Mateus Aguiar
O Rio Ônibus informou
que 800 veículos estavam em circulação e afirmou que as empresas estão
mobilizadas para colocar toda a frota nas ruas. Em nota, a entidade fez um
apelo aos motoristas e rodoviários para que compareçam às garagens, a fim de
que a normalidade do serviço seja restabelecida o quanto antes.
“Lembramos a importância do respeito à legalidade e à determinação da Justiça, que exige pelo menos 50% da frota circulando para atender a população”, disse o sindicato das empresas.
Reforço nos trilhos
Diante do impacto na mobilidade, trens e metrô reforçaram a operação nesta manhã. A TrensRJ informou que colocou viagens extras em todos os ramais pela manhã e por volta das 12h, para atender a demanda adicional provocada pela greve dos ônibus municipais e pela antecipação do retorno para casa por causa do jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.
A circulação dos trens seguia
os seguintes intervalos: ramal Japeri, média de 8 minutos; Santa
Cruz, 9 minutos; Deodoro, 8 minutos; Saracuruna,
com Gramacho x Central do Brasil em 12 minutos e Saracuruna x
Gramacho em 30 minutos; e Belford Roxo, 15 minutos.
O MetrôRio também
reforçou a operação, com aumento da oferta de composições para os clientes.
Impacto nas ruas
Nas primeiras horas da manhã,
passageiros relataram falta de ônibus e de veículos do BRT, além de pontos
lotados. A greve dos motoristas de ônibus do Rio foi confirmada em assembleia
no domingo e começou nesta segunda-feira, com paralisação por tempo indeterminado.
O Sindicato dos Rodoviários
informou que o movimento inclui os condutores do BRT. A categoria reivindica
piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus
convencionais e de R$ 5 mil para condutores de ônibus
articulados, além de aumento no vale-alimentação e adoção da jornada 5×2.
Na assembleia realizada na
sede do sindicato, os trabalhadores rejeitaram a proposta do Rio Ônibus, que
previa reajuste de 4,39%, correspondente ao IPCA acumulado até abril deste ano.
Segundo a entidade, cerca de 500 trabalhadores participaram da reunião.
“O motorista de ônibus
convencional teria um reajuste de R$ 150,15, saindo de R$ 3.420,16 para R$
3.570,31; o do articulado na categoria ‘E’ teria um aumento de R$ 180,17,
passando de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. Já o auxílio alimentação seria
reajustado em apenas R$ 29,00, passando de R$ 660,00 para R$ 689,00. Uma falta
de respeito com uma categoria que por vezes trabalha mais de 14h por dia e
ainda fica exposta à violência diária da cidade”, disse o presidente do
sindicato, Sebastião José.
“Nós realmente estamos
tendo um problema para cumprir a determinação judicial. Antes da assembleia, o
sindicato encaminhou ofício ao Rio Ônibus solicitando a escala dos
trabalhadores. Acabamos de olhar agora, não chegou a absolutamente nada”,
declarou.
“Nós tínhamos que colocar
50% da frota, mas não nos forneceram a escala. Então, quem está dificultando o
cumprimento da decisão judicial é o sindicato patronal”, concluiu
Sebastião.
Posicionamento das empresas
Em nota, o Rio Ônibus afirmou
que as negociações com o Sindicato dos Rodoviários continuam
abertas e que as empresas seguem empenhadas em buscar uma solução. A entidade
disse ainda que a operação desta segunda-feira seria normal.
A Mobi Rio,
empresa pública responsável por algumas linhas municipais e pelo sistema BRT,
também informou que a operação ocorreria normalmente. Já a Prefeitura
do Rio disse que acompanha a situação e vai adotar medidas para
reduzir os impactos sobre a população, além de informar que pediu à Justiça o
aumento do percentual mínimo de veículos em circulação.
Título e Texto: Mateus
Aguiar, Diário do Rio, 29-6-2026


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