Karina Michelin
Uma revista que durante décadas se orgulhou de confrontar o poder agora se ajoelha diante dele. Em vez de fiscalizar as instituições, agora as sacraliza e ainda exige reverência - Nada mais abominável.
Ao transformar uma urna eletrônica em um “monumento à democracia”, a Veja promove a mais perigosa inversão de valores. Democracia não é um dogma nem uma religião - é o direito de questionar máquinas, governos, tribunais e qualquer instituição do Estado.
A urna eletrônica na capa da Veja e o artigo publicado parece mais uma peça de marketing nos moldes soviéticos, um objeto de adoração, um verdadeiro bezerro de ouro diante do qual o cidadão deve apenas se curvar. Questioná-la passa a ser tratado como blasfêmia - é a clara substituição do pensamento crítico pelo dogma político.
O jornalismo nasceu para desconfiar do poder e trazer ao conhecimento da sociedade aquilo que o sistema prefere manter oculto da população, não para canonizá-lo. Quando a Veja afirma que criticar uma tecnologia é um “desserviço às instituições”, ela passa a atuar oficialmente como guardiã da narrativa oficial do regime.
Esse é o aspecto mais
vergonhoso desta capa. Uma revista que, durante décadas, orgulhou-se de
confrontar o poder agora se ajoelha miseravelmente diante dele. A quem a Veja
serve? Ao jornalismo ou a esse regime nefasto instaurado no Brasil?
Título e Texto: Karina
Michelin, X,
1-8-2026, 11h37

COVID E A IMPRENSA
ResponderExcluirLi os editoriais e a reportagem do Wall Street Journal sobre os diários de Anthony Fauci e seu depoimento ao Senado. Independente da posição que cada um tenha sobre a origem da Covid ou sobre as políticas adotadas na pandemia, há um ponto que me parece inescapável: o papel da imprensa.
O jornal sustenta que revelam que a imprensa e jornalistas tinham uma relação de excessiva proximidade com Fauci, havendo os que deliberadamente queriam ajudá-lo a silenciar os críticos, como parte dos principais jornalistas e apresentadores dos Estados Unidos. Em vez da postura tradicional de ceticismo, que é a essência do bom jornalismo, muitos profissionais teriam assumido a função de validar uma narrativa oficial, tratando questionamentos científicos legítimos como desinformação ou teoria conspiratória.
O problema não está em um jornalista concordar com uma autoridade pública. O problema surge quando deixa de exercer sua função essencial: perguntar, desconfiar, confrontar versões e permitir que hipóteses plausíveis sejam debatidas. A IMPRENSA no Brasil fez igual ou pior.
A ciência avança pelo escrutínio, não pelo silêncio. E a imprensa cumpre sua missão quando protege o debate público, não quando escolhe quais perguntas podem ou não ser feitas.
As informações reveladas pelos diários podem deixar a maior lição institucional, que talvez não seja sobre Anthony Fauci, mas sobre o perigo de qualquer imprensa abandonar a crítica para tornar-se porta-voz do poder. Quando isso acontece, perde a ciência, perde a democracia e perde, sobretudo, a confiança do público.
Os recentes documentos divulgados pelo Senado americano talvez não tenham como principal personagem Anthony Fauci.
O verdadeiro protagonista é a imprensa. Qual jornal deu ampla divulgação à audiência de ontem? Onde está a Globo e o Jornal Nacional?
FOLHA, ESTADÃO, O GLOBO foram cúmplices acríticos das medidas de segregação das pessoas e destruição da atividade econômica: “A economia a gente vê depois!”. O jornalismo abandonou a atitude crítica que constitui sua razão de ser para assumir a defesa de uma narrativa oficial.
O problema nunca foi discutir a hipótese da origem laboratorial da Covid. O problema foi transformar sua mera discussão em tabu. Em ciência, hipóteses são examinadas; não são interditadas.
Em democracia, perguntas são respondidas; não são censuradas.
O jornalismo existe para submeter o poder ao escrutínio, jamais para blindá-lo.