terça-feira, 9 de junho de 2026

[Aparecido rasga o verbo] Eles, outra vez

Aparecido Raimundo de Souza

EXATOS ONZE ANOS ATRÁS, quando escrevia textos para a “Revista Talismã Gold,” de Vitória, no Espírito Santo, publiquei um artigo sobre uma música composta por Herbert Viana, então vocalista do grupo musical ”OS PARALAMAS DO SUCESSO”, onde ele criticava com severa e acirrada ironia o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, já naquela época um ladrão safado e pilantra declarado do povo brasileiro. Embora passados onze anos, a pergunta que ficou no ar, sem resposta foi a seguinte: o que mudou desde então? Como ninguém tem colhões e coragem de se declarar, nós mesmos cantamos a resposta. Nada! Infelizmente, nada.

A obra de Herbert Viana fez tanto sucesso que mexeu com os brios desse e de outros cafajestes. Bolinou de tal forma na ferida, que devido ao enorme sucesso alcançado pela poesia e logicamente pelo talento do autor, o grupo chegou a ser o mais pedido e executado em todas as rádios. De repente, do nada, a música desapareceu das paradas como por encanto. As emissoras de rádio deixaram de tocar, as redes sociais da época (levadas pela febre do dinheiro sujo e enlameado), foram proibidas (entre aspas), de executar a referida obra prima, que num estranho piscar de olhos, caiu rapidamente no esquecimento.

Em nosso país falido a coisa funciona assim. Enquanto a porra do dinheiro falar mais alto, nenhum Google, ou You tube, ou outra merda existente bailando nas redes sociais, nenhuma delas terá coragem suficiente de manter no ar, sem censura, uma mídia, sem borrar pernas abaixo. O dinheiro, a grana, a bufunfa, as verdinhas, o faz me rir, sempre estará na frente, não importando o número de pessoas que estejam lincados vivenciando um momento que a nosso ver, deveria, acima de tudo, ser respeitado. Resumindo esse papo, antes de entrar no texto, todos, a meu ver, os charlatões e embusteiros os vermes e os ratos “por detrás das máscaras”, esses impostores que não tem coragem de dar as caras, segue abaixo o texto que escrevi, na íntegra.

Texto publicado em julho de 1995 na “Revista Talismã Gold”, página 34, do exemplar de número 8:

“Estão processando, por calúnia, injúria e difamação, o músico Herbert Viana, pela magnífica “Luiz Inácio (300 picaretas”). A nosso ver, isso é uma verdadeira ignominia das mais torpes e objetas. Em primeiro lugar o Sr. Luiz Inácio, (como os demais citados), deveriam se sentir orgulhosos por verem os seus nomes estampados numa melodia de sucesso. Afinal de contas, convenhamos, pousos são os que conseguem um ato heroico dessa envergadura.  Chega, inclusive, a ser exótico. Vejam, por exemplo, quantas personalidades de projeção, não só nacionais, como internacionais, (sem querer me desfazer dos envolvidos com os Paralamas do Sucesso), existem espalhadas por esse mundo de Deus à fora.

Mas, nem por isso, essas celebridades galgaram o ponto mais alto de alguém as reverenciarem através de uma obra com requintes dessa estirpe. Quem de nós, (humildes e desconhecidos), não sentiria prazer em ser cortejado e aclamado com todas as honras e méritos através de uma simples canção? Costumamos caracterizar que somente os pacóvios e trouxas não veriam com bons olhos essa grandiosa façanha. Das duas, uma: ou temem que a sociedade, ao tomar conhecimento dessas venerações, lhes alcunhem de demagogos, ou o passado de cada um exterioriza promiscuidades relevantes que deixariam muitíssimo a desejar e, portanto, em vista desses fenômenos insatisfatórios, nada nesse passado deve ser molestado ou tocado.

 O procurador–sectarista da câmara dos deputados, o boca aberta Bonifácio de Andrade (PTB-MG), obstacula que a aludida música atenta frontalmente contra a moral dos mais soberbos representantes da cúpula nacional. Por conta disso, sem saída, o “cu pula”. 

