segunda-feira, 8 de junho de 2026

André Ventura pressiona Portugal para classificar PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas

Após decisão histórica dos Estados Unidos, líder do partido Chega! acusa autoridades portuguesas de minimizar a presença das facções brasileiras na Europa

Timeline 


A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos começa a produzir efeitos políticos também na Europa. Em Portugal, o líder do partido de direita André Ventura defendeu publicamente que o governo português adote a mesma medida e passe a tratar as facções brasileiras como grupos terroristas. 

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ventura afirmou que tanto Portugal quanto o Brasil vêm permitindo a expansão das atividades das organizações criminosas, que hoje operam além do narcotráfico e mantêm redes ligadas à lavagem de dinheiro, assassinatos por encomenda e outras atividades ilícitas transnacionais. Segundo ele, a hesitação das autoridades europeias tem favorecido o avanço dessas estruturas criminosas dentro do continente. 

A manifestação ocorre poucos dias depois de os Estados Unidos oficializarem a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, medida anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio e que entrou em vigor em 5 de junho. A decisão amplia instrumentos de combate financeiro, cooperação internacional e aplicação de sanções contra indivíduos, empresas e estruturas ligadas às facções. 

Ventura criticou diretamente a posição do governo português, que até o momento rejeita seguir o modelo adotado por Washington. A justificativa oficial apresentada por Lisboa é que existe uma distinção jurídica entre terrorismo e crime organizado: enquanto o terrorismo teria motivação ideológica ou política, organizações como PCC e CV seriam estruturas voltadas principalmente ao lucro obtido por atividades criminosas. 

O posicionamento do líder do Chega, no entanto, reflete uma crescente preocupação dentro da direita europeia com a expansão internacional das facções brasileiras. Nos últimos anos, investigações policiais em diversos países apontaram conexões entre organizações criminosas sediadas no Brasil e operações de tráfico internacional de drogas que utilizam portos portugueses como porta de entrada para o mercado europeu. 

A discussão também ganhou relevância após autoridades americanas afirmarem que o PCC e o Comando Vermelho ultrapassaram há muito tempo as fronteiras brasileiras, atuando em diversos países e mantendo redes internacionais de influência criminosa. Para Washington, o alcance transnacional e a capacidade de intimidação dessas organizações justificam o enquadramento como grupos terroristas. 

Embora o governo português ainda descarte alterar sua legislação nesse sentido, a pressão política cresce à medida que a presença das facções brasileiras passa a ocupar espaço cada vez maior no debate sobre segurança pública e imigração na Europa. A proposta de Ventura sinaliza que a classificação adotada pelos Estados Unidos poderá se tornar um tema relevante nas próximas disputas políticas portuguesas.

Título, Imagem e Texto: Redação, Timeline, 8-6-2026 

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