quinta-feira, 25 de junho de 2026

“Afinal, por que emitir uma Nota Oficial quando você pode simplesmente ir a um programa de TV e dizer o que pensa?”

Jefferson Fassi

Se você achava que o "Roda Viva" servia apenas para entrevistas, o ministro Gilmar Mendes provou nesta segunda-feira que o programa pode ser, na verdade, o tribunal de apelação mais informal do país. 

Em uma performance digna de nota, o decano do STF decidiu que a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) é apenas uma sugestão, ou, como diriam os mais céticos, um "item opcional" no manual de conduta de um magistrado.

Com a leveza de um sedutor que decide explorar uma amante, Gilmar conduz o destino da República entre um gole de água e outro, e distribuiu "cartões vermelhos" para seus colegas Ministros.

André Mendonça foi o primeiro a ser chamado na diretoria por sua atuação no caso Banco Master.

Edson Fachin, o presidente da Corte, também levou uma "puxada de orelha" por tentar criar um código de ética, afinal, para que regras escritas se temos o bom senso (e o microfone) do ministro Gilmar?

O terceiro foi Kassio Nunes Marques, envolvendo pesquisas eleitorais. O decano contra Kassio foi além: praticamente deu um "spoiler" de que o STF vai derrubar as decisões do colega nesse assunto.

É o que os juristas chamam de "judiciário preditivo": você não precisa esperar o plenário decidir, basta acompanhar a agenda de entrevistas do ministro.

Os mesmos juristas, aqueles seres chatos que insistem em decifrar a lei, ficaram escandalizados. "Mas a Loman proíbe comentar processo em curso!", gritaram. No entanto, Gilmar, em sua infinita sabedoria, parece ter adotado a filosofia de que "a Loman é para os outros, eu sou a Lei".

Ao ser questionado sobre o constrangimento de criticar colegas, Mendes saiu pela tangente com a elegância de um mestre e classificou a pergunta como uma "armadilha". Afinal, por que responder se você pode simplesmente desclassificar a pergunta e continuar a aula de como ser um "garantista seletivo"?

O gabinete do ministro, seguindo a tradição de quem não precisa se explicar para meros mortais, manteve o silêncio. Afinal, por que emitir uma Nota Oficial quando você pode simplesmente ir a um programa de TV e dizer o que pensa?

Enquanto o Brasil assistia a essa aula de "como atropelar o regimento com classe", restou uma dúvida: será que a próxima etapa do "Roda Viva" será a transmissão ao vivo de julgamentos de habeas corpus por "streaming" com comentários em tempo real do ministro? Pelo visto, no Supremo, a liturgia do cargo agora é feita com um microfone na mão e um "não me pergunte isso" na ponta da língua.

Imagem e Texto: Jefferson Fassi, Facebook, 24-6-2026, 20h03 

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