Paulo Hasse Paixão
Em Bruxelas, o raciocínio político dominante nos tempos que correm é este: se os partidos de que gostamos não ganham eleições, castigamos os eleitores com retenção de fundos financeiros. Para salvar a democracia, bem entendido.
De facto, a União Europeia
está a considerar reter os fundos destinados à Saxónia-Anhalt após a vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais,
alegando possíveis violações dos princípios da UE.
Enquanto o apoio à União
Democrata Cristã (CDU), o partido globalista do chanceler Friedrich Merz, caiu
a pique neste estado alemão, o AfD obteve quase 44% dos votos, mas ficou a três
lugares da maioria no Landtag, o equivalente a uma legislatura estadual nos
EUA.
A Saxónia-Anhalt deverá
receber 2,95 mil milhões de euros do orçamento da UE para 2021-2027. No
entanto, Daniel Freund, deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Verde,
pressionou para que esses fundos fossem retidos. Freund defendeu a medida como
punição no caso de um governo estadual controlado pelo AfD legislar de forma
contrária aos chamados valores da UE, sejam eles quais forem (totalitários, no
caso).
🚨🇪🇺🇩🇪 Brussels THREATENS to CUT funding to Saxony-Anhalt after AfD VICTORY. Green MEP Daniel Freund wants to freeze €2.95 billion in EU funds if the new government "violates rule-of-law standards." EU democracy at WORK? https://t.co/qTd6hJj8iM
— Global Dissident (@GlobalDiss) September 10, 2026
A Comissão Europeia ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto, mas a UE já reteve fundos da Hungria e da Polónia em circunstâncias semelhantes e von der Leyen não se cansa de repetir que “tem instrumentos” de pressão sobre as democracias dissidentes.
O congelamento dos fundos da UE pode afetar significativamente o desenvolvimento regional da Saxónia-Anhalt, um dos Estados menos prósperos da Alemanha, impactando as suas infraestruturas e o regular funcionamento dos serviços públicos.
O AfD rejeitou as possíveis ações
da UE como antidemocráticas, caracterizando a ideia como um castigo aos
eleitores da Saxónia-Anhalt. Se a UE optar por congelar os fundos para a região
ou tentar anular as decisões do governo estadual através de pressões
financeiras, a circunstância poderá aumentar a hostilidade em relação à UE e
reforçar o apoio ao AfD.
Bernd Baumann, o líder da
bancada do AfD no Bundestag, afirmou a este propósito:
“Rimos dos nossos adversários
partidários, que agora também procuram prejudicar-nos de forma antidemocrática
a nível da UE.”
Não há motivo para risos, na
verdade. Mesmo ignorando Bruxelas, o AfD tem a sua existência como partido
seriamente ameaçada. Como o Contra documentou
na semana passada, Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália e um
dos mais proeminentes líderes da CDU, apelou à imediata criação de um grupo de
trabalho para interditar o AfD, depois do seu partido ter sido esmagado nas
urnas da Saxónia.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
14-9-2026

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