sexta-feira, 29 de maio de 2026

Senado de Berlim decide que slogan “queimem os velhos homens brancos” não constitui crime de ódio

Paulo Hasse Paixão

Em setembro passado, o político do Partido Verde, Jakob Blasel, publicou no Instagram um vídeo de um protesto climático “Sair petróleo – Entrar do Futuro!”, em que uma jovem ativista segurava um cartaz que apelava para que se “queimem os velhos homens brancos”. Na altura, Blasel era o líder do movimento Juventude Verde. 

Apesar das múltiplas queixas apresentadas sobre o cartaz e o post, o Senado de Berlim defendeu-o, alegando, risivelmente, que não se dirigia a nenhum segmento específico da população.

Homens. Brancos. Velhos. Não são nenhum segmento específico da população?

Esta foi a resposta do Departamento do Interior do Senado a uma consulta escrita do representante da AfD, Marc Vallendar.

Segundo o Senado, o apelo representa uma crítica à atual política climática expressa de forma “exagerada e polémica”. Tais formulações são “em princípio” protegidas pelas liberdades de expressão e de reunião, desde que “claramente não visem a prática de crimes específicos”.

O cartaz, porém, apelava objetivamente à prática de um crime específico: a queima de velhos homens brancos.

Todas as investigações sobre o assunto, incluindo acusações de incitamento ao ódio, bem como de recompensa e conivência com crimes, foram arquivadas. No total, foram registadas nove queixas criminais em relação ao slogan, cinco das quais o Senado decidiu que poderiam ser avaliadas.

É importante sublinhar que o ContraCultura não defende qualquer tipo de restrição ao discurso, pelo que este texto não sugere que Blasel ou a activista fossem processados pela mensagem constante do cartaz. A questão fundamental aqui é esta: enquanto os conservadores e populistas, alemães em particular e europeus em geral, que por exemplo apontam dados estatísticos sobre a incidência assustadora de imigrantes nas estatísticas da criminalidade, são judicialmente processados e condenados a penas de prisão; a esquerda pode discriminar abertamente a população branca, com ameaças de morte até, sem que daí advenham quaisquer consequências.

Para além da tirania sobre o discurso, há aqui um outro pecado de inspiração totalitária: o da duplicidade de critérios em função da ideologia de cada cidadão.

E este não é de todo um caso isolado: Em 2024 a Antifa publicou nas redes sociais um cartaz que encorajava, preto no branco, actos de terrorismo contra políticos populistas. Não se conhecem consequências legais.

Em 2025, um autocolante com um alvo de arma de fogo sobre uma foto de Alice Weidel (a líder do AfD) foi  distribuído pela Juventude do Partido da Esquerda, em Hannover. Até à data, não houve notícia de repercussões.

Também no ano passado, Julia Probst, vereadora do Partido Verde, publicou uma sondagem no X em que perguntava aos seus seguidores se concordariam em doar um órgão a um eleitor do AfD, sugerindo implicitamente que tal doação seria vergonhosa. E Hanna Schiller, uma estudante de arte acusada de tentativa de homicídio e de pertencer ao infame grupo de extrema-esquerda “Hammer Gang”, foi galardoada com o 27º Prémio Federal para Estudantes de Arte.

E isto num país em que uma simples publicação na rede social X, que qualificava políticos e funcionários públicos em geral como “parasitas”, levou a uma medonha operação de repressão policial contra um cidadão comum, e em que um engenheiro civil foi preso depois de acusar uma líder regional do SPD de ser “contadora de histórias.”

Título e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 29-5-2026 

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