Paulo Hasse Paixão
Em retaliação face ao bombardeamento de um dormitório
universitário em Starobilsk, que matou 18 estudantes, a Rússia utilizou mísseis
hipersónicos Oreshnik naquele que está a ser classificado como o maior ataque
balístico na região de Kiev desde o início da guerra, que fez pelo menos quatro
mortos
O Oreshnik, que pode
transportar múltiplas ogivas convencionais ou nucleares, é um míssil de alcance
intermédio cuja velocidade (mais de 10 Mach) e trajetória impossibilitam a
detecção e intercepção por parte dos sistemas de defesa aérea disponíveis na
Ucrânia (ou em qualquer outro lugar no mundo, na verdade). Esta foi apenas a
terceira vez que a Rússia utilizou o míssil. O potencial de destruição dos
Oreshnik é de tal forma alto que não precisam sequer de transportar explosivos
nas ogivas – o impacto cinético é por si só devastador. Mas não é ainda claro
se Moscovo lançou os mísseis com ogivas inertes ou convencionais, embora o
ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, tenha afirmado
que pelo menos um míssil transportava uma ogiva inerte.
O presidente ucraniano,
Volodymyr Zelensky, afirmou que um dos misseis caiu perto da cidade de Bila
Tserkva, no centro da Ucrânia, acrescentando:
“Estão completamente fora
de si. É vital que a Rússia não fique impune. Infelizmente, nem todos os
mísseis balísticos foram abatidos. Kiev foi a cidade mais atingida, e o
principal alvo deste ataque russo.”
Olvidando o ataque ucraniano
que deu origem à retaliação russa, Kaja Kallas, a insuportável chefe da
diplomacia da União Europeia, afirmou:
“O uso de mísseis balísticos de alcance intermédio Oreshnik por Moscovo – sistemas concebidos para transportar ogivas nucleares – é uma táctica política de intimidação e uma imprudência que coloca a Rússia em risco nuclear.”
Não por acaso, passa-se exatamente
o contrário do que diz a infeliz. As políticas europeias em relação à guerra na
Ucrânia é que estão a colocar a Europa “em risco nuclear”.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
25-5-2026
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Ameaça a Kiev
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