Marcelo Guterman
Fiquei curioso quando li essa manchete no Estadão. Afinal, seriam os cortes de subsídios patrocinados por Milei os responsáveis pela queda das exportações de automóveis do Brasil para a Argentina? Fui ler a reportagem.
Em primeiro lugar, procurei o
analista econômico que desenvolveu essa correlação “cortes de subsídios vs
exportações brasileiras”. Não tem. Veio direto das vozes da cabeça do repórter.
Como o editor do jornal deixou um troço desses virar manchete da primeira
página é caso para teorias da conspiração.
Pior. Os dados não corroboram a manchete. O volume de carros vendidos na Argentina AUMENTOU durante os dois primeiros anos do governo Milei, mesmo com os tais cortes de subsídios (vide gráfico anexo). O volume reduziu-se a partir do segundo semestre de 2025, mas ainda assim permaneceu acima do patamar pré-Milei. Ou seja, a história do corte dos subsídios não para em pé.
Piora? Sim, piora. A matéria
afirma textualmente que “os acordos de cooperação firmados com os governos
peronistas que antecederam o atual presidente do país, Javier Milei, dão hoje à
China condições de destronar o Brasil no fornecimento à Argentina”. Quer dizer,
não foi Milei, mas os seus antecessores os “culpados” pela liderança chinesa.
Passa até a impressão de que
se quer fazer uma associação subliminar com a recém passagem do presidente
argentino, apoiando Flávio e xingando autoridades brasileiras. Quem lê, pensa:
Milei fdp, quer f@der o Brasil para beneficiar o seu candidato.
Tudo isso não passa de uma
guerra de narrativas. O buraco real é bem mais embaixo. Como diz o presidente
da Associação do Comércio Exterior do Brasil, entrevistado na reportagem, “não
temos preços para concorrer com a China e, muito menos, com os Estados Unidos”.
Essa é a real. O Mercosul não passa de uma grande reserva de mercado que
condena o consumidor do bloco a pagar preços mais altos por produtos ruins,
para proteger indústrias que precisam operar em ambientes institucionais e
macroeconômicos inóspitos. Milei veio desafiar essa lógica. Esse é o verdadeiro
“efeito-Milei”.
Texto e Imagens: Marcelo
Guterman, Facebook, 27-6-2026, 11h30
"Não são especialistas, via de regra, são militantes"
Esse era o "monitoramento do bem", esse podia
Apelou, perdeu!
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