Mandados foram cumpridos em cinco cidades fluminenses. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de advogados, servidores públicos e uma organização criminosa suspeita de fraudes eletrônicas e vazamento de informações sigilosas
Bruna Castro
A Polícia Federal deflagrou, na terça-feira, 21 de julho, a Operação Infiltrados, contra uma organização criminosa suspeita de desviar aproximadamente R$ 45 milhões de contas de correntistas e beneficiários da Caixa Econômica Federal.
A investigação aponta que o
esquema teria contado com a participação de advogados, servidores públicos e
contraventores. Segundo a PF, parte dos envolvidos atuaria para dificultar as
investigações, corromper agentes públicos e fornecer informações sigilosas aos
integrantes da organização criminosa.
Cerca de 120 policiais
federais participaram da operação, realizada com o apoio do Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal,
o Gaeco/MPF.
Inicialmente, foram expedidos 25 mandados de busca e apreensão em sete municípios. No Estado do Rio, as diligências ocorreram na capital, em Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e Cabo Frio. Também houve buscas nas cidades de Indaiatuba e Salto, no interior paulista.
Durante o cumprimento das
ordens judiciais, outros três mandados de busca e apreensão foram autorizados
pela Justiça Federal. Um deles foi cumprido em um escritório de
advocacia localizado no Centro do Rio. As outras buscas ocorreram em
residências situadas em Duque de Caxias e Cabo Frio.
Fraudes eletrônicas e
informações privilegiadas
De acordo com a Polícia
Federal, os investigados teriam utilizado o acesso indevido a dados sigilosos e
a realização de fraudes eletrônicas para retirar recursos das contas das
vítimas.
A organização também teria
montado uma estrutura destinada a proteger o esquema e antecipar ações das
autoridades. Advogados e servidores públicos são suspeitos de acompanhar o
andamento de investigações, repassar informações privilegiadas e embaraçar eventuais
apurações.
Segundo a CNN,
investigações apontam ainda a participação de contraventores, que teriam
fornecido suporte ao grupo, facilitado a corrupção de servidores e contribuído
para a contratação de advogados encarregados de integrar a rede de proteção da
organização.
Segundo a PF, o objetivo dessa
estrutura seria impedir que as fraudes fossem descobertas e garantir o acesso
contínuo a informações protegidas.
Os investigados poderão
responder pelos crimes de organização criminosa, obstrução da Justiça e
violação de sigilo funcional, além de outros delitos que eventualmente sejam
identificados com o avanço das investigações.
Até o momento, a Polícia
Federal não divulgou oficialmente os nomes dos alvos. O espaço permanece aberto
para a manifestação dos investigados e de suas defesas.
Título e Texto: Bruna
Castro, Diário
do Rio, 22-7-2026

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