Derrota do Vasco expõe problemas muito maiores que Renato Gaúcho
Alvaro Tallarico
Os gritos em São Januário depois
do 3 a 0 para o Red Bull Bragantino resumem bem o momento do Vasco. O placar
foi pesado, a atuação foi pior ainda e a sensação deixada em campo é de um time
que parece cada vez mais limitado, vulnerável e sem respostas.
Mas reduzir toda a crise apenas a Renato Gaúcho seria simplificar demais um problema que vem sendo construído há meses.
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| Foto: Matheus Lima |
O técnico tem culpa, claro. O
Vasco continua sendo uma bagunça defensiva. A equipe sofre os mesmos problemas
jogo após jogo, especialmente na bola aérea e na recomposição. São 11 gols
sofridos nos últimos quatro jogos, um número absurdo para quem tenta se afastar
da parte de baixo da tabela.
Renato teve tempo para
trabalhar. Teve Data FIFA, teve semanas livres entre partidas do Brasileirão,
poupou jogadores quando achou necessário e, ainda assim, o sistema defensivo
nunca foi corrigido de verdade.
Só que existe um ponto
impossível de ignorar: o elenco do Vasco é
fraco. E mais do que fraco, é curto.
Qualquer desfalque minimamente
relevante desmonta completamente o time. Falta peça, falta reposição e falta
jogador pronto para assumir protagonismo. O Bragantino, por exemplo, vinha de
empate contra o River Plate na Argentina com os titulares e ainda assim
atropelou fisicamente o Vasco dentro de São Januário.
O contraste ficou evidente do início ao fim.
Janela ruim e decisões
questionáveis pesam no momento do Vasco
A responsabilidade também
precisa chegar na diretoria.
Pedrinho, Admar Lopes e os
responsáveis pelo futebol precisam ser cobrados pelo planejamento da temporada
e principalmente pela última janela de transferências. O clube deu carta branca
para Fernando Diniz participar da montagem do elenco e hoje paga por decisões
bastante questionáveis.
Jogadores como Saldivia e
Brenner receberam contratos longos sem até agora justificarem o investimento
dentro de campo. Enquanto isso, o time segue carente justamente nas posições
mais importantes.
O Vasco virou uma equipe
extremamente dependente de esforço individual, vontade e momentos pontuais de
urgência. Quando isso não aparece, a diferença técnica fica escancarada.
E talvez o principal debate
neste momento seja justamente esse: trocar o treinador resolveria alguma coisa?
Porque os defeitos de Renato
Gaúcho são conhecidos. Falta repertório em alguns cenários, o time oscila
demais e defensivamente segue vulnerável. Mas olhando para esse elenco atual, é
difícil imaginar que exista solução simples apenas mudando quem está na área
técnica.
O Vasco precisa urgentemente
de reforços que cheguem para ser titulares na pausa da Copa. Não para compor
elenco, mas para mudar o nível do time.
Sem isso, qualquer treinador
continuará enxugando gelo em São Januário.
Pressão aumenta após
atuação desastrosa contra o Bragantino
Dentro de campo, o Bragantino
praticamente passeou no Rio de Janeiro. Rodriguinho, Pitta e Fernando marcaram
os gols da vitória paulista, que poderia ter sido ainda maior caso Eduardo
Sasha não desperdiçasse um pênalti.
O resultado deixou o Vasco a
apenas dois pontos da zona de rebaixamento e aumentou ainda mais a pressão em
torno do trabalho da comissão técnica.
O clima no vestiário explodiu
após a derrota para o Bragantino. Incomodados com a atuação da equipe e com a
postura dentro de campo, Thiago Mendes e Léo Jardim fizeram cobranças duras a
dois companheiros logo depois do apito final.
No entanto, a discussão
rapidamente subiu de tom, os ânimos ficaram exaltados e, segundo pessoas
presentes no local, outros jogadores precisaram intervir para evitar que a
situação terminasse em agressão física.
Nos bastidores, cresceram
rumores de que Renato Gaúcho teria colocado o cargo à disposição após a
partida.
A coletiva de Renato Gaúcho
era esperada para às 23h, mas uma reunião interna se alongou e perto de 0h
ainda não havia sinal do técnico.
Até que Thiago Mendes e Admar
Lopes entraram para coletiva no lugar de Renato Gaúcho para preservá-lo.
Renato ficou sentido e
chateado pelos copos que a torcida jogou nele e por ser chamado de covarde.
Título e Texto: Alvaro
Tallarico, Vivente Andante, 24-5-2027
Vasco sofre goleada no Beira-Rio

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