segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A democracia, segundo Bruxelas: União Europeia pondera punir região alemã por eleger populistas

Paulo Hasse Paixão

Em Bruxelas, o raciocínio político dominante nos tempos que correm é este: se os partidos de que gostamos não ganham eleições, castigamos os eleitores com retenção de fundos financeiros. Para salvar a democracia, bem entendido. 

De facto, a União Europeia está a considerar reter os fundos destinados à Saxónia-Anhalt após a vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais, alegando possíveis violações dos princípios da UE.

Enquanto o apoio à União Democrata Cristã (CDU), o partido globalista do chanceler Friedrich Merz, caiu a pique neste estado alemão, o AfD obteve quase 44% dos votos, mas ficou a três lugares da maioria no Landtag, o equivalente a uma legislatura estadual nos EUA.

A Saxónia-Anhalt deverá receber 2,95 mil milhões de euros do orçamento da UE para 2021-2027. No entanto, Daniel Freund, deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Verde, pressionou para que esses fundos fossem retidos. Freund defendeu a medida como punição no caso de um governo estadual controlado pelo AfD legislar de forma contrária aos chamados valores da UE, sejam eles quais forem (totalitários, no caso).

A Comissão Europeia ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto, mas a UE já reteve fundos da Hungria e da Polónia em circunstâncias semelhantes e von der Leyen não se cansa de repetir que “tem instrumentos” de pressão sobre as democracias dissidentes.

O congelamento dos fundos da UE pode afetar significativamente o desenvolvimento regional da Saxónia-Anhalt, um dos Estados menos prósperos da Alemanha, impactando as suas infraestruturas e o regular funcionamento dos serviços públicos.

O AfD rejeitou as possíveis ações da UE como antidemocráticas, caracterizando a ideia como um castigo aos eleitores da Saxónia-Anhalt. Se a UE optar por congelar os fundos para a região ou tentar anular as decisões do governo estadual através de pressões financeiras, a circunstância poderá aumentar a hostilidade em relação à UE e reforçar o apoio ao AfD.

Bernd Baumann, o líder da bancada do AfD no Bundestag, afirmou a este propósito:

“Rimos dos nossos adversários partidários, que agora também procuram prejudicar-nos de forma antidemocrática a nível da UE.”

Não há motivo para risos, na verdade. Mesmo ignorando Bruxelas, o AfD tem a sua existência como partido seriamente ameaçada. Como o Contra documentou na semana passada, Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália e um dos mais proeminentes líderes da CDU, apelou à imediata criação de um grupo de trabalho para interditar o AfD, depois do seu partido ter sido esmagado nas urnas da Saxónia.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 14-9-2026

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