sexta-feira, 24 de julho de 2026

Distopia do Reino Unido: Oxford e Cambridge excluem estudantes brancos da classe trabalhadora

Paulo Hasse Paixão

As universidades de Oxford e Cambridge, em Inglaterra, estão a atribuir bolsas de estudo orientadas para a diversidade que excluem os estudantes brancos da classe trabalhadora, confirmando as suspeitas sobre um sistema académico racista e oligárquico, de duplo critério 

Um estudo sobre os Resultados Educativos da Classe Trabalhadora Branca verificou que as universidades mais prestigiadas de Inglaterra, Oxford e Cambridge, oferecem mais de uma dezena de bolsas de estudo e ajudas financeiras dirigidas a estudantes negros, asiáticos e de minorias étnicas (BAME), ao mesmo tempo que excluem, em grande parte, os estudantes brancos da classe trabalhadora. 

Exemplos citados pelos investigadores incluem a Bolsa Stormzy de Cambridge e vários programas de financiamento de Oxford reservados para grupos étnicos específicos, enquanto as mulheres brancas da classe trabalhadora parecem ser elegíveis para apenas dois programas de diversidade de Oxford e Cambridge, e os homens brancos da classe trabalhadora para apenas um.

Oxford oferece uma bolsa anual não reembolsável até cerca de 8.300 dólares para estudantes britânicos de famílias com baixos rendimentos, enquanto a Bolsa Stormzy de Cambridge oferece cerca de 27.000 dólares por ano, mas o estudo concluiu que as crianças brancas da classe trabalhadora estão entre as mais desfavorecidas do sistema educativo de Inglaterra.

Suella Braverman, do partido Reform UK de Nigel Farage, defendeu que os programas de bolsas de estudo baseados na raça devem ser substituídos por apoios baseados na desvantagem socioeconômica, em vez da etnia, afirmando:

“Se Oxford e Cambridge querem fazer jus à sua orgulhosa história de meritocracia, devem acabar imediatamente com estes programas racialmente discriminatórios e julgar as pessoas pelos seus talentos, e não pela cor da pele.”  

A exclusão dos estudantes brancos da classe trabalhadora destes programas de diversidade gerou acusações de uma “sociedade académica de duas classes” e pedidos para que as universidades acabem com os programas racialmente discriminatórios.

Na semana passada, o líder do partido Reform UK, Nigel Farage, alertou que “as crianças brancas estão a ser doutrinadas… são levadas a sentir-se, francamente, como seres inferiores” nas escolas e universidades, devido à ideologia de diversidade, equidade e inclusão (DEI) promovida pelo Estado britânico e pela comunidade académica.

E o racismo contra os jovens nativos brancos no Reino Unido transcende o âmbito universitário. Como o Contra documentou em Junho, um programa escolar inglês que ensina teorias raciais controversas, incluindo a afirmação de que apenas as pessoas brancas podem ser racistas, gerou reações negativas por parte dos pais e de vários sectores da sociedade britânica. Durante os governos do Partido Conservador que antecederam o atual. governo do Partido Trabalhista, o Sindicato Nacional da Educação promoveu ensinamentos semelhantes, incluindo a introdução de conceitos de “Privilégio Branco” para crianças de apenas cinco anos de idade.

Novos dados revelaram, entretanto, que os rapazes brancos da classe trabalhadora estão a ficar para trás em todo o sistema educativo britânico, tornando-os o grupo mais desfavorecido do país.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 24-7-2026 

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