Advogado sustenta que falta de acesso ao processo compromete o exercício da ampla defesa e questiona condução do inquérito
Altair Alves
A defesa do empresário Marcelo Conde [foto], acusado pelo Ministro Alexandre de Moraes no inquérito das fake news, aguarda há mais de 60 dias acesso aos autos e conhecimento das medidas judiciais determinadas contra ele.
Marcelo Conde foi alvo de
busca e apreensão em 1 de abril e declarado suposto foragido, porém, ele se apresentou espontaneamente às autoridades espanholas.
A defesa no Brasil,
comandada pelo Advogado Antonio Pitombo, tenta sem sucesso, com o
gabinete do Ministro Moraes, o acesso aos autos, para poder preparar a defesa,
garantia constitucional mais uma vez descumprida. O que estranha a defesa foi o
ofício, recebido em 13 de maio, datado de 8 de abril, em que o ministro Moraes
teria autorizado acesso, o que nunca ocorreu na realidade.
“Este caso se soma a vários
outros em que o Ministro Moraes acumula papeis e funções, o que dificulta o
conhecimento de autos de investigação e de medidas constritivas contra
investigados, em prejuízo à ampla defesa“, afirmou Pitombo.
Entenda o caso
Filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, Marcelo Conde é acusado de ter financiado um esquema para acessar dados sigilosos de ministros da Suprema Corte Brasileira, incluindo dados fiscais da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, além de outros contribuintes e autoridades. Com a iniciativa de apresentar às autoridades da Espanha, Conde passou a responder ao processo desde o exterior em liberdade.
Em nota divulgada no dia 20 de
abril, Conde negou o envolvimento no esquema e disse estar sendo vítima de
uma “ação judicial truculenta” conduzida por Moraes. No
documento, o empresário chama as acusações de “descabidas” e
diz que elas não correspondem à realidade. Sobre a operação de busca e
apreensão, ele se disse surpreso. Ele disse ainda que não teve acesso à decisão
que determinou a sua prisão que, segundo o empresário, viola garantias
fundamentais.
Segundo a defesa de Marcelo
Conde, Alexandre de Moraes estaria “embaralhando os papéis de
investigador, acusador, juiz e ofendido” no inquérito sigiloso sobre o
vazamento de dados de sua mulher. O que representa, na visão de Conde e seus
advogados, uma violação de princípios de imparcialidade e separação de poderes.
Título e Texto: Altair
Alves, Diário do Rio, 15-6-2026
Empresário Marcelo Conde se apresenta à justiça da Espanha e conquista direito à defesa
Depois de Zambelli, a Itália julgará um caso ainda mais embaraçoso para o regime brasileiro
12-6-2026: Oeste sem filtro – PF rejeita segunda proposta de delação de Vorcaro
Moraes é desmoralizado em decisão na Itália sobre Zambelli
Mais uma vergonha para Moraes e para a (in)justiça brasileira no exterior
Minha despedida da Globo News
As múltiplas personalidades de Alexandre de Moraes: vítima, relator e julgador

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-