Aparecido Raimundo de Souza
Quem tem a sorte de amar em silêncio
um desses amores vindos desse paraíso bem distante, pelo resto de sua vida não
precisará da evidência da percepção visual. O interessado, ou a interessada,
lerá na assimilação. Ao visualizar o outro, sentirá aquele amor sem ver,
desbastará como quem decifra uma carta invisível escrita à flor da pele. É um
amor que se move na penumbra, um gostar discreto, firme, forte como o vento que
não se vê e, ainda assim, dobra árvores, derruba casas, faz carros voarem, e
levanta a calmaria dos mares.
Esse amor não pede palco, nem
plateia. Ele se contenta em existir nos subterrâneos da vida, onde o tempo não
se limita e a distância não se decompõem. É o amor que entende seus cansaços,
que percebe as suas alegrias antes mesmo que você as reconheça. E talvez seja
esse o mais raro dos afetos, aquele que não carece de ser dito, tampouco
necessita ser tocado, porque já é compreendido e por ser assim, não necessita
de subterfúgios. Quem ama em silêncio sabe que o olhar é mais eloquente que
qualquer discurso. E, sem te ver, lhe enxerga por inteiro. A isso se dá o nome
de relações silenciosas ou linguagem do olhar maior. As relações silenciosas
são aquelas que não precisam de declarações constantes para existir. Elas se
sustentam em gestos mínimos. Um café preparado sem pedir, uma presença discreta
em momentos difíceis, o respeito pelo espaço do outro...
A linguagem do olhar maior, por seu turno, da mesma forma não se exibe, se revela igualmente em detalhes. A cumplicidade invisível, nasce da confiança mútua, cresce e se agiganta sem a necessidade de palavras. Do mesmo modo, o afeto cotidiano. Ele se patenteia em pequenas ações que parecem banais, mas sem subcarregar o seu parceiro ou parceira. Se amolda em significado profundo. Essas relações são como pequenos rios subterrâneos. Não se veem, mas alimentam a vida na superfície. Mesmo sentido, esse olhar maior existe e talvez seja a forma mais direta de comunicação silenciosa. Ele atravessa barreiras que a fala, por vezes, não consegue dimensionar.
De roldão, encontramos o olhar
cúmplice. Esse olhar transmite entendimento imediato, como se fosse um código
secreto, tipo um olhar de cuidado. Expressa preocupação e ternura sem precisar
de explicação. Um pouco diferente do olhar apaixonado. Esse traz consigo a
intensidade perene que nenhuma palavra consegue traduzir. Um olhar pode ser
também de silêncio, nunca de vazio. Ele é capaz de dizer “ei, amor, eu estou
aqui. Eu te amo”. É um te amo sem mover os lábios. Há relações que não
sobrevivem em discursos longos nem se apegam ou se escoram em declarações
públicas. São feitas de quietudes, de presenças discretas, de gestos ínfimos
que parecem pequenos, porém, carregam e alimentam o peso de um mundo inteiro.
Por assim, quem ama você em
silêncio, repetindo, mais uma vez, para que fique bem gravado, quem ama você em
silencio não precisa da palavra para existir. Basta tão somente o espaço entre
uma respiração e outra, ou o intervalo em que o coração se revela e se condensa
sem som. Essas relações silenciosas são como sonhos vindos do mais profundo da
alma. Se fazem invisíveis à superfície, mas se propagam vitais para que a vida
em abundância floresça. Elas não pedem aplausos, não exigem testemunhas. São
feitas de uma cumplicidade intocável, bem ainda de afetos cotidianos que se
manifestam em detalhes: o almoço deixado pronto, a cama limpinha, o toque sutil
no ombro, a presença que não invade, mas vivifica. E nesse território do
silêncio, o olhar se torna linguagem. Um olhar cúmplice é capaz de dizer “eu
sei, eu sinto você por dentro” sem precisar de nenhum tipo de explicação.
Existe também, em trilho igual, o
olhar de cuidado. Ele revela ternura antes mesmo que a boca se abra. Um olhar
apaixonado carrega intensidade que nenhuma frase conseguiria traduzir. O olhar
é quieto, mas nunca vazio. Se assemelha a uma carta secreta escrita sem tinta,
lida apenas por quem sabe decifrar aquilo que não é visto. Quem ama em silêncio
nunca se esqueça, quem te ama em silêncio, lê em seu olhar sem precisar ver.
Porque enxergar, nesse caso, não é questão de olhos, mas de alma. É perceber o
que não foi dito, acolher o que não foi pedido, compreender o que não foi
explicado. Sobretudo, é amar. Amar sem ruído, mas com profundidade imensurável.
