sábado, 14 de fevereiro de 2026

Presidenciais 2026: A vitória que revelou o sistema


Cristina Miranda

A segunda volta das eleições presidenciais de 8 de fevereiro de 2026 ficará registrada como uma vitória confortável de António José Seguro. Assim o decretaram os números. Assim o celebrou o discurso oficial. Mas quem confundir este resultado com um momento de reconciliação nacional ou de reforço democrático está, no mínimo, a enganar-se – e, no máximo, a enganar o país.

O que aconteceu não foi uma onda de apoio popular a um projeto político. Foi uma mobilização defensiva do sistema. Uma vitória obtida mais pelo medo da alternativa do que pela adesão ao vencedor. E isso muda tudo.

Seguro venceu onde o sistema ainda respira com algum conforto: grandes centros urbanos, classes médias estabilizadas, funcionários públicos, pensionistas urbanos, eleitores com maior capital escolar. Não venceu porque prometeu futuro, mas porque simbolizou continuidade. Este não é um julgamento moral. É um facto político.

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