segunda-feira, 18 de maio de 2026

Regime Starmer manda, Elon Musk obedece: X vai ajudar o governo britânico a combater o 'discurso de ódio'.

A rede social X, propriedade de Elon Musk, aceitou ajudar o governo britânico a reprimir o chamado ‘discurso de ódio’ online, sob pressão da Ofcom, o pidesco regulador dos media e das comunicações do Reino Unido

Paulo Hasse Paixão 

A Ofcom anunciou na sexta-feira que o acordo inclui o compromisso por parte da plataforma de Musk de rever e avaliar pelo menos 85% das denúncias de “conteúdo de ódio” relatadas através de uma “ferramenta dedicada de denúncia de conteúdo ilegal no Reino Unido”, a cada 48 horas. O X deve também consultar “especialistas” em relação aos sistemas de denúncia de “ódio ilegal” e “enviar dados de desempenho à Ofcom trimestralmente” para avaliar a sua conformidade.

Oliver Griffiths, o diretor do Grupo de Segurança Online da Ofcom, comentou o acordo nestes termos:

“Estes compromissos são um passo em frente, mas ainda há muito a ser feito. Agradecemos o apoio que recebemos da sociedade civil e de outras organizações especializadas para analisar estas plataformas, e continuaremos a trabalhar amplamente com elas para impulsionar a mudança para as pessoas no Reino Unido.”

A Ofcom afirmou no seu anúncio que “trabalhou com várias organizações para recolher provas sobre conteúdo terrorista ilegal suspeito e discurso de ódio ilegal online, incluindo material antissemita e antimuçulmano”, sendo algumas destas organizações altamente controversas. Por exemplo, o HOPE Not Hate é um grupo financiado por George Soros, conhecido por espalhar notícias falsas sobre ataques com ácido contra muçulmanos e difamar os cépticos em relação à imigração, e o Tell MAMA foi acusado de inflacionar os seus dados sobre alegados incidentes anti-islâmicos.

A decisão da X de cumprir as exigências da Ofcom representa um recuo significativo em relação ao compromisso de Musk de tornar a plataforma X um bastião da liberdade de expressão após a ter adquirido no final de 2022.

O caso britânico é semelhante em tudo àquilo que sucedeu no Brasil. A plataforma que é propriedade do autodenominado campeão do livre discurso foi interdita no país sul-americano por se recusar a aceitar os mandatos censórios de um canalha eleito por ninguém – Alexandre de Moraes.

Elon Musk fartou-se de injuriar o juíz fascista. Mas, por que há sempre um ‘mas’ quando o dinheiro entra violentamente no perímetro dos princípios, o Brasil é o sexto mercado demográfico do mundo e Musk cedeu a todas as exigências do tal pirata, que os brasileiros permitem que seja dono e senhor daquilo que podem ou não podem dizer. Pagou multas milionárias, denunciou – vergonhosamente – contas dissidentes, e cancelou outras (como a do colunista do Contra, Marcos Paulo Candeloro), à vontade do freguês. Chegou até ao ponto caricato e escandaloso de silenciar contas de congressistas democraticamente eleitos.

Liberdade de expressão, sim, mas até certo ponto, só.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 18-5-2026 

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