sábado, 28 de março de 2026

[Versos de través] Túnel













Fernando de Moraes Gebra

Há dias em que se formam imagens de não existir.
Meu ser esvai-se em correntes líquidas…
Outrora fluidas em circuitos que não compreendo bem
Mas que se espraiam em telas de um cinza embaçado…

Uma ânsia de quimeras onde torres bailam o seu mistério…
Circunspecto, espio minha sorte em cartas de ciganos
Que ofuscam iluminuras de estrelas passageiras…
Sorte má ou sorte boa, vida que degredo se esvai…

No túnel, o conforto pode durar um dia ou cinco anos.
Pouco se sabe dos relógios que se movem na invernia,
Pouco se contempla o que há para além do túnel,
Pouco se questiona se ainda é possível ser-se em Mim.

Ofegante transcurso de páginas sem cor neste almaço
Onde registro impressões quando ainda respirar posso.
Já não sei o que sou nem de que sou feito, matéria inerte.
Só, ainda teimo o quanto há de vida, no túnel teimo.


Fernando de Moraes Gebra 

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