sábado, 20 de junho de 2026

[Versos de través] A voz dos búzios

Manuel Cândido Pimentel

Os búzios que deixaste abandonados junto da fonte
cantam salmos, lembram-se do mar,
daquela noite na praia das maçãs em que ficamos
num ramo de luar olhando as ondas.
Sintra foi o lugar possível do nosso encontro,
dos nossos beijos e abraços,
do carinho com que trocamos os nossos corpos.
Esse foi o tempo que nos demos.
Esse foi o tempo sem tempo em que fomos.
E fomos um rumor de maçãs
e fomos uvas e vinho e festa
e ânfora antiga roubada aos séculos…
mas tudo cessa…
Acabamos os dois traídos pelo tempo
e calados pela morte.

Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 12-1-2024 

Anteriores:
Tudo me fala 
Sétimo dia da Paixão 
Hoje 
Ausência 
Enquanto a noite for a noite 
Três de João Franco

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.

Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-