sexta-feira, 19 de junho de 2026

Sinceramente, há algo que nunca vou conseguir perceber nos portugueses...

Sergio Morais

Portugal empata o primeiro jogo do Mundial e, em poucos minutos, já se procura um culpado. E, como quase sempre acontece, o nome escolhido é Cristiano Ronaldo

Mas alguém viu o jogo?

O Bruno Fernandes apareceu? O Bernardo Silva apareceu? O Vitinha apareceu? O Nuno Mendes apareceu? O Cancelo apareceu? A equipa, no seu todo, esteve ao nível que todos esperávamos? 

Portugal teve mais posse de bola, mais qualidade individual e mais talento, mas produziu muito menos do que devia. Então a responsabilidade é apenas de um jogador de 41 anos?

Podemos discutir as opções de Roberto Martínez. Podemos questionar por que não entrou mais cedo um Rafael Leão ou um Francisco Conceição, jogadores capazes de desequilibrar no um para um, acelerar o jogo e criar situações de perigo. Podemos criticar a falta de intensidade, a falta de criatividade e a forma como a equipa deixou de controlar o jogo em vários momentos.

Mas transformar Cristiano Ronaldo no bode expiatório de tudo o que corre menos bem já se tornou um hábito nacional.

Curiosamente, quando ganha, ganha a equipa. Quando perde ou empata, a culpa é do Cristiano.

E já agora, sejamos honestos...

Ainda antes de a bola começar a rolar, já uma parte da imprensa portuguesa andava à procura de problemas onde eles nem sequer existiam.

Durante dias falou-se mais do Cristiano Ronaldo do que da própria Seleção. Uns questionavam se devia ser titular, outros se devia continuar a ser convocado. Ao mesmo tempo surgiam notícias sobre o eventual futuro de Roberto Martínez depois do Mundial, como se estivéssemos a preparar um funeral antes de começar a festa.

Parece que há sempre uma necessidade de criar polémicas, dividir o grupo, alimentar discussões e procurar culpados antes mesmo de existir um problema real.

Porque a verdade é esta: uma parte da imprensa não vive das vitórias da Seleção. Vive das polémicas, dos cliques, das audiências e das manchetes.

Se Portugal ganhar, há pouco para discutir. Se Portugal empatar ou perder, há dias e dias de debates, acusações, teorias e culpados para encontrar.

E essa pressão constante acaba inevitavelmente por chegar aos jogadores, ao treinador e ao ambiente que rodeia a equipa.

A verdade é que Portugal continua a ter uma das seleções mais talentosas do mundo, mas talento não garante títulos. Nunca garantiu.

Há seleções igualmente talentosas que também vão ficar pelo caminho. Há equipas com grandes estrelas que não serão campeãs do mundo. Porque no final só uma levanta a taça.

E convém lembrar que isto foi apenas o primeiro jogo.

O Brasil também não venceu na estreia. A Espanha também não venceu na estreia. Outras seleções favoritas já deixaram pontos pelo caminho. Os Mundiais não se ganham na primeira jornada. Fazem-se em progressão, crescendo jogo após jogo.

O que me preocupa não é o empate.

O que me preocupa é ver uma parte dos adeptos portugueses, dos comentadores e da comunicação social a disparar contra a própria equipa ao primeiro obstáculo.

Parece que Portugal tem obrigação de ser campeão do mundo porque sim.

Não tem.

Tem uma excelente geração de jogadores. Tem qualidade. Tem ambição. Tem condições para sonhar.

Mas continua a enfrentar adversários que também sonham, também trabalham e também querem ganhar.

Talvez esteja na altura de percebermos que os grandes Mundiais não são ganhos apenas pelos jogadores dentro de campo.

São ganhos também pelo ambiente criado à volta da equipa.

Enquanto outros países protegem os seus, nós parecemos ter uma enorme facilidade em atacar os nossos ao primeiro deslize.

E talvez seja aí que esteja uma das nossas maiores fraquezas.

Ontem empatámos. Ponto.

Não fomos eliminados. Não perdemos o Mundial. Não deixámos de ter qualidade. Não deixámos de ter ambição.

O que não pode acontecer é transformar um empate na primeira jornada numa caça ao homem, seja ele Cristiano Ronaldo, Roberto Martínez ou qualquer outro.

A responsabilidade de ontem não é de um jogador.

É de todos.

Dos que estiveram em campo, dos que estiveram no banco, do treinador, da estratégia, da execução e até do ambiente criado à volta da equipa.

O Mundial continua.

Nada está perdido.

Agora é altura de corrigir, melhorar, crescer e apoiar.

Porque se há momento em que Portugal precisa de união, é precisamente agora.

Força Portugal! 

🇵🇹❤️💚

Título, Imagem e Texto: Sergio Morais, Facebook, 18-6-2023, 10h13 

#Portugal #SelecaoNacional #Mundial2026 #CristianoRonaldo #CR7 #ForcaPortugal #SomosPortugal  #Futebol  #PortugalSempre 

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