Um tirano que trancou um ex-presidente para a própria família
Rogerio Pires
Comece por uma imagem simples: uma porta.
Do lado de dentro, um homem de 71 anos que carrega no corpo as marcas de uma facada que quase o matou em 2018. Do lado de fora, os filhos, os netos, os amigos. E, a partir da semana que vem, também o presidente de um país vizinho, que atravessaria a fronteira para um aperto de mão.
Nenhum deles pode entrar.
A decisão saiu na sexta-feira, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ficam suspensas por 30 dias todas as visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. As exceções cabem numa linha: médicos, fisioterapeutas e advogados. Antes disso, o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho e pré-candidato à Presidência, já havia sido proibido de visitar o pai por 90 dias.
E há um terceiro prazo, o mais revelador de todos. Visitas de caráter político ou eleitoral estão vedadas até o fim das eleições de outubro. Foi com base nessa regra que o ministro negou, no sábado, o pedido para que Javier Milei, presidente da Argentina, visitasse Bolsonaro no dia 25, quando estará no Brasil para a convenção que deve oficializar a candidatura de Flávio.
O estopim de tudo isso? Uma carta. Escrita à mão. Um pai dizendo ao filho que confia nele e pedindo união à família. Flávio publicou a carta nas redes. Para o ministro, isso violou a cautelar que proíbe Bolsonaro de se manifestar em redes sociais, inclusive por meio de terceiros. A defesa alegou que o ex-presidente não sabia que o texto seria divulgado. O argumento foi integralmente rejeitado.
Mas a forma jurídica não esgota a pergunta política. E a pergunta política é uma só: qual o tamanho proporcional da resposta a uma carta de pai para filho?
A própria defesa cravou a palavra: incomunicabilidade. Não é retórica de militante. É o termo que os advogados levaram ao processo. Um ex-presidente da República, o nome mais influente de um dos campos da disputa, ficará sem receber visitas sociais em plena campanha, e sem qualquer visita política justamente até o encerramento do pleito.
Repare na data. Outubro. Justamente até lá.
Quando a voz mais forte de um lado é retirada do jogo no meio do jogo, passa longe a democracia.
E há a camada humana, que nenhum despacho alcança. Noventa dias sem abraçar um filho. Trinta dias sem receber a família à mesa. Um corpo marcado por três lesões no intestino delgado e uma perfuração grave no intestino grosso, convivendo há oito anos com crises que ninguém vê, agora entre quatro paredes com visitas contadas nos dedos de uma mão.
Se o Estado pode fechar essa porta na cara de um ex-presidente, com advogados de plantão, câmeras do mundo inteiro apontadas e um chefe de Estado estrangeiro batendo do lado de fora, faça a si mesmo a pergunta incômoda.
O que ele pode fazer com você, que não tem nada disso?
A resposta de cada leitor a essa
pergunta vale mais do que qualquer opinião deste articulista.
Título, Imagem e texto: Rogerio Pires, Timeline, 19-7-2026
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NOTA
ResponderExcluirA escalada de restrições às liberdades fundamentais é incompatível com os princípios do Estado Democrático de Direito. A decisão que impõe o isolamento de Jair Bolsonaro é extravagante, inusitada e sem precedentes na história recente do país. Ao impedir até mesmo visitas de seus filhos e restringir sua comunicação com a sociedade, Alexandre de Moraes transforma medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político. Mais do que isso, amplia restrições para além do que a própria Constituição prevê. A jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal sempre conferiu interpretação restritiva ao art. 15 da Constituição, limitando a suspensão dos direitos políticos aos direitos de votar e de ser votado.
O contraste é evidente. Lula, durante o período em que esteve preso, recebeu inúmeras visitas e divulgou manifestações de conteúdo político. Hoje, Jair Bolsonaro, maior liderança popular da direita brasileira, é submetido a restrições muito mais severas. Tenta-se calar quem representa milhões de brasileiros e impedir que exerça sua liderança, dialogando e orientando o povo sobre os desafios do país.
Mas ideias não se aprisionam. Nenhuma decisão será capaz de romper o vínculo entre Jair Bolsonaro e os brasileiros que nele confiam e veem a esperança de um país mais livre, mais justo e mais democrático.
A normalidade democrática somente será plenamente restabelecida quando o povo puder decidir livremente seu destino nas urnas. Isso passa pela ELEIÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO à Presidência da República e pela ELEIÇÃO DE UM SENADO FORTE, independente, fiel à Constituição, composto por homens e mulheres que não se acovardarão diante da necessidade de exercer integralmente suas prerrogativas constitucionais, inclusive processando e julgando autoridades por crimes de responsabilidade, nos termos da Constituição e da lei.
O Brasil voltará a ser uma democracia plena quando a Constituição estiver acima de todos, nenhum Poder ultrapassar os seus limites e a liberdade voltar a ser um direito efetivamente garantido a todos os brasileiros.
Rogério Marinho (PL/RN)
O desespero de Lula e sua turma é que um novo governo, de direita, com outra PF, PGR, órgãos de fiscalização, Congresso de direita, comandos de estatais... não será só nova gestão e fechamento da torneira dos dutos hoje abertos, mas abertura de investigações internas, acionamento de corregedorias, pente-fino em contratos, PADs, vai ser brutal.
ResponderExcluirPor isso, essa campanha será uma guerra campal, um jogo sujo nunca antes visto, mesmo para o padrão Brasil.