E talvez seja esse também, não sei, mesmo norte, o amor mais raro, mais puro,
mais sedimentado. Aquele amor dos contos de fada, que não precisa ser falado,
porque... porque já vem e se achega entendido.
Há quem apregoa que o olhar é apenas
o reflexo da luz nos olhos. Ledo engano! Quem ama, ou já amou, sabe: o olhar é
uma língua inteira feita de verbos silenciosos e substantivos invisíveis. Um
olhar pode ser cúmplice, tipo assim, quando duas pessoas se encontram em meio a
uma multidão e se reconhecem sem precisar da troca de palavras. Pode ser, via
outra, um olhar de cuidado. Aquela modalidade em que que o “eu” acompanha
discretamente, que vigia sem sufocar, que protege sem anunciar. Pode ser
loucamente apaixonado e ardente, capaz de incendiar o instante sem mover os
lábios. Na rotina do cotidiano, o olhar é a tradução do que não ousamos dizer.
É o gesto simples que revela ternura quando a boca se cala. É a confissão livre
e determinada que escapa sem som.
Quem sabe ler, (de novo, em
repetição), sabe que existem olhares que entendem e que eles carregam na
essência, ou mais verdade do que qualquer discurso ensaiado. E há também o
olhar imensurável, ou aquele olhar que consola. Ele não promete soluções, oferece
presença. É como dizer “ei, meu amor, nunca se esqueça, eu estou e estarei
sempre aqui” sem pronunciar absolutamente nada. É o silêncio que, sem a gente
perceber, nos abraça com rosto de duplicidade. A linguagem do olhar, bem
sabemos, é universal. Ela atravessa culturas e tempos. É a língua dos amantes,
dos amigos, dos que se entendem além da fala. Quem te ama em silêncio nunca se
esqueça, lê o seu olhar sem ver, lê porque aqui, o “ver” não é apenas enxergar,
é sentir. No fim, talvez seja esse o maior milagre da comunicação humana: a
capacidade prodigiosa de dizer tudo sem dizer nada.
Há, ainda, os olhares ternos, os
envolventes, os maviosos, que são como chaves secretas: abrem portas
invisíveis, escancaram janelas entre duas pessoas. Mesmo modo, não precisam de
palavras, não pedem explicações. Basta o encontro rápido, quase furtivo e
imperceptível, para que tudo seja entendido. O olhar cúmplice não é outro senão
aquele que atravessa a sala e encontra o seu amor sem esforço. É o que diz “eu
sei” quando ninguém mais percebe. É a linguagem silenciosa dos que compartilham
segredos, dos que dividem histórias, dos que se reconhecem na multidão. Ele
pode ser breve, mas carrega em seu âmago, uma eternidade perene. É esse o olhar
que antecipa o gesto, que confirma a escolha, que sustenta a coragem. É como se
fosse, grosso modo, um palco e uma plateia. Dois mundos que se tocam, sem que
ninguém, ao redor perceba.
Na rotina cotidiana, o olhar
cúmplice vai ainda mais longe. Ele é o aliado dos amantes, o companheiro dos
amigos, dos parceiros de vida. É aquele que substitui frases inteiras, o que
consola sem precisar de abraço, o que anima sem estar ligado ou atado a frases
feitas de discursos vazios. É o silêncio que fala mais alto do que qualquer
palavra. Quem te ama em silêncio sempre lembrando, quem te ama em silêncio lê o
seu olhar sem te ver. E, quando esse olhar é conivente e acomadrado, não há
distância capaz de quebrar o entendimento. Porque o verdadeiro encontro não
acontece nos olhos, indubitavelmente se propaga volumoso e certeiro dentro da
alma. Há olhares que se tornam abrigo. Referencio aqui ao olhar de cuidado, ou
seja, aquele olhar que acompanha sem invadir, que vigia sem sufocar. Ele é
sereno e discreto, mas em oposto, é firme e forte como uma mão possante que
sustenta os nossos pés quando o chão parece não existir.
É o olhar que percebe o cansaço
antes mesmo que seja confessado, que oferece ternura sem precisar de palavras.
Quem recebe esse olhar sente que não está só, mesmo envolto no vazio mais
pesado. Já o olhar apaixonado, nossa, esse é fogaréu contido. Ele não precisa
de declarações para incendiar o instante. É intensidade pura e se agiganta
naquela pessoinha capaz de transformar um encontro banal em eternidade. O olhar
apaixonado é a confissão sem som, é o desejo que se revela em segundos. É, da
mesma forma, a promessa de mundos inteiros escondidos nas pupilas. Por ser
assim, entre o cuidado e a paixão, o olhar se torna a linguagem completa. Ele
consola, protege, deseja, revela, se entrega e pega fogo.
