O caso de Tagliaferro é ainda mais escabroso que o de
Carla Zambelli: ele é acusado de "tentativa de golpe" justamente por
denunciar supostas irregularidades cometidas sob a gestão de Moraes no TSE
Leandro Ruschel
Tagliaferro chefiou a orwelliana Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), do TSE, e denunciou que o órgão teria virado uma central de censura à direita. As demandas por "fake news" partiriam do próprio gabinete de Moraes no Supremo, repassadas por seu juiz instrutor, e não eram anônimas, como propagava o tribunal. Quando ele não achou justificativa para censurar a Revista Oeste, mandaram-no "usar a criatividade".
Vale lembrar quem alimentava a engrenagem. Segundo Tagliaferro, parte das denúncias que viravam censura à direita partia de colaboradores informais e militantes ligados à esquerda, de universidades e de organizações de "checagem". Na prática, o regime terceirizava a caça aos opositores para a própria militância.
No Senado, ele revelou ainda um grupo informal de WhatsApp, o "Atos Antidemocráticos", que reunia servidores do TSE e a Polícia Federal para identificar manifestantes do 8 de janeiro cruzando imagens com o banco biométrico de eleitores. E acusou Moraes de combinar alvos com o PGR Paulo Gonet, montando relatórios com datas retroativas para justificar operações já feitas.
Em qualquer país sob o estado de direito, denúncias dessa gravidade seriam investigadas. No atual regime brasileiro, é o denunciante quem passa a ser tratado como criminoso e perseguido. A suposta vítima do "crime" é a própria autoridade que ele acusa: Moraes, ao mesmo tempo relator, ofendido e quem pediu a extradição. E o PGR, que deveria ser o acusador imparcial, é também alvo das denúncias do réu. Quem deveria julgar e quem deveria acusar são parte interessada. Ainda assim, a PGR o denunciou por vários crimes, até mesmo "tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito", com penas somadas que podem chegar a 22 anos.
Pior: a defesa sustenta que ele nunca foi citado regularmente. Tagliaferro mora na Itália, com endereço nos autos, o mesmo para onde Moraes pediu a extradição. Mesmo assim, o relator usou citação por edital, reservada a quem está em lugar incerto. Como o regime sabe o endereço para pedir a extradição, mas não para seguir o devido processo legal e citá-lo formalmente? A própria DPU, nomeada por Moraes, pediu para sair do caso por violação da ampla defesa.
A Corte de Cassação italiana, análoga ao Supremo brasileiro, já decidiu que Zambelli não pode ser extraditada, no caso em que Moraes atuou como relator num processo em que era vítima. No caso de Tagliaferro, Moraes não é só a suposta vítima, mas também o denunciado pelas próprias revelações.
Enquanto isso, o aparato não
foi desmontado, foi reforçado. A AEED segue ativa, agora dentro de uma
estrutura maior, o CIEDDE, que acoplou Polícia Federal, MPF e Anatel à mesma
engrenagem. Mesmo "combate à desinformação", mesma lógica, mais poder
de polícia.
Teremos mais uma eleição marcada por censura e perseguição à direita?
Título, Texto e Imagem: Leandro Ruschel, X, 16-10-2026, 21h10


A AGU existe para defender o Estado brasileiro, não o CPF de Alexandre de Moraes.
ResponderExcluirSe o ministro extrapolou sua jurisdição e tentou impor censura nos EUA, que pague seus próprios advogados.
Usar a máquina pública e o dinheiro do pagador de impostos para se blindar no exterior tem nome: imoralidade.
A quem a AGU serve hoje? ⚖️💸
AGU usa milhões de dinheiro público para defender Alexandre de Moraes nos EUA
ResponderExcluirO jurista André Marsiglia criticou a decisão da Advocacia-Geral da União (AGU) de gastar milhões de dólares públicos para defender o ministro Alexandre de Moraes em um processo nos Estados Unidos.
A ação americana questiona as decisões de Moraes que tentaram impor censura a plataformas digitais, como a Rumble, fora do território brasileiro, violando a legislação dos EUA e a soberania internacional.
O fato central é a contradição da AGU, que alega defender a soberania do Brasil enquanto tenta justificar a intromissão de um juiz brasileiro em leis estrangeiras.
O processo nos EUA não interfere no Brasil, mas exige que Moraes responda por seus atos na jurisdição americana.
Além disso, o uso do erário para contratar um escritório nos EUA é uma afronta, já que a AGU deve defender o Estado, e não a pessoa física de uma autoridade.
A estratégia de defesa levanta sérias dúvidas éticas e legais ao blindar um ministro com recursos dos pagadores de impostos.
O caso escancara o uso questionável da máquina pública para proteger interesses particulares em tribunais internacionais.