quinta-feira, 28 de maio de 2026

[Daqui e Dali] Cada terra com seu uso

Humberto Pinho da Silva

Estando no Brasil, numa cervejaria a conversar com amigos, escutei entre pareceres desfavoráveis ao nosso país – que era comum antes do euro circular em Portugal – que roubamos o ouro e enviamos durante décadas (séculos?) para Terras de Santa Cruz, perigosos criminosos. Razão por que ainda há tantos crimes na Pindorama...

Já se passaram largas décadas (mais de cinquenta), desde que desembarquei pela primeira vez no Galeão; mas, ainda recordo:  deparar com homens descalços a trabalharem na baixa histórica do Rio; e admirei-me ver acasteladas e degradadas favelas mirando, banhadas de sol escaldante, a turística e encantadora cidade.

Reparei igualmente, enquanto tomava as refeições, que a maioria dos comensais utilizava apenas o garfo, e a mão esquerda caída ao longo do tronco.

Recordei-me disso, porque ao folhear “Símbolos & Mitos", de Fidelino de Figueiredo, li que seu filho, ao visitar os Estados Unidos, verificou que os americanos se riam dele, da forma como comia.

Escreveu Fidelino: "Nos Estados Unidos fazia-o rir aquela maneira de comer tudo com o garfo destramente manejado, enquanto o antebraço caia ao longo da cadeira. No mesmo instante, os ianques ririam dele a comer com as duas mãos e os braços um pouco abertos, com os pulsos contra o rebordo da mesa. Uma vez surpreendeu dois criados negros a observá-lo com curiosidade por uma porta."

Certa ocasião, conversando com pastor luterano que se deslocara aos USA para angariar donativos, disse-me:

“Ao entrar em casa do empresário encontrei a família descalça, estirada no chão, a ver TV.

Contei-lhes ao que vinha. O chefe da família, sem se levantar, ergueu a voz:

‘Vai ao escritório. Na primeira gaveta da secretária, encontrarás dinheiro. Tira o combinado.’

Ao abrir a gaveta verifiquei, estupefacto, que estava repleta de dinheiro!...”

“No Brasil e em Portugal, quem acreditaria na honradez de sacerdote, a ponto de deixá-lo mexer numa gaveta com milhares de dólares!?... “concluiu o pastor,

Tomás Aquino, ainda menino, foi enganado por frade com mentirinha inocente, troçando da inocência do rapazinho. Retrucou magoado, Aquino:

" O que me admira, é que um frade minta!"

Na América ainda há quem pense que o sacerdote, que acredita em Deus e no Seu Filho, Jesus Cristo, não mente, nem rouba!...

Título e Texto: Humberto Pinho da Silva, maio de 2026  

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