Jefferson Fassi
Se você achava que o "Roda Viva" servia apenas para entrevistas, o ministro Gilmar Mendes provou nesta segunda-feira que o programa pode ser, na verdade, o tribunal de apelação mais informal do país.
Em uma performance digna de nota, o
decano do STF decidiu que a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) é apenas uma
sugestão, ou, como diriam os mais céticos, um "item opcional" no
manual de conduta de um magistrado.
Com a leveza de um sedutor que decide
explorar uma amante, Gilmar conduz o destino da República entre um gole de água
e outro, e distribuiu "cartões vermelhos" para seus colegas Ministros.
André Mendonça foi o primeiro a ser
chamado na diretoria por sua atuação no caso Banco Master.
Edson Fachin, o presidente da Corte,
também levou uma "puxada de orelha" por tentar criar um código de ética,
afinal, para que regras escritas se temos o bom senso (e o microfone) do
ministro Gilmar?
O terceiro foi Kassio Nunes Marques,
envolvendo pesquisas eleitorais. O decano contra Kassio foi além: praticamente
deu um "spoiler" de que o STF vai derrubar as decisões do colega
nesse assunto.
É o que os juristas chamam de "judiciário preditivo": você não precisa esperar o plenário decidir, basta acompanhar a agenda de entrevistas do ministro.
Os mesmos juristas, aqueles seres
chatos que insistem em decifrar a lei, ficaram escandalizados. "Mas a
Loman proíbe comentar processo em curso!", gritaram. No entanto, Gilmar,
em sua infinita sabedoria, parece ter adotado a filosofia de que "a Loman
é para os outros, eu sou a Lei".
Ao ser questionado sobre o
constrangimento de criticar colegas, Mendes saiu pela tangente com a elegância
de um mestre e classificou a pergunta como uma "armadilha". Afinal,
por que responder se você pode simplesmente desclassificar a pergunta e
continuar a aula de como ser um "garantista seletivo"?
O gabinete do ministro, seguindo a
tradição de quem não precisa se explicar para meros mortais, manteve o
silêncio. Afinal, por que emitir uma Nota Oficial quando você pode simplesmente
ir a um programa de TV e dizer o que pensa?
Enquanto o Brasil assistia a essa aula
de "como atropelar o regimento com classe", restou uma dúvida: será
que a próxima etapa do "Roda Viva" será a transmissão ao vivo de
julgamentos de habeas corpus por "streaming" com comentários em tempo
real do ministro? Pelo visto, no Supremo, a liturgia do cargo agora é feita com
um microfone na mão e um "não me pergunte isso" na ponta da língua.
Imagem e Texto: Jefferson Fassi, Facebook, 24-6-2026, 20h03
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O silêncio da imprensa brasileira sobre isso é assustador

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