domingo, 20 de setembro de 2026

Bolsonaro é um preso político e Lula confessou isso sem perceber

O presidente transformou a prisão de um adversário em promessa de campanha. Se a Justiça é independente, o que a eleição tem a ver com isso?

Rogerio Pires 

Era sábado, e Lula estava em Florianópolis, na praça Tancredo Neves, em pleno comício quando bufou:

Eu quero ganhar para manter Bolsonaro na cadeia.”

A plateia respondeu gritando “sem anistia”.

Não foi um militante exaltado. Não foi um perfil anônimo perdido numa rede social. Foi o presidente da República, candidato à reeleição, em voz alta, como promessa de campanha. E num estado onde Bolsonaro teve quase 70% dos votos válidos no segundo turno de 2022.

Li a frase uma vez. Depois outra. E fiquei com uma pergunta que não sai da minha cabeça.

Desde quando o presidente da República ganha uma eleição para decidir quem continua preso?

Todos deveriam inferir que, numa democracia, quem julga é o Judiciário. O presidente governa, o Congresso legisla, o juiz decide. Cada um no seu quadrado. Bolsonaro foi condenado por esse STF politizado e envolvido por toda sorte de escândalos, a 27 anos e três meses e hoje cumpre prisão domiciliar. Se essa pena foi decidida por juízes, com base em provas e na lei, deveria ser absolutamente indiferente quem vai sentar na cadeira do Planalto em janeiro.

Então por que Lula acha que a vitória dele muda alguma coisa?

O próprio presidente admite que a liberdade de Bolsonaro virou uma questão de urna, não de processo. Que o destino de um ex-presidente depende de quem vence em outubro. Quando a prisão de um homem passa a depender de quem está no poder, eu não tenho outro nome para isso: é preso político.

Será que quem decide é mesmo a Justiça?

Na terça-feira, dia 15, Flávio disse no horário eleitoral que Lula dividiu o poder com Alexandre de Moraes e que, no fim, o Brasil ficou sem comando. Muita gente tratou a frase como exagero de campanha. Depois de sábado, ficou difícil sustentar essa leitura.

E tem mais. Em julho de 2025, quando o Congresso derrubou o aumento do IOF, Lula foi à TV Bahia explicar por que tinha corrido ao Supremo. A frase dele foi esta: “Se eu não for à Suprema Corte, eu não governo mais o país.”

Quando o Congresso diz não, o governo recorre ao STF. Quando o STF condena o principal adversário, o presidente promete, em palanque, mantê-lo atrás das grades.

Isso não é harmonia entre os Poderes. É promiscuidade entre eles.

E tudo isso acontece na mesma semana em que o próprio Supremo discutiu abrir investigação contra Moraes por suas relações com Daniel Vorcaro, numa sessão que terminou em bate-boca e sem decisão. O timing diz muito.

Estamos diante de um elemento político grave, que precisa ser apurado com seriedade. Não por mim, não pela oposição, mas pelas instituições que dizem defender a democracia.

Por isso, peço uma coisa simples: compartilhe este texto. E faça o presidente responder a uma única pergunta, sem rodeios:

Se quem decide quem fica preso é a Justiça, o que a sua reeleição tem a ver com Bolsonaro continuar na cadeia?

Título, Imagem e Texto: Rogerio Pires, Timeline, 20-9-2026

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