O presidente transformou a prisão de um adversário em promessa de campanha. Se a Justiça é independente, o que a eleição tem a ver com isso?
Rogerio Pires
Era sábado, e Lula estava em
Florianópolis, na praça Tancredo Neves, em pleno comício quando bufou:
“Eu quero ganhar para manter Bolsonaro
na cadeia.”
A plateia respondeu gritando “sem
anistia”.
Não foi um militante exaltado. Não foi
um perfil anônimo perdido numa rede social. Foi o presidente da República,
candidato à reeleição, em voz alta, como promessa de campanha. E num estado
onde Bolsonaro teve quase 70% dos votos válidos no segundo turno de 2022.
Li a frase uma vez. Depois outra. E
fiquei com uma pergunta que não sai da minha cabeça.
Desde quando o presidente da República
ganha uma eleição para decidir quem continua preso?
Todos deveriam inferir que, numa
democracia, quem julga é o Judiciário. O presidente governa, o Congresso
legisla, o juiz decide. Cada um no seu quadrado. Bolsonaro foi condenado por
esse STF politizado e envolvido por toda sorte de escândalos, a 27 anos e três
meses e hoje cumpre prisão domiciliar. Se essa pena foi decidida por juízes,
com base em provas e na lei, deveria ser absolutamente indiferente quem vai
sentar na cadeira do Planalto em janeiro.
Então por que Lula acha que a vitória dele muda alguma coisa?
O próprio presidente admite que a
liberdade de Bolsonaro virou uma questão de urna, não de processo. Que o
destino de um ex-presidente depende de quem vence em outubro. Quando a prisão
de um homem passa a depender de quem está no poder, eu não tenho outro nome
para isso: é preso político.
Será que quem decide é mesmo a
Justiça?
Na terça-feira, dia 15, Flávio disse
no horário eleitoral que Lula dividiu o poder com Alexandre de Moraes e que, no
fim, o Brasil ficou sem comando. Muita gente tratou a frase como exagero de
campanha. Depois de sábado, ficou difícil sustentar essa leitura.
E tem mais. Em julho de 2025, quando o
Congresso derrubou o aumento do IOF, Lula foi à TV Bahia explicar por que tinha
corrido ao Supremo. A frase dele foi esta: “Se eu não for à Suprema Corte, eu
não governo mais o país.”
Quando o Congresso diz não, o governo
recorre ao STF. Quando o STF condena o principal adversário, o presidente
promete, em palanque, mantê-lo atrás das grades.
Isso não é harmonia entre os Poderes.
É promiscuidade entre eles.
E tudo isso acontece na mesma semana
em que o próprio Supremo discutiu abrir investigação contra Moraes por suas
relações com Daniel Vorcaro, numa sessão que terminou em bate-boca e sem
decisão. O timing diz muito.
Estamos diante de um elemento político
grave, que precisa ser apurado com seriedade. Não por mim, não pela oposição,
mas pelas instituições que dizem defender a democracia.
Por isso, peço uma coisa simples:
compartilhe este texto. E faça o presidente responder a uma única pergunta, sem
rodeios:
Se quem decide quem fica preso é a
Justiça, o que a sua reeleição tem a ver com Bolsonaro continuar na cadeia?
Título, Imagem e Texto: Rogerio
Pires, Timeline,
20-9-2026
Para quem não entendeu a natureza do regime PT-Supremo: proteger aliados, ao mesmo tempo que censura, persegue e prende opositores. pic.twitter.com/gjPNxNCvCg
— Leandro Ruschel 🇧🇷🇺🇸🇮🇹🇩🇪 (@leandroruschel) September 19, 2026
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