A rede social X, propriedade de Elon Musk, aceitou ajudar o governo britânico a reprimir o chamado ‘discurso de ódio’ online, sob pressão da Ofcom, o pidesco regulador dos media e das comunicações do Reino Unido
Paulo Hasse Paixão
A Ofcom anunciou na
sexta-feira que o acordo inclui o compromisso por parte da plataforma de Musk
de rever e avaliar pelo menos 85% das denúncias de “conteúdo de ódio” relatadas
através de uma “ferramenta dedicada de denúncia de conteúdo ilegal no Reino Unido”,
a cada 48 horas. O X deve também consultar “especialistas” em relação aos
sistemas de denúncia de “ódio ilegal” e “enviar dados de desempenho à Ofcom
trimestralmente” para avaliar a sua conformidade.
We have accepted X’s public commitments to bring in new protections to tackle illegal hate and terror content.
— Ofcom (@Ofcom) May 15, 2026
Read the full list of changes and our statement here 🔗 https://t.co/J5MR6pXbye pic.twitter.com/NjDetiq8m5
Oliver Griffiths, o diretor do Grupo de Segurança Online da Ofcom, comentou o acordo nestes termos:
“Estes compromissos são um
passo em frente, mas ainda há muito a ser feito. Agradecemos o apoio que
recebemos da sociedade civil e de outras organizações especializadas para
analisar estas plataformas, e continuaremos a trabalhar amplamente com elas
para impulsionar a mudança para as pessoas no Reino Unido.”
A Ofcom afirmou no seu anúncio
que “trabalhou com várias organizações para recolher provas sobre conteúdo
terrorista ilegal suspeito e discurso de ódio ilegal online, incluindo material
antissemita e antimuçulmano”, sendo algumas destas organizações altamente
controversas. Por exemplo, o HOPE Not Hate é um grupo financiado por
George Soros, conhecido por espalhar notícias falsas sobre ataques com ácido
contra muçulmanos e difamar os cépticos em relação à imigração, e o Tell MAMA
foi acusado de inflacionar os seus dados sobre alegados incidentes
anti-islâmicos.
A decisão da X de cumprir as
exigências da Ofcom representa um recuo significativo em relação ao compromisso
de Musk de tornar a plataforma X um bastião da liberdade de expressão após a
ter adquirido no final de 2022.
O caso britânico é
semelhante em tudo àquilo que sucedeu no Brasil. A plataforma que é
propriedade do autodenominado campeão do livre discurso foi interdita no
país sul-americano por se recusar a aceitar os mandatos censórios de um canalha
eleito por ninguém – Alexandre de Moraes.
Elon Musk fartou-se de
injuriar o juíz fascista. Mas, por que há sempre um ‘mas’ quando o dinheiro
entra violentamente no perímetro dos princípios, o Brasil é o sexto mercado
demográfico do mundo e Musk cedeu a
todas as exigências do tal pirata, que os brasileiros permitem que seja dono e
senhor daquilo que podem ou não podem dizer. Pagou multas milionárias,
denunciou – vergonhosamente – contas dissidentes, e cancelou outras (como a
do colunista do Contra, Marcos Paulo Candeloro), à vontade do freguês. Chegou até ao ponto caricato e
escandaloso de silenciar contas de congressistas democraticamente eleitos.
Liberdade de expressão, sim,
mas até certo ponto, só.
Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 18-5-2026

X Agrees to Review Illegal "Hate" Within 48 Hours Under UK Online Safety Act
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