Anthony Hopkins, Editora Lua de Papel, Alfragide, novembro de 2025, 352 páginas.
Para os colegas, era o "Cabeça de
Elefante", um miúdo estranho, apático, que não se interessava por nada. Os
pais, gente remediada de uma aldeia industrial do País de Gales, viam com
aflição o filho desajeitado, mau aluno, que inscreveram num colégio interno na
esperança de que se emendasse.
Não aconteceu: durante anos opôs-se aos professores com uma insolência feroz,
invariavelmente punida com castigos corporais. Porém, uma série de momentos
fortuitos começou a empurrá-lo para o palco. Primeiro viu o filme Hamlet e
ficou deslumbrado; pouco depois, a deambular pela escola, deparou-se com o
ensaio de uma peça de teatro - onde acabaria por se estrear.
Na verdade, já desde pequeno que revelava inclinações artísticas, fosse a
desenhar, a tocar piano ou a recitar poemas. Dotado de uma memória prodigiosa,
viria a tornar-se um dos mais conhecidos e premiados atores da sua geração -
vencedor de dois Óscares, atingiu o pico da fama ao interpretar Hannibal Lecter
em O Silêncio dos Inocentes. Mas foi por um triz que esse Anthony
Hopkins, que conhecemos das passadeiras vermelhas de Hollywood, não se perdeu.
Nesta autobiografia, de uma honestidade notável, recorda o seu tortuoso caminho
para o estrelato. Vemos como se foi isolando, como se tornou dependente do
álcool, como destruiu o primeiro casamento e alienou para sempre a única filha.
👍👍👍
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