quinta-feira, 9 de julho de 2026

[Daqui e Dali] Divórcio: sim ou não?


Humberto Pinho da Silva

Vou abordar assunto muito delicado: o divórcio.

O repúdio pode ter várias causas. Em geral, é resultado de namoro apressado ou imperfeito; para não falar do abandono, na adolescência, dos preceitos da religião cristã

Manuel Bernardes na "Nova Floresta" aconselha "Casam primeiro as idades, as condições, as saúdes e as qualidades; e então casarão bem, as pessoas. Doutro modo, já de antemão levam o divórcio meio feito."

Malaquias, em 2:16, lembra que Deus detesta o repúdio, ou seja, o divórcio.

E Jesus assevera: “Eu, porém, digo-vos: quem repudiar a sua mulher, exceto no caso de concubinato, expõem-na ao adultério, e quem casar com a repudiada, comete adultério” (Mt.5:31)

Paulo, aos romanos (7:2), reafirma o que Jesus disse: "A mulher está ligada ao marido, enquanto ele vive. Se falecer, fica livre e não adultera se casar de novo. E, em carta aos corintos, São Paulo, reafirma "Eu prescrevo, não eu, mas o Senhor, que a mulher, não se separe do marido. Se, porém, se separar, que permaneça sem se casar, ou que se reconcilie com o marido, e este não a repudie” – I Cor.7:11

Portanto: a dissolução do casamento está vedada aos cristãos; porém há Igrejas Evangélicas que o admitem, baseando-se no texto que Mateus escreveu – "exceto em caso de adultério"

Se me é permitido, direi, – não o Senhor, como costuma dizer Paulo –, em certas ocasiões parece-me impossível não acontecer. Conheço dois casos provocados pelo comportamento escandaloso dos maridos. O não fazer seria indigno para a mulher. Mas só se devem realizar em situações extremas, após muita paciência e ponderação.

Os divorciados que se tornam a casar, encontram-se em pecado; mas não podem ser abandonados pela Igreja. Devem educar e encarreirar os filhos segundo a fé cristã.

Embora algumas Igrejas, inclusive a católica, não os aceite à comunhão, atrevo-me a dizer: que os devia acolher, se a conduta após o novo casamento for exemplar, e educarem os filhos segundo as recomendações do Senhor. Conheço sacerdotes, que são de igual parecer.

Parece-me erro crasso não os acolher no seio da Igreja, porque cada um vale o que valer diante de Deus.

Por certo, o Senhor perdoará a quem se divorcie, se a consciência lhe disser que tudo fizeram para não se separarem.

Só Deus, na Sua infinita bondade, é que pode julgar as intenções e razões. Não os homens.

Jean Guitton [foto], em entrevista a revista francesa, disse que tinha receio do julgamento divino, mas confiava na Misericórdia infinita de Deus e, certamente, perdoaria a todos, mas não tinha certeza. 

O que parece impossível aos homens é possível a Deus. (Zac.8:6) - Lc.18:27.

Título e Texto: Humberto Pinho da Silva, julho de 2026

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