Paulo Hasse Paixão
Zack Polanski, líder do Partido Verde do Reino Unido, partilhou uma ameaça de morte contra Nigel Farage na sua conta do Instagram, onde tem mais de 700 mil seguidores, apenas algumas semanas após o brutal assassinato de Ann Widdecombe, porta-voz do Reform UK para a imigração e justiça, num aparente ataque terrorista com motivações políticas
A publicação gerou indignação, sobretudo à luz do recente assassinato de Widdecombe, e porque Farage tem sido alvo de centenas de ameaças de morte e múltiplos ataques físicos ao longo dos anos. Tanto mais que o Ministério do Interior do governo trabalhista reduziu substancialmente o destacamento de segurança do líder do Reform.
Polanski apagou a publicação,
e o Partido Verde afirmou que “inequivocamente não apoia este tipo de mensagem
perigosa”, apesar de a ter partilhado. No entanto, até ao momento da
publicação, não foi emitido qualquer pedido de desculpas público. O Secretário
de Estado Sombra para os Assuntos Internos, Zia Yusuf, comentou:
“Zack Polanski publicou
para os seus 713 mil seguidores no Instagram a fotografia de um homem com uma
t-shirt a pedir a decapitação de Nigel Farage. Fazê-lo apenas duas semanas após
o assassinato da nossa amiga Ann é estarrecedor. Polanski está a incitar ao
assassinato. Isto deve ser tratado como tal pela polícia”.
O próprio Farage comentou a
publicação, afirmando:
“Se eu publicasse algo tão
incitador, esperaria ser preso, e Polanski também deveria.”
This is what Zack Polanski has just posted on his instagram.
— Nigel Farage (@Nigel_Farage) July 27, 2026
If I was to post anything as inciteful then I would expect to be arrested, and so should Polanski. pic.twitter.com/u1s25FQ38U
Para que fique claro, a
posição do ContraCultura é que ninguém deve ser preso por partilhar uma
mensagem estampada numa t-shirt, por muito ofensiva que seja, e o facto do
líder do Reform UK defender a repressão sobre a liberdade de expressão desta
forma não deixa de ser preocupante. É, porém, inequívoco que se fosse Farage a
publicar nas redes sociais uma mensagem visual ou verbal que sugerisse, mesmo
que subliminarmente, a decapitação de Keir Starmer ou Andy Burnham ou do
infeliz do Zack Polanski, cairia por certo o mundo em cima dele (incluindo o
aparelho judicial do estabelecimento britânico).
O episódio serve também para
elucidar lindamente as massas sobre o tipo de soluções finais que a extrema-esquerda
europeia defende para lidar com os seus adversários políticos.
Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 27-8-2026

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