quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Esquema de adulteração de taxímetros no Galeão é alvo de operação

Investigados chegavam a cobrar até 50% a mais de passageiros que desembarcavam no aeroporto; Ação seria coordenada pelo tráfico da Ilha


Ana Fernanda Freire

A Polícia Civil realiza, nesta quinta-feira (8), uma operação contra um esquema de adulteração de taxímetros que tinha como alvo passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador. Segundo investigações, a fraude acontecia por meio de um dispositivo eletrônico escondido atrás de um botão do porta-malas, utilizado para aumentar o valor das corridas.

As equipes têm como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros do Rocha e Piedade, na Zona Norte do Rio, no Centro da cidade e no terminal aeroportuário. As diligências contam com o apoio da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant). Até o momento, diversas pessoas foram conduzidas para prestar depoimento.

A ação é realizada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj) e Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat).

Dispositivo aumentava valor da corrida

A investigação teve início a partir da denúncia de um passageiro que acabava de desembarcar e foi abordado por um homem que se identificou como taxista. Ele entrou no veículo e, durante o trajeto, notou um salto repentino no valor indicado no taxímetro. Ao chegar ao destino, havia pagado cerca de 50% a mais do que a tarifa regular.

No decorrer das diligências, os agentes localizaram o carro, que passou por perícia. Os exames do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro e capaz de multiplicar os pulsos enviados pelo sensor do automóvel, fazendo com que a tarifa aumentasse. Escondido atrás de um botão do porta-malas, o dispositivo podia ser acionado discretamente pelo motorista e acrescentar, de uma só vez, cerca de 20% ao valor da corrida.

Entenda o esquema

O aprofundamento das investigações revelou que o mecanismo não seria utilizado de forma isolada por motoristas, mas faria parte de uma estrutura organizada. Documentos apreendidos indicaram que a instalação do dispositivo era exigida pela empresa responsável pela locação dos táxis e realizada em uma oficina indicada pelo próprio grupo.

Há indícios de que a frota vinculada a categoria alcance cerca de 200 veículos. Além disso, também se apura a possibilidade de que o mecanismo já viesse instalado em modo automático antes mesmo da entrega do carro ao motorista locatário, o que permitiria que a fraude operasse de forma contínua e silenciosa. 

Os agentes identificaram ainda a atuação de "jóqueis" no aeroporto, que abordavam passageiros, especialmente turistas e pessoas que não conheciam a cidade, e recebiam comissão por direcioná-los aos veículos sem autorização para operar no terminal aeroportuário. O material coletado pelos agentes identificou diversas cobranças abusivas, incluindo corridas superiores a R$ 900 para a Zona Sul do Rio. 

De acordo com as apurações, a atuação dos "jóqueis" é coordenada por um integrante do tráfico de drogas que atua na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, localizada ao lado do aeroporto. A organização criminosa vem tentando, ainda, impor aos taxistas regularmente autorizados que passem a atuar em conjunto com os captadores, submetendo também o serviço legalizado ao seu controle. Segundo os agentes, essa prática, até o momento, não se concretizou. 

Os alvos das ações desta quinta-feira abrangem a sede operacional e o pátio de frota de um grupo empresarial de locação de táxis, uma pessoa jurídica a ele vinculada e a oficina responsável pela instalação do dispositivo fraudulento.

Título e Texto: Ana Fernanda Torres, O Dia, 8-10-2026, 9h11 

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