sexta-feira, 31 de julho de 2026

Anthony Fauci deixa à posteridade um legado infame, depois de invocar a Quinta Emenda mais de cem vezes numa audiência no Senado

Paulo Hasse Paixão 

Anthony Fauci recusou responder às perguntas do Senado sobre as origens da COVID-19 na quarta-feira, alegando proteção legal ao abrigo da Quinta Emenda, de que não pode usufruir por ter sido perdoado por Joe Biden 

O ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), Anthony Fauci, invocou os seus direitos contra a autoincriminação ao abrigo da Quinta Emenda, durante uma audiência no Senado dos EUA, liderada pelo senador Rand Paul (republicano do Kentucky) na quarta-feira, recusando-se a responder a todas as perguntas que lhe foram dirigidas, após afirmar que temia que o seu depoimento pudesse ser utilizado num processo judicial por perjúrio.

Fauci disse que já tinha testemunhado sob juramento perante o Congresso em várias ocasiões e argumentou que os repetidos apelos de Paul para que fosse processado não lhe deixaram outra escolha senão permanecer em silêncio, seguindo o conselho dos seus advogados. No entanto, como o ex-presidente Joe Biden já lhe tinha concedido um perdão geral, Rand Paul e juristas que entretanto se pronunciaram sobre o silêncio de Fauci acreditam que a Quinta Emenda não lhe permite recusar responder a perguntas e afirmou que enfrentará uma votação para o considerar em desobediência ao Congresso.

Adivinhando a intenção do médico, Rand Paul afirmou no início da audiência:

“Um perdão pode proteger uma pessoa de um processo criminal. Não reescreve a história. Não apaga documentos. Não transforma uma afirmação enganadora em verdadeira. Haverá outra pandemia, haverá outra crise, e haverá novamente autoridades que insistirão que a incerteza deve ser ocultada para o bem público. Elas exigirão obediência. Invocarão a ciência, ‘Eu sou a ciência’, como se fosse um mandamento. Argumentarão que as autoridades governamentais não podem ser questionadas porque questioná-las minaria a confiança pública. Estão enganados. É o secretismo que destrói a confiança. É a arrogância que destrói a confiança. É a censura que destrói a confiança. É a recusa em admitir o erro que destrói a confiança. Esta perda de confiança pode ser o seu [de Fauci] legado mais prejudicial. A confiança não pode ser imposta. Ela precisa de ser conquistada. Nenhum cientista está acima do escrutínio, nenhum funcionário público está acima da responsabilidade e nenhum funcionário público tem o direito de tratar o sofrimento de milhões de americanos como uma nota de rodapé na sua versão preferida da história.”

Posteriormente, Paul defendeu que o uso da Quinta Emenda por Fauci para evitar perguntas foi inadmissível, uma vez que o perdão de Biden já o protegia de um processo judicial, advertindo:

“É ilegal obstruir uma investigação do Congresso. Haverá consequências pela sua recusa em depor”.

O professor de Direito da Universidade de Nova Iorque, Ryan Goodman, afirmou a este propósito:

“É curioso pensar nesta estratégia jurídica e porque decidiram cumpri-la. Porque Fauci não corre risco criminal pelo perdão. Muito provavelmente, foi perdoado por todas as ações anteriores a janeiro de 2025. Mas isso também significa que é obrigado a testemunhar. É assim que os procuradores usam a imunidade ou o perdão. Agora é obrigado a depor porque não tem responsabilidade criminal… Portanto, invocar a Quinta Emenda significa que pode ser considerado em desobediência. Teoricamente, pelo menos, o Departamento de Justiça poderá processá-lo por não responder quando não está realmente a enfrentar uma acusação criminal.”

A audiência tornou-se polémica quando Paul e outros senadores insistiram em disparar perguntas na direção de Fauci, algumas delas propositadamente triviais como a cor da gravata que trazia o inquirido, obrigando-o a repetir inúmeras vezes a ladainha que os seus advogados o condicionaram a pronunciar. Um desses advogados foi retirado à força pelos seguranças após repetidas tentativas de perturbação da audiência. Não por acaso, este advogado a que Fauci recorreu para ir fazer a figura que fez no Capitólio é famoso (ou infame) precisamente por defender políticos corruptos e criminosos de colarinho branco de alto perfil, nos Estados Unidos.

O senador Paul citou durante a audiência mais de mil páginas dos diários de Fauci durante a pandemia, que ele, estranhamente, tinha deixado nos servidores governamentais, alegando que contradiziam as suas declarações públicas e mostrando que considerou em privado a possibilidade de a COVID-19 ter tido origem no laboratório de Wuhan, na China.

Os escritos de Fauci provam que ele inicialmente manteve a mente aberta tanto para uma transmissão natural como para uma fuga de laboratório, antes de insistir posteriormente que a transmissão natural de animais para humanos era a explicação mais provável.

Os senadores republicanos, incluindo o senador Josh Hawley (R-MO), criticaram a recusa de Fauci em depor, enquanto os deputados democratas o defenderam, argumentando que a audição tinha como objetivo incriminá-lo. Mas a estrela da audiência foi o senador Bernie Moreno (R-OH) que proporcionou à plateia global dez minutos de consolação, ao confrontar brutalmente Fauci com as suas ações e colocando-o numa situação realmente difícil, apesar do seu silêncio ou precisamente por causa dele, chegando ao ponto de lhe perguntar a propósito das decisões draconianas que tomou e da nefasta influência que exerceu no governo federal americano:

“Who the fuck do you think you were?”

Até porque se tudo o que Fauci fez foi em nome da ciência e da saúde pública, que necessidade tinha de um perdão presidencial (ou de aceitar ser perdoado) e porque raio é que não respondeu simplesmente às perguntas que lhe foram colocadas?

Como Tucker Carlson ressalva num vídeo que publicou dedicado ao assunto, Fauci passou os anos da pandemia a fazer tudo o que lhe era possível para contrariar a Primeira Emenda da Constituição americana, encorajando a censura, ridicularizando e perseguindo a dissidência e influenciando a imprensa corporativa no sentido de obliterar qualquer objecção à sua narrativa, que hoje sabemos em tudo fraudulenta, da origem da Covid à eficácia das máscaras, da necessidade dos confinamentos e do fecho de escolas à segurança das vacinas. Mas quando quis proteger-se do justo inquérito sobre a sua atividade luciferina usou a Quinta Emenda da mesma Constituição, agora sagrada para ele, que passou anos a desrespeitar. É de uma desfaçatez incrível.

Seja como for, a verdade é que nada vai acontecer a Fauci pelos crimes contra a humanidade que cometeu e muito do que se passou na audiência de quarta-feira não passou de costumeiro teatro político, como muito bem ressalva Matt no post em baixo. Isso é certo, porque é este o ponto a que chegou a civilização ocidental. Mas da humilhação pública já ninguém o salva. E o seu legado resume-se agora à invocação da Quinta Emenda como forma de escapar à justiça. E dessa enorme e negra nódoa curricular já não vai a tempo de se limpar.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 31-7-2026

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