quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Arrastões, presença do CV, mortes e tiroteios: região próxima ao Rock in Rio vive escalada de violência

Fora do contexto do grande evento, moradores da Barra Olímpica, Camorim, Curicica, Jacarepaguá e Taquara não estão vivendo em harmonia e clima de festa

Felipe Lucena 

Foto: Vans Bumbeers

Nos próximos 2 finais de semana, as áreas vizinhas ao Rock in Rio estarão sob os holofotes do entretenimento mundial. Contudo, fora do contexto do grande evento, moradores da Barra Olímpica, Camorim, Curicica, Jacarepaguá e Taquara não estão vivendo em harmonia e clima de festa.

Há algum tempo, a escalada de violência assusta os vizinhos da Cidade do Rock. O avanço do Comando Vermelho (CV) na região da Grande Jacarepaguá, Vargens e Recreio subiu muito os índices de criminalidade na região.

"Essa área era muito segura, mas agora, praticamente todos os dias, ficamos sabendo de algum crime. É tiro, roubo, morte. Assustador", conta Márcia Gregório, moradora da Barra Olímpica. 

No último sábado (29/8), faltando uma semana para o início do Rock in Rio, a Estrada dos Bandeirantes, a pouco mais de 4 km do local onde acontecerá o festival, foi fechada por criminosos. Lixeiras foram incendiadas na via na altura da Vila Sapê, no sentido Vargens.

Durante a ação, passageiros chegaram a descer de ônibus, carros e BRTs. Tentativas de roubos e arrastões foram registradas. Com a chegada da polícia, parte do grupo fugiu em direção à mata que cerca a via.

As tentativas de arrastões e roubos a veículos ou transeuntes na Avenida Salvador Allende, principalmente próximo à estação de BRT Morro do Outeiro, que é conectada à Centro Olímpico, utilizada para receber boa parte do público que vai à Cidade do Rock, são constantes há meses.

Na madrugada de um sábado antes, dia 22/8, criminosos pararam carros em frente ao mercado Mundial de Curicica, a pouco mais de 2 km do Rock in Rio, e atearam fogo.

Esses relatos de duas semanas antes do início do Rock in Rio não são novidade para quem mora ou trabalha na região. Não é de hoje que a violência aumentou em bairros como Barra Olímpica, Camorim, Curicica, Taquara e Jacarepaguá.

No último mês de agosto, o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou os índices de criminalidade referentes a julho de 2026, mostrando um avanço de 25% na letalidade violenta em relação a julho de 2025 — 301 vítimas no estado, contra 240 no ano passado. Esse indicador soma homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, feminicídio, morte por intervenção de agente do Estado e latrocínio.

Das 41 Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) do estado, apenas cinco concentraram um terço de toda a letalidade violenta em julho. A área do 18º BPM (Jacarepaguá), na Zona Sudoeste, liderou esse ranking, com 25 mortes violentas atribuídas à disputa territorial entre o Comando Vermelho e milicianos.

Nos últimos 6 anos, o CV iniciou uma expansão em direção aos bairros da região de Jacarepaguá. Nem mesmo a maior floresta urbana do mundo, o Parque Estadual da Pedra Branca, que tem grande parte do seu território na área, escapou da disputa entre os criminosos fortemente armados, como mostra essa reportagem do DIÁRIO DO RIO publicada no final de 2025.

Esquema de segurança para o evento

Governo do Estado do Rio de Janeiro informou que o evento terá um esquema de segurança que contará com mais de 7.000 homens, incluindo 4.500 policiais militares, e um centro de controle aéreo para monitorar drones.

Carlos Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, detalhou que 725 dos 1.740 agentes mobilizados atuarão diretamente na Cidade do Rock.

A operação especial da Guarda Municipal (GM-Rio) vai de 01 a 18 setembro. O efetivo total empregado, nesses 18 dias, em todas as áreas estratégicas que englobam a operação será de 4.708 guardas municipais.

Durante o Rock in Rio, a GM-Rio intensificará as ações voltadas para a mobilidade urbana no entorno da Cidade do Rock, atuando na operação de bloqueios viários, fiscalização e monitoramento do trânsito e também na orientação da travessia de pedestres, priorizando a segurança viária. Além do entorno da Cidade do Rock, a operação também vai cobrir os principais terminais de transporte de acesso às instalações do evento, como os Terminais Alvorada e Jardim Oceânico.

As equipes vão atuar na região do evento e nos principais pontos de entrada da cidade, como a Rodoviária do Rio, os aeroportos e o Píer Mauá; e de patrulhamento preventivo nos principais pontos turísticos.

Título e Texto: Felipe Lucena, Diário do Rio, 1-9-2026, 14h40

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