sábado, 21 de março de 2026

[Versos de través] Poemas aos homens do nosso tempo

Hilda Hilst

Enquanto faço o verso, tu decerto vives. 
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.

Contempla o teu viver que corre, escuta 
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo. 
Enquanto faço o verso, tu que não me lês 
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala. 

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.


Hilda Hilst, 1974

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Porque há desejo em mim 
Passeio 
Aquela 
Árias Pequenas. Para Bandolim 
Êxtase

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