Paulo Hasse Paixão
Em setembro passado, o político do Partido Verde, Jakob Blasel, publicou no Instagram um vídeo de um protesto climático “Sair petróleo – Entrar do Futuro!”, em que uma jovem ativista segurava um cartaz que apelava para que se “queimem os velhos homens brancos”. Na altura, Blasel era o líder do movimento Juventude Verde.
Apesar das múltiplas queixas
apresentadas sobre o cartaz e o post, o Senado de Berlim defendeu-o, alegando, risivelmente, que não se dirigia a nenhum
segmento específico da população.
Homens. Brancos. Velhos. Não
são nenhum segmento específico da população?
Esta foi a resposta do
Departamento do Interior do Senado a uma consulta escrita do representante da
AfD, Marc Vallendar.
Segundo o Senado, o apelo
representa uma crítica à atual política climática expressa de forma “exagerada
e polémica”. Tais formulações são “em princípio” protegidas pelas liberdades de
expressão e de reunião, desde que “claramente não visem a prática de crimes
específicos”.
O cartaz, porém, apelava objetivamente
à prática de um crime específico: a queima de velhos homens brancos.
Todas as investigações sobre o assunto, incluindo acusações de incitamento ao ódio, bem como de recompensa e conivência com crimes, foram arquivadas. No total, foram registadas nove queixas criminais em relação ao slogan, cinco das quais o Senado decidiu que poderiam ser avaliadas.
🇩🇪🔴"Burn the old white men."
— Remix News & Views (@RMXnews) May 28, 2026
Last September, Green Party politician Jakob Blasel posted a video on Instagram of a Fridays for Future climate protest, which featured a demonstrator holding a racist and ageist sign that read: "Burn the old white men."
Blasel shared this hateful… pic.twitter.com/EvnRFYN0GU
É importante sublinhar que o
ContraCultura não defende qualquer tipo de restrição ao discurso, pelo que este
texto não sugere que Blasel ou a activista fossem processados pela mensagem
constante do cartaz. A questão fundamental aqui é esta: enquanto os conservadores
e populistas, alemães em particular e europeus em geral, que por exemplo
apontam dados estatísticos sobre a incidência assustadora de imigrantes nas
estatísticas da criminalidade, são judicialmente processados e condenados a
penas de prisão; a esquerda pode discriminar abertamente a população branca,
com ameaças de morte até, sem que daí advenham quaisquer consequências.
Para além da tirania sobre o
discurso, há aqui um outro pecado de inspiração totalitária: o da duplicidade
de critérios em função da ideologia de cada cidadão.
E este não é de todo um caso
isolado: Em 2024 a Antifa publicou nas
redes sociais um cartaz que encorajava, preto no branco, actos de terrorismo
contra políticos populistas. Não se conhecem consequências legais.
Em 2025, um autocolante com um
alvo de arma de fogo sobre uma foto de Alice Weidel (a líder do AfD)
foi distribuído pela
Juventude do Partido da Esquerda, em Hannover. Até à data, não houve notícia de
repercussões.
Também no ano passado, Julia
Probst, vereadora do Partido Verde, publicou uma
sondagem no X em que perguntava aos seus seguidores se concordariam em doar um
órgão a um eleitor do AfD, sugerindo implicitamente que tal doação seria
vergonhosa. E Hanna Schiller, uma estudante de arte acusada de tentativa de
homicídio e de pertencer ao infame grupo de extrema-esquerda “Hammer Gang”,
foi galardoada com
o 27º Prémio Federal para Estudantes de Arte.
E isto num país em que uma
simples publicação na rede social X, que qualificava políticos e funcionários
públicos em geral como “parasitas”, levou a
uma medonha operação de repressão policial contra um cidadão comum, e em que um
engenheiro civil foi preso depois de acusar uma líder regional do SPD de ser “contadora de
histórias.”
Título e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 29-5-2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-