Altair Alves
Mais de um mês sem disputar
uma partida oficial foi suficiente para o Vasco atravessar um dos períodos mais
conturbados da temporada. Durante a paralisação para a Copa do Mundo, o Clube
acumulou mudanças profundas nos bastidores.
As principais delas foram a
demissão do técnico Renato Gaúcho, uma intervenção judicial na SAF, o
afastamento e posterior retorno de Pedrinho ao comando da empresa, além de
negociações frustradas, disputas políticas e reformulações no elenco.
Agora, com o fim da pausa, o Cruzmaltino volta a disputar o Campeonato Brasileiro nesta quinta-feira (16), diante do Vitória, em Salvador, tentando deixar para trás semanas de instabilidade administrativa e esportiva.
Queda de rendimento
culminou na saída de Renato Gaúcho
O Vasco iniciou o período que
antecedeu a paralisação buscando se afastar da parte inferior da tabela do
Brasileirão. Apesar de uma breve reação sob o comando de Renato Gaúcho, a
equipe voltou a oscilar e encerrou a sequência de jogos na zona de rebaixamento
após derrota para o Atlético-MG, em São Januário.
Pouco antes da reapresentação do elenco, a diretoria decidiu demitir o treinador. A avaliação interna apontava desgaste no relacionamento entre a comissão técnica e os jogadores, provocado por críticas públicas feitas pelo treinador, além de divergências sobre métodos de treinamento e decisões adotadas durante as partidas.
Intervenção judicial
paralisou o planejamento
Quando jogadores e
funcionários retornaram das férias, o clube tinha como prioridade contratar um
novo treinador e reforçar o elenco. As negociações por nomes para o comando
técnico avançavam, assim como a tentativa de fechar a contratação do meia
Nelson Deossa.
Entretanto, no dia 22 de
junho, uma decisão judicial mudou completamente o cenário. A Justiça concedeu
liminar favorável à 777 Partners, afastando Pedrinho da presidência da SAF e
nomeando Samantha Longo, ex-advogada da CBF, como interventora.
A medida desencadeou uma crise
institucional que afetou diretamente o departamento de futebol. Negociações por
reforços, o planejamento esportivo e até as conversas para a venda da SAF ao
empresário Marcos Lamacchia sofreram impactos.
No mesmo período, a gestão
também enfrentou um racha político interno. Quatro integrantes da administração
do Clube foram exonerados, enquanto Pedrinho afirmou que havia pessoas
trabalhando nos bastidores para inviabilizar a negociação da SAF.
Investidores se
manifestaram e condicionaram negócio
Após o afastamento de
Pedrinho, Marcos Lamacchia e José Roberto Lamacchia falaram publicamente pela
primeira vez sobre o interesse em adquirir o futebol vascaíno. Os empresários
revelaram que as tratativas vinham sendo conduzidas desde 2024 e afirmaram existir
um entendimento para a compra da SAF.
Apesar disso, deixaram claro
que o investimento dependeria do retorno de Pedrinho ao comando da empresa.
Eles também acusaram antigos integrantes da gestão de atuarem contra a
negociação e em favor da 777 Partners.
A situação mobilizou
torcedores, que organizaram manifestações presenciais e nas redes sociais
defendendo tanto a venda da SAF quanto a volta de Pedrinho à administração.
Busca por treinador
esbarrou na instabilidade
Enquanto a disputa judicial
seguia em andamento, o diretor executivo Admar Lopes tentou manter o
planejamento esportivo. Porém, a insegurança institucional dificultou as
conversas com possíveis treinadores.
As negociações por Franclim
Carvalho e, posteriormente, Fernando Seabra acabaram não avançando justamente
pelo cenário de instabilidade vivido pelo Gigante da Colina.
Pouco depois, Samantha Longo
renunciou ao cargo de interventora alegando motivos de segurança. Na sequência,
a magistrada responsável pelo caso declarou suspeição, e o processo passou a
ser conduzido provisoriamente por outro juiz, prolongando o ambiente de
incerteza.
Justiça devolveu comando da
SAF a Pedrinho
No início de julho, o Vasco
recorreu da decisão que havia afastado Pedrinho, argumentando que a intervenção
provocava uma paralisação institucional que comprometia o futebol. O cClube
informou, inclusive, que negociações com o atacante Gabriel Pec foram prejudicadas
durante esse período. O jogador acabou acertando sua transferência para o
Cruzeiro.
Além da manifestação oficial
do Vasco, um grupo formado por 106 conselheiros divulgou um documento em apoio
ao retorno de Pedrinho e favorável à venda da SAF.
A reviravolta ocorreu poucos
dias depois, quando o desembargador César Cury revogou a liminar, encerrou a
intervenção judicial e autorizou a volta de Pedrinho ao comando da SAF.
Após reassumir a gestão, o
dirigente agradeceu publicamente à família Lamacchia pelo apoio durante o
período de crise e retomou as negociações por reforços. A prioridade passou a
ser a contratação de um zagueiro, um meia, um atacante de velocidade e um centroavante.
Novo técnico e mudanças no
elenco
A principal alteração no
departamento de futebol aconteceu no comando da equipe. O Vasco oficializou a
contratação do português Pedro Emanuel, de 51 anos, que chega após trabalhar
nas últimas temporadas no futebol do Oriente Médio. O treinador já iniciou os
trabalhos com o elenco e terá a missão de conduzir a reação da equipe no
restante da temporada.
No grupo de jogadores, Matheus
França encerrou seu período de empréstimo e retornou ao Crystal Palace,
enquanto Hugo Moura foi negociado com o Al-Fayha, da Arábia Saudita.
Até o momento, a única
contratação anunciada é a do lateral-esquerdo Paulinho, que havia assinado
pré-contrato com o clube após deixar o América-MG.
Foco agora é a recuperação
na temporada
Com a crise institucional
parcialmente superada, o Vasco busca acelerar a chegada de reforços e recuperar
o tempo perdido durante o período de indefinição administrativa. Paralelamente,
a negociação para a venda da SAF segue como uma das principais pautas da
diretoria.
Dentro de campo, o desafio
será imediato. A equipe retorna ao Campeonato Brasileiro ocupando a zona de
rebaixamento e ainda terá compromissos importantes pela Copa Sul-Americana e
pela Copa do Brasil.
O primeiro deles será nesta
quinta-feira, contra o Vitória, em Salvador. Na sequência, o Cruzmaltino
enfrenta o Independiente Medellín, pela Sul-Americana, além de Mirassol e
Chapecoense pelo Brasileirão. Em agosto, o Clube encara o Fluminense nas oitavas
de final da Copa do Brasil, repetindo o confronto da semifinal da edição
passada.
Título e Texto: Altair Alves, Vasco Notícias, 13-7-2026

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