sexta-feira, 12 de junho de 2026

“banqueiro aparece para afirmar que Lula é a opção mais segura porque é ‘previsível’.”

Karina Michelin

Ricardo Lacerda [foto] acaba de oferecer um retrato quase perfeito de um dos maiores erros de avaliação política e econômica da elite brasileira nas últimas décadas. 

Depois de tudo o que aconteceu no Brasil nos últimos anos - explosão da dívida pública, destruição do teto de gastos, déficits bilionários, expansão do Estado, insegurança jurídica crescente e crise institucional permanente - o banqueiro aparece para afirmar que Lula é a opção mais segura porque é “previsível”. 

É difícil acreditar que isso esteja sendo dito de forma séria. 

O mais curioso é que não estamos falando de um defensor de Lula. Estamos falando do mesmo Ricardo Lacerda que classificou este governo como fraco, ruim e inepto, criticou a deterioração fiscal, alertou para o crescimento dos gastos públicos e comparou a trajetória atual aos erros que antecederam a crise do governo Dilma. 

Segundo o próprio Lacerda, o governo é economicamente desastroso, fiscalmente irresponsável e incapaz de enfrentar os problemas estruturais do país. Ainda assim, seria a alternativa mais segura. O que mudou? 

Foi exatamente esse tipo de análise que ajudou a conduzir o Brasil ao cenário atual. A mesma elite que assinou manifestos pela “democracia”, garantiu que Lula havia mudado, prometeu responsabilidade fiscal, moderação e estabilidade. Erraram em tudo. 

A tese é tão absurda que chega a ser ofensiva à inteligência de quem acompanha minimamente a realidade brasileira. 

Falar em risco institucional futuro enquanto há anos o país vive sob denúncias de censura, perseguição política e ativismo judicial. Fingir que nada disso existe é cegueira seletiva. 

O trecho mais absurdo é quando Lula é apresentado como uma escolha desejável por ser “previsível”. 

Sim, Lacerda. Lula é previsível. É previsível que o gasto público continue crescendo, que a dívida aumente, que o contribuinte pague mais e que o setor produtivo siga sufocado. 

A verdade é que parte desta elite não quer mudança; quer conforto, previsibilidade e lucros. Certos banqueiros deixaram de analisar o Brasil para racionalizar o Brasil que lhes convém. Essa distância entre a realidade e a narrativa já custou caro demais ao país. 

Título, Texto e Vídeo, Karina Michelin, X, 11-6-2026, 21h08

Relacionados:
Mais uma vergonha para Moraes e para a (in)justiça brasileira no exterior 
Minha despedida da Globo News 
Aposentado que não pedir o dinheiro da fraude até 20 de junho perde o direito pelo canal mais rápido 
André Ventura pressiona Portugal para classificar PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas 
Suécia reduz idade penal para 13 anos e cria prisões para menores envolvidos com gangues 
O Fingidor e o Espelho 
As múltiplas personalidades de Alexandre de Moraes: vítima, relator e julgador 
Forca trocada 
Gilmarpalooza em Lisboa 
O que Moraes disse em Lisboa sobre as Big Techs

2 comentários:

  1. A operação que desarticulou um esquema de mais de R$ 10 milhões em roubos, desmanches e venda de peças no Rio expõe uma realidade conhecida: o roubo de veículos não começa nem termina na rua. Sem desmanche e receptação, o crime perde sua principal fonte de lucro. Combater um é enfraquecer drasticamente o outro.

    Poucas políticas públicas alcançaram algo raro no Brasil: aceitação quase unânime. O Pix mudou hábitos, reduziu custos e virou parte da rotina de milhões de pessoas. O reconhecimento como marca de alto renome, pelo INPI, mostra que o sistema já ultrapassou o campo financeiro e entrou no patrimônio tecnológico do país.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O Pix é um dos meios de pagamento instantâneos mais usados no Brasil atualmente. Ele foi criado e desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, que idealizou o sistema lá em 2016, durante a gestão de Ilan Goldfajn como presidente do BCB, mas o grupo de trabalho só foi instituído oficialmente em 2018. Seu lançamento oficial ocorreu em 2020 , durante a pandemia de COVID-19.

      Jair Messias Bolsonaro, 38.º presidente do Brasil, de 1.º de janeiro de 2019 a 1.º de janeiro de 2023, tendo sido eleito pelo Partido Social Liberal (PSL) nas eleições de 2018.
      Roberto de Oliveira Campos Neto foi presidente do Banco Central do Brasil, indicado pelo governo Jair Bolsonaro, de 28 de fevereiro de 2019 até 1.º de janeiro de 2025.

      Excluir

Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.

Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-