sábado, 21 de fevereiro de 2026

Malu Gaspar comenta o caso Master em entrevista à CBN


Leandro Ruschel

Resumo do conteúdo:

STF vive crise interna e amplia tensão ao investigar suposto vazamento de dados

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar a investigação sobre um suposto vazamento de dados da Receita Federal envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e seus familiares aprofundou o mal-estar interno na Corte e evidenciou uma crise institucional que já vinha se desenhando nos bastidores.

Segundo relatos de ministros, a medida foi recebida com forte desconforto. Isso porque, na semana anterior, havia um movimento articulado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, e outros integrantes do tribunal para reduzir tensões internas e conter os danos de imagem provocados pelo chamado “caso Master”. Nesse contexto, ocorreu uma reunião reservada com o ministro Dias Toffoli que teria como objetivo levá-lo a renunciar à relatoria do processo.

O esforço era o de distensionar o ambiente interno e minimizar o impacto público do caso. No entanto, o vazamento quase literal do conteúdo dessa reunião — a ponto de gerar suspeitas de que o encontro tenha sido gravado — já havia ampliado o clima de desconfiança entre os ministros. Poucos dias depois, ainda durante o Carnaval, a Polícia Federal foi acionada para apurar o suposto vazamento de dados fiscais.

A ampliação da investigação e o incômodo no tribunal

O ponto central do desconforto reside na amplitude da medida determinada por Moraes. Se a suspeita inicial envolveria apenas dados relacionados a ele próprio, sua esposa e o escritório dela, por que solicitar à Receita Federal a verificação de acessos aos dados de mais de cem pessoas, incluindo ministros e familiares?

Ministros questionam por que não foram previamente informados da existência de suspeitas que os envolveriam. Também causa estranheza o fato de a apuração ter sido incluída no inquérito das fake news, aberto em 2019 com outra finalidade.

A nota oficial do Supremo menciona “vazamento indevido de dados com suspeitas difusas e de difícil dissipação”, sem especificar objetivamente o que estaria sendo investigado. A linguagem vaga reforçou a percepção de falta de transparência.

Nos bastidores, cresce a desconfiança de que a iniciativa possa ter motivações defensivas. O celular do empresário Daniel Vorcaro, apreendido em novembro, ainda não teve seu conteúdo amplamente divulgado, mas sabe-se que há menções ao nome de Alexandre de Moraes. Isso alimenta especulações de que a medida poderia funcionar como uma forma de prevenção a eventuais desdobramentos da investigação.

Além disso, permanecem sem esclarecimento público questões relacionadas a contratos envolvendo a esposa do ministro e às relações do ministro Dias Toffoli com Vorcaro, incluindo pagamentos milionários ligados à participação societária em resort.

O inquérito das fake news e sua expansão

Outro ponto sensível é o uso do inquérito das fake news como base para essa nova investigação.

Aberto em 2019, o inquérito teve origem na apuração de supostos vazamentos de informações fiscais envolvendo familiares de ministros. À época, Dias Toffoli, que poderia ser parte interessada, abriu a investigação e indicou Alexandre de Moraes como relator, sem sorteio. Houve afastamento de auditores da Receita, posteriormente reintegrados por ausência de provas.

Mesmo após a inexistência de comprovação de irregularidades, o inquérito não foi encerrado. Pelo contrário, foi ampliado e passou a abarcar investigações sobre fake news, milícias digitais e outras frentes.

Em 2020, o Supremo validou a continuidade do procedimento. Na ocasião, o ministro Edson Fachin alertou que o instrumento poderia se tornar um “veneno” contra o próprio tribunal — advertência que hoje parece ecoar no ambiente interno.

Corporativismo e silêncio público

Apesar do desconforto relatado por diversos ministros, o Supremo mantém postura pública de unidade. Internamente há críticas, mas externamente prevalece o silêncio ou o apoio formal às decisões tomadas.

A percepção de corporativismo se intensifica quando ministros afirmam, mesmo que em tom informal, que agem como um “STF Futebol Clube” — expressão que simboliza coesão interna diante de críticas externas.

Esse contraste entre críticas reservadas e apoio público contribui para ampliar a distância entre o tribunal e a sociedade. Para parte significativa da opinião pública, o STF parece não reconhecer a dimensão da crise nem prestar os esclarecimentos necessários.

Uma crise que exige reconhecimento

Crises institucionais podem ocorrer em qualquer poder da República. O que define a robustez de uma instituição é a forma como reage a elas.

No caso atual, a combinação de investigações amplas, decisões monocráticas controversas, expansão indefinida de inquéritos e falta de comunicação clara tem alimentado a percepção de opacidade e autodefesa corporativa.

O resultado é um fosso crescente entre o Supremo Tribunal Federal e a sociedade. Reconhecer a existência da crise e oferecer transparência sobre seus atos não é apenas uma questão política — é um dever institucional.

Sem esse reconhecimento, a tensão tende a se aprofundar, comprometendo não apenas a imagem da Corte, mas a confiança pública no próprio sistema de Justiça.

Título e Texto: Leandro Ruschel, X, 20-2-2026, 21h59 

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Um comentário:

  1. É preciso tomar muito cuidado com esses "supostos" vazamentos. Num primeiro momento, tal vazamento ou "tais" vazamentos pode ou (podem) colocar o nosso "onroso" STF e toda os nossos mi"SI"nistros em perigo. Devemos ter em mente, todo vazamento é perigoso. No STF, então, a coisa deve ser detectada no menor tempo possível. Obviamente, em vista desse perigo "eminente", "eminentitíssimo", se faz necessário descobrir pra ontem, onde o referido "pobrema" (ou pobremas) está, ou (estão) ocorrendo. Nesse tom rosa cheque, com bolinhas da mesma cor, urgência urgentíssima, ou "urgentitíssíma". Senhores, pelo amor de Deus, qual o cano, ou quais os canos que estão dando "pobremas" para serem imediatamente trocados. Se fosse em casas de brasileiros, a famosa raia miúda, ou o pacato zé povinho, tudo bem, não careceria de "preça"; todavia, como a coisa é no STF, onde todos os nossos dignos representantes da "ei", eu disse ei... (me perdoem, estou com um "pobreminha' na letra "L" e como os ilustres que ali trabalham incansavelmente e, pior, ("S"em "T"empo de "F"olga) não dispõem de espaço digno para descanso com seus familiares, "urrascom" com amigos, é preciso, repito, QUE O CHEFE DA MANUTENÇÃO empregue todos os esforços (mesmo os que estão de folga) para que, repetindo novamente, que fique bem "craro", esse vazamento ou esses vazamentos não criem obsobsobsta"cucucu"los para todo o Colegiado e defensores da nossa brilhante "Soprema Cortê". Ainda mais agora, com a "Finda", credo, que "tecrado" ruim, com a vinda à azei"'tona" do Branco - perdão -, do Brinco -, NÃO, DO BANCO MASTER. Precisamos, como foi dito acima, tapar o "fosso crescente entre o STF e a sociedade. Se esse fosso (se fosse) ou não for tapado, o STF, mama mia, "S"eremos "T"odos "F"ulminados.
    Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha no Espírrito do Santo, Amém.

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