Vanderlei dos Santos Rocha
Saibam, nessa história de
viuvez, há umas carpideiras que me irritam.
Culpar, incriminar,
desvalorizar, quem absorveu a Panair.
Não vejo ninguém a culpar o
regime de exceção.
Adoro os protestos dos
brasileiros.
Vejamos, morre um traficante, bloqueiam
avenidas, queimam automóveis alheios e transportes coletivos.
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Foto: Marco Ambrosio/Folhapress |
Bala perdida mata um inocente,
bloqueiam avenidas, queimam automóveis alheios e transportes coletivos.
Reclamam dos aumentos de
tarifas, bloqueiam avenidas, queimam automóveis alheios e transportes
coletivos, quebram bancos, destroem o patrimônio público, rapinam lojas e
supermercados.
Governo reclama de traficante
morto após condenação por tráfico fazendo guerra diplomática, e o povo aplaude.
Governo culpa governo de quinze
anos atrás por fraudes e corrupção na Petrobras.
Nossos protestos sempre punem o
povo.
As viúvas da Panair culpam a
Varig.
Àqueles que perdem seus
patrimônios, seus transportes coletivos, nessas badernas, a quem devem culpar?
Talvez devam se sentirem
culpados.
A Panair morreu, foi morta,
mas muitos garantiram seus empregos, ou os tiveram garantidos.
A Varig morreu, e muitos
tiveram seus empregos perdidos, sem rescisórias trabalhistas.
Quem aceita uma decisão
judicial com dúbias jurídicas, em troca de uma dívida?
Governos após governos
produzem assassinatos, crimes, fraudes e ninguém os culpam.
A culpa sempre recai nos que
absorvem os prejuízos.
Já fiz uma exposição sobre os
caixas de pensões, que foram roubados para construir Brasília, a CSN, a
Petrobrás, a VALE, caixas econômicas e outras "cositas" mais que
desapareceram com canetaços e as dívidas jamais pagas.
As dívidas desses imbróglios
são impagáveis.
Águas passadas, já chegaram ao
mar.
Ficam remoendo picuinhas. O
governo deu a Panair para a Varig, e daí?
Qual o problema?
Moral e ética de não aceitar?
Poupem-me.
Parecem judeus cobrando
dívidas de guerra do império romano ou otomano.
Parecem desgraçados perenes
que festejaram a derrocada da VARIG.
Explodam-se os passados.
Nem Varig e Panair levaram
legados aos seus túmulos.
Houveram outras, Cruzeiro,
Vasp, Transbrasil etc... algumas absorvidas, outras falidas, e a culpa foi
entregue aos seus trabalhadores.
Chego a conclusão de que:
Quem mandou você trabalhar na
Real, na Panair, na Varig, na Transbrasil, na Vasp, na Cruzeiro?
Então F…, seus trouxas.
Felizmente, eu fui um deles, e
agradeço pelo que foi bom.
Nem Varig nem Panair são meus
cemitérios, nem guardarão meu túmulo.
O que nos arrebata ano após
ano são nossos governos corruptos, na terra do pau-brasil vivemos no Brasil,
levando pau por nossas convicções de eleger a corja que habita Brasília, a
legítima Shangri-La tão
decantada em inúmeras crônicas.
Título e Texto: Vanderlei dos Santos Rocha, 21-2-2015
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Também acho, poderia ter ido trabalhar, na KLM, na American Airlines, na TAP, mas olha onde eu fui bater como um urubu daqueles que se arrebentam nas asas dos nossos sonhos. Na Varig, onde tive lindos sonhos delirantes.
ResponderExcluirE para piorar, depois de muito anos ainda tive a minha vida castrada por entes supra divinos que habitam aos montes lá pelo planalto Shangri-la.
José Manuel
Obrigado, por compartilhar meu ponto de vista.
ResponderExcluirA primeira casa de meu pai foi financiada pela VARIG, por isso comparo Ruben Berta a Robert Owen, apesar de que os motivos de Berta ter feito a Fundação, foram diversos, a fim de evitar uma encampação governamental.
Tanto Varig quanto Panair eram pseudo subsidiárias de governos estrangeiros.
O sonho de Robert Owen foi destruído pelos próprios funcionários, assim como parte da Varig.
Meu pai era da Varig, tios, primos, irmãos e casei com a filha de um funcionário, com irmãos, sobrinhos e filhos trabalhando na Varig.
São mais de 350 anos de serviços prestados.
Enalteço as coisas boas da VARIG, não era só o emprego, era muito melhor que a tal Panair.
Serviço médico e dentário, óculos, material escolar, remédios e super mercado.
Meu pai era mecânico mas em 1958 tinha um Austin A-40, eu frequentava colégio pago, assim como irmãos.
Em 1967 meu pai comprou um apartamento financiado pelo IAPFESP em Porto Alegre.
Quando entrei na Esvar, caminhava 3 quilômetros para pegar o cipó, ônibus que levava os empregados ao serviço.
Quando tive apendicite uma ambulância da fundação me levou ao hospital.
Após a Esvar eu Fazia o científico à noite.
Chegava em casa meia noite, e levantava às 5.
A VARIG não era só meu emprego, era parte da família.
Digam-me as viúvas da Panair se a subsidiária americana fazia isso?
Eu também fui um urubu sugado pelas turbinas dos sonhos, também sonhei com uma aposentadoria decente.
Agora, jamais serei viúvo do passado, quem fica deve administrar suas saudades e lembranças para que não interfiram no presente.
Acontece que esses governos incompetentes interferiram nos presente de muitos
funcionários da Varig.
Quando você escreve aos montes, aqui no sul monte sempre é composto de fezes.
Ser funcionário da Varig não era opção, era destino.
Nunca se pode buscar justificativas pelo passado.
Temos que justificar sempre o futuro.
Meu pai morreu, nunca chorei sua morte, fiquei triste, magoado, mas com a certeza de dever cumprido como filho.
Não há de se chorar os mortos, isso não é destino ou "fate" é realidade incondicional.
Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe.
Queria ser médico, acabei mecânico de voo.
Queria tirar filosofia, o AERUS acabou.
Quando me pergunto como vou, sempre respondo:
-Levando a vida antes que ela me leve.
Quando me dizem vá com deus, digo:
- Não tenho pressa nenhuma de ir com ele.
Nunca digo adeus, para ninguém, é despedia de mortos.
Sequer imagino, meus netos, daqui a 50 anos, virarem carpideiras da VARIG, é um desatino.
Os motivos do passado, não representam os motivos no futuro.
bom dia
Mande sempre!
ExcluirGosto de ler Chopra, ND Walsch e muitos outros.
ResponderExcluirAh! Também gosto de poesia e particularmente de um poeta filósofo gaúcho, que disse que se escrevesse em sua lápide simplesmente, Eu não estou aí!
Ah! Gostaria de ser vizinho do túmulo dele, e deixaria escrito:
Eus também não!!
Boa tarde
Ivan A Ditscheiner