segunda-feira, 25 de maio de 2026

Renato Gaúcho fora? Derrota do Vasco para o Bragantino em São Januário escancara crise

Derrota do Vasco expõe problemas muito maiores que Renato Gaúcho

Alvaro Tallarico

Os gritos em São Januário depois do 3 a 0 para o Red Bull Bragantino resumem bem o momento do Vasco. O placar foi pesado, a atuação foi pior ainda e a sensação deixada em campo é de um time que parece cada vez mais limitado, vulnerável e sem respostas.

Mas reduzir toda a crise apenas a Renato Gaúcho seria simplificar demais um problema que vem sendo construído há meses.

Foto: Matheus Lima

O técnico tem culpa, claro. O Vasco continua sendo uma bagunça defensiva. A equipe sofre os mesmos problemas jogo após jogo, especialmente na bola aérea e na recomposição. São 11 gols sofridos nos últimos quatro jogos, um número absurdo para quem tenta se afastar da parte de baixo da tabela.

Renato teve tempo para trabalhar. Teve Data FIFA, teve semanas livres entre partidas do Brasileirão, poupou jogadores quando achou necessário e, ainda assim, o sistema defensivo nunca foi corrigido de verdade.

Só que existe um ponto impossível de ignorar: o elenco do Vasco é fraco. E mais do que fraco, é curto.

Qualquer desfalque minimamente relevante desmonta completamente o time. Falta peça, falta reposição e falta jogador pronto para assumir protagonismo. O Bragantino, por exemplo, vinha de empate contra o River Plate na Argentina com os titulares e ainda assim atropelou fisicamente o Vasco dentro de São Januário.

O contraste ficou evidente do início ao fim.

Janela ruim e decisões questionáveis pesam no momento do Vasco

A responsabilidade também precisa chegar na diretoria.

Pedrinho, Admar Lopes e os responsáveis pelo futebol precisam ser cobrados pelo planejamento da temporada e principalmente pela última janela de transferências. O clube deu carta branca para Fernando Diniz participar da montagem do elenco e hoje paga por decisões bastante questionáveis.

Jogadores como Saldivia e Brenner receberam contratos longos sem até agora justificarem o investimento dentro de campo. Enquanto isso, o time segue carente justamente nas posições mais importantes.

O Vasco virou uma equipe extremamente dependente de esforço individual, vontade e momentos pontuais de urgência. Quando isso não aparece, a diferença técnica fica escancarada.

E talvez o principal debate neste momento seja justamente esse: trocar o treinador resolveria alguma coisa?

Porque os defeitos de Renato Gaúcho são conhecidos. Falta repertório em alguns cenários, o time oscila demais e defensivamente segue vulnerável. Mas olhando para esse elenco atual, é difícil imaginar que exista solução simples apenas mudando quem está na área técnica.

O Vasco precisa urgentemente de reforços que cheguem para ser titulares na pausa da Copa. Não para compor elenco, mas para mudar o nível do time.

Sem isso, qualquer treinador continuará enxugando gelo em São Januário.

Pressão aumenta após atuação desastrosa contra o Bragantino

Dentro de campo, o Bragantino praticamente passeou no Rio de Janeiro. Rodriguinho, Pitta e Fernando marcaram os gols da vitória paulista, que poderia ter sido ainda maior caso Eduardo Sasha não desperdiçasse um pênalti.

O resultado deixou o Vasco a apenas dois pontos da zona de rebaixamento e aumentou ainda mais a pressão em torno do trabalho da comissão técnica.

O clima no vestiário explodiu após a derrota para o Bragantino. Incomodados com a atuação da equipe e com a postura dentro de campo, Thiago Mendes e Léo Jardim fizeram cobranças duras a dois companheiros logo depois do apito final.

No entanto, a discussão rapidamente subiu de tom, os ânimos ficaram exaltados e, segundo pessoas presentes no local, outros jogadores precisaram intervir para evitar que a situação terminasse em agressão física.

Nos bastidores, cresceram rumores de que Renato Gaúcho teria colocado o cargo à disposição após a partida.

A coletiva de Renato Gaúcho era esperada para às 23h, mas uma reunião interna se alongou e perto de 0h ainda não havia sinal do técnico.

Até que Thiago Mendes e Admar Lopes entraram para coletiva no lugar de Renato Gaúcho para preservá-lo.

Renato ficou sentido e chateado pelos copos que a torcida jogou nele e por ser chamado de covarde.

Título e Texto: Alvaro Tallarico, Vivente Andante, 24-5-2027

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