Claudio Dantas
O Brasil é governado por uma Junta Cívico-Jurídica que tem como expoentes Lula, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Um consórcio autoritário que submete a todos, inclusive a imprensa que o apoia deliberadamente e por interesses mesquinhos.
Essa Junta destruiu a Lava Jato e
sufocou um movimento político de massa de origem popular, legítimo e
democrático. Acusado de radicalismo, por mera questão de forma e não de
conteúdo, esse movimento amadureceu e agora entrega um candidato adaptado à forma.
Mesmo apanhando todo dia dessa mesma
imprensa, Flávio e seus aliados absorvem acusações falsas e críticas
desonestas; e ainda mantêm o diálogo com todos. Da última vez que esteve no meu
programa, há mais de um ano, declarou ao vivo seu respeito ao meu trabalho,
citando minhas críticas duras, mas honestas. Teve a coragem de ser entrevistado
pelo jornalista que publicou a história da compra de sua casa em Brasília. Não
foi à Justiça tentar derrubar a matéria, não fez ameaças, não pediu para a PF
quebrar meu sigilo para descobrir a fonte da reportagem. Seu pai (Jair) também
me recebeu no Planalto, mesmo quando criticado por mim por suas escolhas para a
PGR e para o STF.
Já fui censurado pela Junta, nunca por qualquer bolsonarista.
Despertei para isso há alguns anos e estimo que o mesmo aconteça com outros
jornalistas, acadêmicos, financistas etc.
Me lembro que, em 9 de janeiro de 2023, ao questionar um advogado do PT — bastante conhecido e educado — sobre os abusos de direitos humanos contra cidadãos comuns indignados com a eleição de Lula, ouvi a frase "que Moraes tranque todos eles e jogue a chave fora". Essa frase funcionou na minha cabeça como um gatilho, foi literalmente uma "virada de chave". Percebi ali que a "forma" é irrelevante diante do conteúdo e, muitas vezes, tem até sentido tático.
Por isso, coloquei meu microfone em
defesa dessa gente vítima do arbítrio da Junta. Por isso, nado contra a maré da
conveniência. Coloco minha experiência de quase 30 anos de jornalismo político
e investigativo para ajudar na qualificação também desse debate, que é o mais
importante de todos: queremos viver a divergência de maneira democrática, no
estado de direito, fazendo o embate de ideias pela política, ou pacificar o
país na marra, no medo, trocando o barulho das redes pelo silêncio das
masmorras da PF?
Rogo aos jornalistas que ainda
pretendem fazer seu ofício que compreendam o atual limiar civilizatório que
vivemos. Jornalistas devem fiscalizar o poder, criticar, se opor (podem até
elogiar o que está certo rs), mas isso só é possível numa sociedade democrática.
É preciso colocar um fim no regime atual em outubro, antes que o próximo outubro nunca chegue.
Título, Texto e Vídeo: Claudio Dantas, 13-8-2026, 14h10
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