Nesse momento, uma indagação deveria ser esclarecida: será que a composição do Sr. Herbert Viana ofenderia, de igual forma, também os bons costumes?  Em passo adiante, vale ressaltar, o fato de que ninguém se levantou (nessa mesma casa), com coragem e bravura suficientes, para dizer, se opor ou gritar, a plenos pulmões que as atitudes de certos parlamentares magoam. Não só magoam, lesam, ultrajam e fazem profundamente mal não só a imagem de toda a cidadania, como atacam, a duros golpes, a dignidade e a moral do país perante as outras potencias mundiais.

Na esteira desses acontecimentos, não se nega que o Sr. Herbert Viana fez o que gostaríamos de fazer: mostrar que o sistema está errado. Trazer a público a indignação geral em clamor uníssono daqueles indivíduos, cidadãos do bem, de caráter e vergonha na cara. Com uma ingênua poesia, esse compositor brilhante e de méritos indiscutíveis, tratou minudentemente de um assunto complexo e reservado. Ofereceu para nosso entretenimento uma peça rara e de peso, regulamentando algumas das muitas barbáries que acontecem nos escalões putrefatados do Governo Federal.

A música, em si, foi tão eficaz que suscitou uma série de ocorrências opostas à pretensão esperada. Por ser altamente dissidente e censuradora, não demorou para bulir em cheio na ferida de muita gente. De igual forma, confundiu as noções do contraditório, melindrando uma grande e expressiva porção de “seres viventes” que não fazem outra coisa no dia a dia, a não ser se esforçarem com mórbida tenacidade para levar o Brasil ao pandemônio geral, ou ao caos total.  Vejamos, agora, os versos gravados por essa famosa banda de rock, que nos foram presenteados no exato momento em que atravessamos os difíceis caminhos de um histórico tempo de mudanças:


‘...Luiz Inácio falou... Luiz Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor
Eles ficaram ofendidos com a afirmação
Que reflete na verdade o sentimento da nação
É lobby, é conchavo é propina, é jetom
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita agente pra pegar na saída
Pra fazer justiça uma vez na vida
Eu me vali desse discurso panfletário
Mas a minha burrice faz aniversário
Ao permitir que num país como o Brasil
Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado
Por um par de sapatos, por um saco de farinha
A nossa imensa massa de iletrados
Parabéns coronéis, vocês venceram outra vez
O Congresso continua a serviço de vocês
Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão
Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição
E se eu fosse dizer nomes a canção era pequena
João Alves, Genebaldo, Humberto Lucena
De exemplo em exemplo aprendemos a lição
Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão
De rádio FM e de televisão...’.

Do quanto se vê, temos aí exposta, a visão sumária da produção artística onde não encontramos subsídios sólidos que possam ou venham ferir e assustar os nobres e distintos deputados e parlamentares ou quaisquer outros nomes mencionados na “Luiz Inácio (300 picaretas)”. Pelo menos ao ponto de se dar início a uma batalha improcedente contra o compositor Herbert Viana por calúnia, injúria e difamação. Entendemos que esse tríplice aspecto atrelado às sanções previstas no Código Penal reside exatamente no oposto, ou seja, naquelas figuras eminentes que o querem acionar judicialmente.

Em conclusão, se a carapuça serviu para as cabeças de alguns, é sinal que a melodia não fala em utopias. Sem sombra de dúvidas, retrata com fidelidade o pensamento comunitário de muitos, patenteando as verdades nuas e cruas, como se fosse um retrato bem vivo de nossa pátria. Ora, se aqueles que realmente ambicionam passar o país a limpo se lançam à essa tarefa de peito aberto, não se enquadram, de nenhuma forma, no contexto ou nos meandros dessa primazia de música evidentemente têm a consciência tranquila e estão cientes de que representam, da melhor forma os interesses de todos os brasileiros.” 


Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Pequiá, ES, 9-6-2026 


Anteriores:
O Tranco do Jeep 
Quem ama você em silêncio, lê o seu olhar sem te ver 
O sorriso do abismo 
Nossa política é como ovo quente em boca de bêbado 
Tipo assim, como um Dark Horse 
Brabo e bravo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.

Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-