Carina Bratt
FUI MORAR com o seu Sérgio Aleixo, um camarada aí pela casa dos setenta e dois anos, não para namorar com ele, mas para dividir despesas, tipo aluguel, água, luz, supermercado, condomínio, essas coisas. A beldade trabalhava o dia inteiro, de segunda a sexta, de ajudante de pedreiro e praticamente todo final de semana viajava. Nesse nosso encontro meio ‘pirado’, ele ficou com o ‘quarto de número 1’ e euzinha com o de ‘número 2’.
Fanático por excursão, o sujeito não perdia tempo. Não podia saber de uma, se metia nela e ficava o final de semana todo com os pés na estrada. A última vez em que caí na besteira de perguntar para onde estava indo, seu Sérgio sorriu matreiro e me disse na maior cara de pau que visitaria os confins da Cochinchina.
— Cochinchina, seu Sérgio? — Indaguei, curiosa. — E onde fica?
— Não sei, minha amiga. Nunca fui lá...
— E por qual motivo optou justamente por essa escolha?
— Pela curiosidade...
— E se a Cochinchina não lhe agradar?
Ele sorriu de novo e, desta vez mais gracioso, mandou a bomba:
— Se eu não gostar, minha amiga, mando a droga toda da tal Cochinchina exatamente pra Cochinchina.
Título e Texto: Carina Bratt, de Pequiá, ES, 21-6-2026
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