É, ainda, a língua dos que se
entendem além da fala, dos que sabem que o silêncio pode ser mais eloquente,
mais pesado, mais denso e saboroso que qualquer discurso. Quem te ama em
silêncio, grave bem essa frase, quem te ama em silêncio, nunca se esqueça, lê
seu olhar sem te ver. E nesse ato de leitura invisível, se descobre que o olhar
é mais do que o reflexo: é ponte, é passarela, é pacto, é poesia. Tenha sempre
em mente, que o olhar da paixão, é o olhar terno, apaixonado, ardente, intenso,
capaz de transformar um instante banal em eternidade. Ele é a confissão sem
som, o desejo ímpar que se revela em segundos; as promessas escondidas na
caixinha dos segredos. O olhar apaixonado não necessita de palavras nem de fogo
para incendiar o mundo. Basta apenas e tão somente o tocar e o existir.
Entre o cuidado e a paixão, nasce,
pois, o olhar cúmplice. Ele é pacto invisível, ponte secreta entre duas almas.
É o que diz “eu sei, eu estou aqui” sem precisar de explicação. É ainda o que
consola sem abraço, o que anima sem discurso. É a linguagem silenciosa dos que
se entendem além da fala. Quem te ama em silêncio lê seu olhar sem te ver.
Porque ver, nesse caso, (em repeteco), não é questão de olhos, mas de alma. É
sentir o que não foi dito, acolher o que não foi pedido, compreender o que não
foi explicado. É o amar sem ruído, com profundidade. E talvez seja esse o amor
mais raro: aquele amor que se propaga inteiro, sem máscaras, sem nódoas, que se
materializa no silêncio quase sepulcral, mas que fala alto e grita, berra e faz
festinhas através de um simples e meigo olhar.
Há amores é bom que se esclareça,
que não se anunciam em palavras, mas se revelam inteiros no olhar. O silêncio,
nesse caso, não é ausência. É presença delicada, é cuidado que se oferece sem
pedir nada em troca. O olhar de cuidado é abrigo. Ele percebe e avalia o
cansaço antes que seja confessado, acompanha sem invadir, protege sem sufocar.
É como uma mão invisível que sustenta o medo, a angústia, o obscuro, quando o
chão de repente, parece ceder. Quem recebe esse olhar descansa e se acalma,
porque sabe que há alguém atento, mesmo quando tudo parece calado. E há também,
não podemos esquecer de repetir, do olhar apaixonado. Falo daquele olhar que é
fogo contido, é chama que arde. Ele não precisa de declarações para incendiar o
instante. É intensidade pura, avassaladora, capaz de transformar um encontro
banal em eternidade.
É a confissão sem som, a promessa
escondida nas pupilas, o desejo que se transforma em segundos. Entre o cuidado
e a paixão, nasce o olhar cúmplice. Ele é pacto invisível, ponte secreta entre
duas almas. É o que diz “eu sei, meu amor” sem precisar de explicação, o que
consola sem abraço, o que anima sem discurso. É a linguagem silenciosa dos que
se entendem além da fala. Quem te ama em silêncio lê teu olhar sem ver. Porque
ver, nesse caso, estou repetindo para que fique bem sedimentado, não é questão
de olhos, mas de alma. É sentir, em trilha derradeira, o que não foi dito, bem
ainda acolher o que não foi pedido e compreender, sobretudo compreender o que
não foi explicado. Acredite, você que está lendo esse texto. Me perdoem pelas
repetições. Fiz de propósito para que nunca se esqueçam. Saibam que todos esses
palavreados, todas essas repetições, tudo isso que eu disse e redisse, é o que
se simplifica em objetivamente amar sem barulho, gostar sem gritos e
sufocamentos. Todavia, AMAR com eloquente profundidade.
Em resumo, queria deixar esclarecido
e alardeado: talvez seja esse o amor mais raro... aquele que, do nada, se
revela flamejante e luzidio em nosso TUDO.
Explicação necessária: texto escrito
baseado na música “O valor da vida” interpretado por KAKINDA DO SELES:
O sorriso do abismo
Nossa política é como ovo quente em boca de bêbado
Tipo assim, como um Dark Horse
Brabo e bravo
Foi então que a ficha caiu

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