sábado, 8 de agosto de 2026

[Versos de través] A oeste

Manuel Cândido Pimentel 

Aqui estou a oeste comovido. Lembro-me de tudo  
quando a tua presença enchia a minha e vibrávamos 
como uma corda de violino ou uma taça de champanhe
que bebíamos com morangos. Sabíamos a festa!

Eu acariciava o teu pescoço longo de gazela
e perdia-me no frémito nervoso do teu corpo
como quem se perde numa floresta
e não quer regressar a algures.

Éramos o que éramos. Amantes!
Desconhecíamos o destino, e o futuro
era um rasgo de luz profundo que nos fitava.

Mas um dia houve em que o dia não chegou
e a luz esmaeceu e o rasgo se fechou… para sempre.
O futuro sou eu hoje, aqui, a oeste comovido.


Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 28-1-2024

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