria um bando considerado de
bocas-abertas caria como “bucetas” deterioradas fugindo aos trambolhões de
calcinhas menstruadas cheirando a sexo barato.
De restos, de sobras,
de resíduos, faltava procurar um lugar tranquilo onde ninguém viesse perturbar
a sua paz. A solidão, é claro, pesava em seu coração selvagem como um cancro
maligno. Até que num belo dia, ao explorar um novo trecho chegou num prostíbulo
conhecido como Brazzzília.
Fula da Garganta
Profunda ouviu então um som familiar. Não outro, esse som, senão o chamado
algazariante de alguns de seus amigos, ou melhor de “companheiros” que por lá
viviam às expensas de uma nação de gentalhados ainda mais sofridos e
depauperados que os boçais do oito de janeiro.
Com o coração
transbordando de esperança, ele o facínora seguiu o som até encontrar uma súcia
de filhos do demônio que o acolheu de volta com afeição e alegria. Fula da
Garganta Profunda percebeu, igualmente que, embora a solidão fosse difícil, ela
o havia ensinado a ser forte. Agora, reunido com a sua nova manada, de larápios
de terninhos de grifes e sapatos importados inventou a picanha.
Bem acima da verdade,
da justiça e das leis, o amaldiçoado besta, perdão, “Besto”, estava pronto para
compartilhar as lições que aprendera e enfrentar juntos os desafios e as tramas
do como “foder com força total e sem maiores melindres, a bunda de toda uma
ralé conhecida como Zé Povinho”.
E assim, a pequena
planta lenhosa de porte raquítico cresceu. Virou varapau. Fula da Garganta
Profunda deixou de ser uma simples besta-fera abandonada. Encontrou o seu
caminho de volta para a libertinagem depravada e velhaca. Renasceu das cinzas,
não apenas como um membro da deslealdade e da imoralidade, mas igualmente como
um ser superior e acima de tudo habilidoso em passar a perna e o pau em seus
semelhantes.
Esse infame vive em
nossos dias, repetindo, como um mascarado, um filho de “mãe-joana”. Um ladrão
larápio faustoso que deu certo. Foi preso de mentirinha, tempos depois, se viu
solto por leis, promotores e juízes comprados, mancomunados com advogados com
os narizes voltados para enormes sacos de dinheiro surrupiado dos inocentes.
Hoje esse verme
peçonhento conhecido como Fula da Garganta Profunda incrivelmente reina não
mais como uma Besta. O fodão se transfigurou como um “Besto”. Governa a todo
vapor não mais aos pés daquele vegetal lenhoso de compleição estrambótica. Se
mudou de “mula e cuia” para o que hoje todos conhecem como a capital do capital
do brazzzil.
O povo pisoteado e
sofrido conhece onde essa desgraça de cidade, fica situada. Todos os tolos e
parvos, os pascácios e mentecáptos, a veneram como Brasília. Mas o certo, é
Braspilha. Para se chegar ao grande palácio do rei da cagada preta, só de
lancha carros brindados, ou helicópteros com um bando de chacais com
distintivos da polícia federal.
O povo, ou melhor
posto, os vermes escrotos, os lumbricoides que só faltam soltar as pregas de
seus rabos, para beijarem as mãos desse câncer incurável que parece ter o mundo
inteiro ao alcance das suas patas de besta quadrada seguem como a justiça. Com uma
“venda-birosca” nos olhos. E um bar no cu do traseiro.
Entretanto, ainda
existe uma parte do popupacho, dos sem teto, dos que vivem com os olhos
abertos, os que ainda pensam e distinguem o certo do errado. O Justo e o
Perfeito. O resto, os sem pudores, os sem lisuras, cá entre nós: esses vegetam
e se fodem. Esses não têm mãe e literalmente vivem sem pátria.
Título e Texto:
Aparecido Raimundo de Souza, de São Paulo, Capital, 6-2-2026
O “Eu, sem mim” e o “Mim, sem eu...”
Nem o nosso ouro reluz como em tempos passados
Breves palavras sobre um fundo falso que às vezes nos escapa pelos esbugalhos dos ouvidos
Totalmente falsa como uma pedra de Nagamani (*)

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