Quantas vezes nos banhamos nas lagoas da ilha,
aquela, a do arcanjo? quantas vezes mergulhamos no anil
do mar e calcamos as areias das praias? Eu prendia
brisas nos teus cabelos e tinha sede de ti… Lembras-te, minha memória,
na lagoa do fogo o som do voo da gaivota cortando o silêncio
e o espanto de haver som, e voo, e gaivota…
E íamos e voltávamos pelas ruas da vila,
descíamos ao tagarete com o ilhéu da vila à ilharga.
Ao longe o penedo do garajau sobressaindo nas ondas…
São figuras que me falam de ti, de um momento que cristalizou
na pérola de um instante e que eu teimo guardar na memória.
Em que ilhas habitas agora, em que silêncio, em que voo de gaivota?
Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 14-1-2024
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