Henrique Pereira dos Santos
Como a generalidade das
pessoas, ligo pouco ao que fazem, e menos ainda ao que dizem, os sindicatos,
organizações que estão tão desligadas dos trabalhadores que a anterior
Secretária Geral da CGTP era uma senhora que toda a sua vida profissional se
limitava a funcionária sindical.
Achei curioso um título sobre os quatro dias de greve convocados pelo Sindicato dos Técnicos da Migração numa semana em que há uma greve geral à quarta feira e um feriado à quinta, que resolvi ver a notícia para saber que greve era essa.
É uma greve à segunda, terça,
quarta (o dia da greve geral), interrompe à quinta (feriado) e retoma a
sexta-feira, num princípio de junho de tempo ameno.
Ri-me, naturalmente, da
caricatura em que os funcionários dos sindicatos estão a transforma o movimento
operário e iria passar à frente quando reparei nas reivindicações que
justificavam os quatro dias de greve:
“crescente degradação das condições de trabalho e o aumento da pressão sobre os trabalhadores, sem o correspondente reforço de meios humanos e técnicos” e “preocupação com o recurso ao ‘outsourcing’ em funções de elevada complexidade técnica, colocando em causa a qualidade do serviço público”.
Os funcionários dos sindicatos
vivem num mundo de fantasia em que, com milhares de migrantes dependentes do
seu trabalho, acham bem decretar quatro dias de greve com um feriado pelo meio,
isto é, ir uma semana para férias, com o argumento de que o trabalho é muito e
de que o Governo está a contratar trabalho externo porque o trabalho é muito.
Caros sindicalistas, tenho uma
notícia para vos dar.
Da mesma maneira que políticas
completamente irresponsáveis sobre migração acabaram em medidas anti-migração e
votações expressivas em quem defende excessos securitários como solução para os
problemas daí decorrentes, a ação sindical completamente irresponsável e
conduzida por um partido que tem três deputados como representação parlamentar
(e menos de 3% dos votos) vai, seguramente, desaguar numa revisão da legislação
sobre sindicalismo e greve de que os atuais funcionários sindicais vão, de
certeza, gostar muito pouco.
É uma questão de tempo e oportunidade política, camaradas.
Título e Texto: Henrique Pereira dos Santos, Corta-fitas,
1-6-2026

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