Humberto Pinho da Silva
Quando era rapazote, ia
com os meus pais veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.
Depois da janta, familiares e amigos abancavam-se na escaleira de velho e delapidado solar, cujas salas serviam de arrecadação a alfaias agrícolas, e as portas desvidraçadas abriam-se a largas varandas, que permitiam entrada a andorinhas em voos certeiros para os ninhos.
Nessa nova "Corte na
Aldeia" havia letrados e “analfabetos”, que aprenderam a ler e escrever à
custa de dolorosas reguadas.
Obtido o diploma, deram
”às de Vila Diogo”, abandonando a escola e os livros.
Nessa época não havia TV;
e o único aparelho de TSF, movido a bateria, pertencia a lavrador abastado, que
era colocado em dia de festa à janela, para quem quisesse bailar ao som da
música da Emissora Nacional.
Como disse, à noitinha,
pela fresca, depois de uma tarde cálida, acomodávamos nas escadas do velho
casarão brasonado.
Conversava-se, contávamos
tradicionais historietas, e advinhas... até que aproveitando pausa de silêncio,
saltou de súbito a pergunta:
- Qual é o ato mais
importante da vida?
Ouve-se murmúrios, e uma
voz se ergueu: É o casamento!...
Risinhos... e prosseguiu:
Quem pode e sabe realizar matrimónio por amor, com companheira que o ajude nos abrolhos da vida, acha um tesouro. Não é verdade que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher… que o acompanha, quase sempre, na sombra?
Sacerdote, presente no
serão, ergueu-se, discordando:
- Isso é uma verdade de La
Palice... Mas Jesus não pensa assim. O que deseja é que leiam o Evangelho e O
cumpram.
Então recordou,
rapidamente, a curiosa passagem evangélica que fala de Marta e Maria. Esta,
vendo Marta aninhada ao pé de Jesus, escutando-O, pede a Jesus: "Diz a
Marta que me venha ajudar...”
Responde-lhe Jesus:
"Marta, Marta, inquietas-te com muitas coisas; mas uma só é necessária!
Maria escolheu a melhor” – Lc.10:42.
Rematando: o ato mais
importante da vida é, portanto, amar a Deus, e cuidar da Salvação. É o Caminho, que nos deve preocupar. O único
para que nascemos. O resto é vaidade, orgulho, conhecimento… tudo é efémero, já
que tudo acaba, após a morte...
Levantou-se profundo
silêncio. Como já fora tarde, cada qual se recolheu a casa dando as habituais
boas-noites; e, sonolentos todos diziam:
Vá com Deus, bom
descanso... Deus o guarde…
Título
e Texto: Humberto Pinho da Silva, fevereiro de 2026
Sem diploma não se passa de habilidoso
Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos
Se ainda não tem, compre um
Como eram escolhidos os deputados, segundo Eça. E agora?
O mono palrador

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