Trens e metrô ficaram sem funcionar, enquanto passageiros enfrentaram longas esperas, congestionamentos e corridas por aplicativo com preços elevados
O Dia
A volta para casa dos cariocas
nesta quarta-feira (29) foi marcada por transtornos após a forte ventania que atingiu o estado. Com apagões,
semáforos desligados, trens e metrô paralisados e congestionamentos em
diferentes regiões, milhares de trabalhadores enfrentaram longas filas e ônibus
lotados para conseguir chegar em casa.
centro do rio de janeiro tá igual the walking dead que desespero pic.twitter.com/rNpYgZMwti
— heleninha (@xheleninha) July 29, 2026
A estudante de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Maria Alice Oliveira, 27 anos, saiu do trabalho, na Rua da Assembleia, no Centro, pouco depois das 17h, mas encontrou um cenário de caos.
"A luz acabou por volta
das 16h30 por causa dos ventos. Nós tivemos que descer 18 lances de escada
porque o prédio ficou sem energia. Quando colocamos o pé na rua, a luz voltou,
mas o metrô e o trem continuavam sem funcionar. Os pontos de ônibus estavam
lotados e uma corrida de aplicativo da Carioca até a Tijuca estava custando R$
120", contou.
Segundo ela, a cidade parecia paralisada: "Tinha folhas voando por toda
parte, placas de propaganda sendo levadas pelo vento e os pedestres andando com
o rosto coberto, procurando abrigo dentro dos comércios".
Morador do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte, Pedro Soares também
enfrentou dificuldades para voltar para casa. "Eu estava no ônibus quando
começou uma ventania absurda. O trânsito ficou completamente engarrafado e os
carros praticamente não conseguiam andar, bem na hora do rush. Quando cheguei
perto de casa, vi que o bairro inteiro estava sem luz. Subi o morro e
continuava tudo às escuras", relatou.
O estudante de Psicologia,
Tawan Ferreira, 29, enfrentou uma longa jornada para voltar para casa. Ele
deixou o trabalho, na Tijuca, Zona Norte, com destino a São Gonçalo, na
Região Metropolitana, mas viu o trajeto se transformar em um verdadeiro
desafio.
"Saí do trabalho às 17h. Normalmente, levo cerca de duas horas para chegar
em casa, mas, nesse tempo, eu só consegui percorrer metade do caminho",
destacou.
Segundo Tawan, a ventania e a falta de energia comprometeram a circulação na
região. "Na Tijuca, estava ventando muito, com árvore caindo e um bom
tempo sem luz. Fui para o metrô, mas a estação estava fechada. Tive que voltar.
A própria passarela de São Cristóvão estava complicada, com muita coisa voando,
telha, tampa de caixa d'água. Os sinais também não funcionavam direito e muita
gente acabava avançando", contou.
Quem passou pela Central do Brasil encontrou uma das cenas mais críticas do
dia. A secretária Dulce Carvalho precisou descer do ônibus antes do ponto por
causa do congestionamento.
"Copacabana estava fechada e o ônibus precisou fazer um desvio pelo
Flamengo. Quando cheguei ao Centro, estava tudo parado. A Central parecia o fim
do mundo. Nunca vi tanta gente junta. Consegui pegar outro ônibus, mas a cidade
inteira estava travada", afirmou Dulce.
A estudante Ashley
Franco, 19, presenciou um arrastão, viu pessoas correndo pela rua e precisou se
proteger dentro de uma loja. Na Central do Brasil, ela encontrou o sistema de
transporte parado e aguardou por quase duas horas a liberação das viagens. "Eles
deram a passagem de volta para as pessoas e depois ficamos quase duas horas
esperando abrir. Teve discussão perto das catracas. Depois de muito tempo
liberaram apenas as linhas para Uruguaiana e Jardim Oceânico", disse.
A arquivista Raimunda Maria descreveu o clima de apreensão entre quem deixava o
trabalho. Com semáforos apagados, pedestres precisavam atravessar as ruas entre
os carros.
"Todo mundo saiu no mesmo horário. Sem sinal funcionando, as pessoas
faziam fila para atravessar e os carros paravam. Os pontos de ônibus estavam
superlotados e muitos coletivos já passavam cheios, sem conseguir parar. Fui em
pé até São Cristóvão, perto do motorista. Dava para sentir o desespero das
pessoas querendo apenas chegar em casa", disse.
A falta de energia causou
momentos de tensão para a esteticista Julia Triunfo, 24. Ela e mais duas amigas
ficaram presas no elevador de um prédio em Botafogo, Zona Sul.
"Conseguíamos escutar o barulho do vento e das coisas batendo e quebrando
do lado de fora. Quem nos tirou de lá foi o porteiro do prédio, porque a equipe
de manutenção do elevador não chegou", relembrou.
A ventania, com rajadas superiores a 100 km/h em alguns pontos, provocou falta
de energia em diferentes bairros da capital e da Região Metropolitana,
interrompeu a circulação do MetrôRio e dos trens, além de afetar aeroportos e o
trânsito. Até o início da noite, o Corpo de Bombeiros contabilizava 185
ocorrências, sendo 93 de cortes de árvores, 31 salvamentos de pessoas, 5
desabamentos relacionados ao fenômeno.
O Centro de Operações da Prefeitura colocou a cidade em Estágio 2, enquanto o
Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ)
emitiu alerta para a atuação da frente fria, com previsão de rajadas de vento
até a manhã de quinta-feira (30).
Título e Texto: Reportagem dos
estagiários Aretha Dossares e Rodrigo Maciel, sob supervisão de Larissa
Amaral, O Dia, 29-7-2026, 20h43
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