Henrique Pereira dos Santos
Paulo Querido fez uma grande análise sobre o posicionamento político dos comentadores da imprensa escrita e tirou as conclusões que entendeu.
Eu fiz um pequeno comentário: "O problema não está nos colunistas, onde há alguma variedade, o problema está nas redacções, que são todas de esquerda, incluindo o Observador".
Paulo Querido ficou ofendido
com o comentário (que não critica o seu trabalho, apenas diz que o problema
(subentende-se, do viés) não está tanto nos comentadores, mas mais nas redações,
e respondeu: "Henrique Pereira Dos Santos o problema não está nas
Redações, onde há alguma variedade, nem nos colunistas, idem. O problema está
na idiotice — a sua — de achar que as convicções — as suas — substituem os
factos e a ciência".
A resposta é uma boa
ilustração da arrogância de jornalistas (e académicos) que lhes permite
formular opiniões como se fossem certezas científicas.
Note-se que a minha opinião sobre o posicionamento político das redações é apenas a minha opinião, mas não é pelo facto da opinião de Paulo Querido vir embrulhada num grande trabalho de análise dos colunistas que a sua opinião sobre o posicionamento político das redacções deixa de ser uma opinião, como a minha, e não um facto estabelecido.
Claro que a análise feita
sobre os colunistas é impossível de fazer para as redações dos jornais, mas
olhando para a cobertura sobre a guerra entre Israel e o Hamas, sobre a Guerra
entre os Estados Unidos e o Irão, ou o tempo da Troica, a mim parece-me que
existem indícios muito claros de viés nas redações dos jornais e televisões.
Um bom exemplo é o que se está
a passar sobre a confusão dos exames, para já não falar do exemplo anterior da
alteração da legislação do trabalho.
Há um processo de
digitalização das provas de exames, mas raramente se encontra qualquer
discussão sobre as virtudes dessa alteração (embora sejam abundantes as
referências a quem acha que havia um processo estabilizado, logo, não era
preciso adaptá-lo a tempos novos).
Esse processo correu mal e,
desde aí, é evidente o esforço de milhares de pessoas para tentar resolver os
enormes problemas encontrados, o que faz com que 98% das provas estejam já
resolvidas, faltando uns 2% e verificações de qualidade que é preciso assegurar.
Uma tal senhora Cristina Mota,
porta-voz de uma coisa chamada Movimento Escola Pública que ninguém sabe que
representatividade tem, a falar das coisas horríveis que vão acontecer,
jornalistas a falar das imensas reclamações que vão existir (até agora, na
provedoria de justiça, são 14) e uma técnica de manipulação antiga como o
mundo: a reprodução de testemunhos de pessoas concretas, sem que os jornalistas
se deem ao trabalho de enquadrar esses testemunhos para sabermos se são
situações generalizadas, ou problemas que estão e são resolvidos.
É a leitura diária de notícias
que faz pessoas como eu ter uma opinião, cuja fundamentação consigo descrever
deste modo, sabendo que dizer que as redacções são todas dominantemente de
esquerda será sempre uma opinião mais que discutível.
Mas sempre é mais sério que
procurar contrabandear opiniões como ciência verificável por qualquer pessoa.
Título e Texto: Henrique
Pereira dos Santos, Corta-fitas,
15-7-2026
Jornalismo a granel
Esse é o nível de parte do jornalismo brasileiro
Americanos querem acabar com o PIX? Bolsonaros são "traidores da pátria"? Como o regime petista e a militância de redação enganam o público

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-