Aparecido Raimundo de Souza
O meu ontem
Ficou no passado
Morto, enterrado...
O meu agora,
Não existe
Se fez acabado.
Virei vida inútil
Um sujeito vazio e fútil,
“decadenciado”.
NADA ALÉM
De súbito,
vi você
num repente,
e, de repente,
meu coração se alegrou...
foi um instante envolvente,
mas também inconsequente;
você partiu... me abandonou
PREMATURO
Daquele ontem sem vida
restou a saudade;
uma saudade fria, incoerente, sofrida...
e essa mesma saudade
por puro azar, o meu peito invadiu.
O coração, coitado! Não resistiu,
parou de bater, cansou de sofrer,
tamanha se fez a adversidade.
INCONSEQUENTE
Queria lhe ver de novo
ao meu lado, me amando,
calar a boca desse povo
que só vê você e em você,
o nosso amor desprezando...
De outra feita, seu orgulho me jogando pra baixo,
como se eu não fosse ninguém...
Cá entre nós, às vezes também acho;
eles estão certos, por certo, meu bem...
EM CONTRÁRIO
Às vezes penso:
se restasse apenas
uma lembrança do meu passado;
acredito que sobreviveria...
Contudo, de tudo,
por tudo, a mais cruel nostalgia
certamente, aos poucos,
“todo o meu ser” todo ele, me sufocaria...
SEM EIRA, NEM BEIRA
O que eu fiz da minha vida?
Perdi tudo e aqui estou...
Minha estrada se fez perdida;
tudo o que me restou, se acabou
BEM ASSIM...
Daquele “ontem” sem vida,
restou a triste saudade!
Essa maldita que me invadiu
o coração... num salto...
Bem sei, ele não suportará,
tamanha e degradante
se fez a adversidade
que dentro em breve
e, aos goles poucos,
me aniquilará...
FIM DA LINHA
Perdi a noção de ser gente
na busca de outros caminhos...
acabei velho e doente;
ao meu redor, só espinhos.
PASSAGEIRA
Você
chegou
de repente...
vindo
do nada
e eu, sorri
de felicidade
e encantamento...
Contudo,
do nada, você se foi
e, ainda agora,
aqui estou preso,
preso e amarrado.
nessa saudade enorme
que você deixou
largada...
contudo, bem sedimentada
no meu sofrimento...
QUADRO NOSTÁLGICO
Eu sou a saudade
que você deixou
na hora amarga
do seu adeus...
Sou o “TUDO”
Que restou do “NADA”;
as lágrimas dos meus
e dos olhos seus...
PEDIDO
Vai, me leva pra casa,
quero ser o seu amor.
A minha imaginação,
só de pensar, cria asas;
apesar do seu desamor...
Porém, não sou de desistir
nem de entregar os pontos...
um dia, você vai descobrir:
somos dois seres “velhos e tontos”.
FUNESTO
Amar, amar,
amar, amar, eternamente;
amar até os nossos corações, descompassados,
ambos fora de si e extasiados,
se sentirem cansados;
“por tudo que nos deixou cegos de amor
num amar tresloucadamente envolvente...”
E, logo depois, logo depois, de novo,
de novo, amar, amar, amar,
e deixar que eles parem de bater
do nada, num “de repente”,
levados pelas loucuras insanas
desse nosso gostar,
desse nosso gostar inconsequente...
EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA:
Não sou poeta, nem tenho, ou melhor, nunca tive a intenção de viver da poesia. Essas minhas “divagações”, aqui trazidas, não são poesias. Apenas simplórias palavras ao sabor de um coração solitário em busca de mim mesmo.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, ES, 10-7-2026
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