Trump nomeia Darren Beattie como conselheiro sênior para políticas sobre o Brasil
Allan dos Santos
A relação entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva ganha um novo capítulo — e não é protocolar. Segundo a agência de notícias Reuters, o presidente americano nomeou Darren Beattie [foto] como conselheiro sênior responsável por supervisionar as políticas dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
A informação, confirmada por
fontes ouvidas pela agência e por um alto funcionário do Departamento de
Estado, indica que Beattie “atualmente atua como conselheiro sênior para
políticas sobre o Brasil”. A designação, embora técnica no papel, é
politicamente explosiva no contexto atual.
Beattie não é um diplomata
discreto de carreira. É um crítico declarado do atual governo brasileiro e tem
histórico de posicionamentos firmes em defesa da liberdade de expressão e
contra políticas autoritárias na América Latina. Sua ascensão dentro do aparato
diplomático americano, com foco específico no Brasil, sinaliza que Washington
não pretende tratar Brasília como mero parceiro protocolar.
Relações delicadas entre as
maiores democracias do Hemisfério
A própria Reuters avalia que a
nomeação sugere que as relações entre as duas maiores democracias do Hemisfério
Ocidental permanecem sensíveis, apesar de gestos recentes de reaproximação.
Em termos diplomáticos, isso
significa que o governo Trump não abandonou suas preocupações com temas como
liberdade de expressão, decisões judiciais autoritárias e ambiente de censura
no Brasil. Tampouco fez as “pazes” com o governo de esquerda chefiado por Lula.
A criação — ou o reforço — de
uma supervisão específica sobre o Brasil indica prioridade estratégica. Não é
um gesto neutro. É um recado institucional.
O contexto político: Lula
em viagem aos EUA
O timing é decisivo. Lula pretende viajar aos Estados Unidos em março para se encontrar com Trump. A revelação da nomeação ocorre antes da visita e adiciona um elemento de tensão ao encontro.
A narrativa de um “supervisor
norte-americano do Brasil”, como já começa a circular nos bastidores
diplomáticos, inevitavelmente amplia a pressão sobre o Itamaraty e sobre o
Palácio do Planalto.
O Ministério das Relações
Exteriores do Brasil ainda não respondeu oficialmente aos pedidos de
esclarecimento feitos pela Reuters. A Presidência da República também não se
manifestou até o momento.
O silêncio, neste caso, é
eloquente.
O que está em jogo
A nomeação de Beattie deve ser
lida sob três ângulos:
1. Liberdade de expressão – Washington mantém
preocupação aberta com decisões judiciais e medidas regulatórias que afetem
plataformas digitais e imprensa no Brasil.
2. Geopolítica regional – O Brasil é peça central
na América Latina, especialmente em temas como Venezuela, China e BRICS.
3. Equilíbrio ideológico – O governo Trump retoma
uma linha de política externa que confronta governos alinhados à esquerda no
continente.
O Brasil, portanto, deixa de
ser apenas parceiro comercial ou potência regional neutra e passa a ser
observado como variável estratégica de primeira ordem na política hemisférica
dos Estados Unidos.
Um novo ciclo diplomático
A presença de um conselheiro
sênior especificamente dedicado ao Brasil sugere que Washington está
institucionalizando sua atenção sobre o país. Isso não significa ruptura
automática, mas indica vigilância política estruturada.
Para Lula, a viagem a
Washington deixa de ser apenas agenda bilateral e se transforma em teste de
maturidade diplomática. Para Trump, é oportunidade de reafirmar prioridades e
delimitar linhas vermelhas.
As duas maiores democracias do
Ocidente terão de decidir se caminham para um diálogo firme — ou para um embate
sofisticado.
O Brasil entrou oficialmente
no radar estratégico da Casa Branca. E, desta vez, com nome e sobrenome
responsáveis por monitorar cada movimento.
Título, Imagem e Texto: Allan
dos Santos, Timeline,
28-2-2026

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