Influenciador registra cobranças por vagas públicas na Avenida Atlântica, questiona agentes da Guarda Municipal e acaba envolvido em tumulto que exigiu a intervenção da Polícia Militar
Bruna Castro
O influenciador Luan Lennon voltou a viralizar nas redes sociais nesta segunda-feira ao divulgar um novo vídeo denunciando a atuação de flanelinhas na Avenida Atlântica, em Copacabana, durante a intensa movimentação provocada pelo jogo da Seleção Brasileira.
Nas imagens, Luan aborda
homens que cobravam R$ 20 e R$ 30 de motoristas para estacionar em vagas
públicas ao longo da orla. Segundo o influenciador, as cobranças configuram
extorsão praticada diariamente contra moradores e turistas que frequentam um
dos principais cartões-postais do país.
O episódio ganha contornos
ainda mais graves quando Luan procura uma equipe da Guarda Municipal posicionada
a poucos metros do local onde as cobranças ocorriam. O influenciador questiona
por que nenhuma providência estava sendo tomada diante da situação. Um dos
agentes responde que não havia presenciado qualquer irregularidade.
Luan insiste que a prática
acontecia diante dos próprios guardas e cobra uma atuação mais firme da
fiscalização. O diálogo rapidamente passou a repercutir nas redes sociais,
reacendendo o debate sobre a ausência de fiscalização contra flanelinhas em uma
das áreas mais visitadas do Rio de Janeiro.
Ao mesmo tempo, o vídeo
registra dezenas de ambulantes clandestinos ocupando o calçadão da Avenida
Atlântica. No entanto, durante a conversa com a Guarda Municipal, Luan critica
o que considera uma atuação desproporcional da fiscalização, afirmando que haveria
maior preocupação em reprimir vendedores ambulantes do que em enfrentar a
atuação dos flanelinhas.
A fala, entretanto, é mal compreendida por alguns ambulantes clandestinos próximos, que, como sempre, vendem sem nenhum tipo de fiscalização comidas e bebidas bem na frente dos quiosques que pagam aluguéis altíssimos. Sem entender que a crítica era dirigida à postura da fiscalização, alguns passam a ameaçar o influenciador e avançam em sua direção. A confusão cresce rapidamente e exige a intervenção da Polícia Militar, que controla a situação e conduz alguns dos envolvidos, conforme mostram as imagens divulgadas por Luan.
Outro momento que chamou
atenção ocorre quando Luan conversa com um dos flanelinhas. Durante a
abordagem, o homem afirma ter sido traficante e, tentando justificar sua
atividade atual, pergunta ao influenciador: “Você quer que eu volte para a
boca?”. A declaração rapidamente repercutiu nas redes por transmitir a
ideia de que suas únicas alternativas seriam retornar ao tráfico de drogas ou
permanecer atuando como flanelinha. Trata-se, evidentemente, de um falso
dilema: a sociedade oferece inúmeras formas lícitas de trabalho e sustento,
incompatíveis tanto com a criminalidade organizada quanto com a cobrança ilegal
de motoristas em vias públicas.
Nos últimos meses, Luan Lennon
tornou-se um dos principais responsáveis por recolocar o problema dos
flanelinhas no centro do debate público. Seus vídeos, gravados em diferentes
pontos da cidade, vêm alcançando milhões de visualizações e expondo situações
que muitos cariocas afirmam enfrentar diariamente. O influencer, que segundo
suas redes parece avaliar uma possível candidatura a deputado, esteve preso
brevemente por acusações de supostamente armar um furto de seu celular para
ocorrer diante das câmeras, mas nada ficou provado.
Figura controversa e
frequentemente identificada por adversários como ligada à direita, Luan
desperta opiniões divergentes. Ainda assim, mesmo entre pessoas que discordam
de suas posições políticas, cresce o reconhecimento de que suas gravações têm
evidenciado problemas reais de ordem urbana que, por muitos anos, permaneceram
praticamente naturalizados, à exemplo da renitente questão dos camelôs
clandestinos e do furto de cabos e fios de cobre, tão denunciados por
este DIÁRIO.
A nova gravação também levanta
outro questionamento inevitável: como é possível que cobranças escorchantes e
ilegais por vagas públicas ocorram em plena Avenida Atlântica, diante de
agentes públicos tanto da PM quanto da Guarda Municipal, em um dos locais mais
turísticos do Brasil, sem qualquer intervenção imediata do poder público?
A repercussão do vídeo foi
imediata. Em poucas horas, milhares de pessoas passaram a comentar a
publicação, muitas delas relatando experiências semelhantes com flanelinhas e
criticando a atuação do poder público. Uma internauta afirmou ter sido ameaçada
após se recusar a pagar por uma vaga na Zona Sul e disse que, mesmo após
procurar guardas municipais, ouviu apenas que deveria “tomar cuidado” com seu
carro. Outro comentário resumiu o sentimento de diversos usuários: “Prefeitura
conivente”. Houve ainda quem defendesse a criação de leis mais rigorosas para
combater essas práticas e quem elogiasse a atuação do influenciador,
escrevendo: “Nem em dia de jogo o homem descansa”.
O engajamento ajuda a explicar
o crescimento vertiginoso de Luan Lennon nas redes sociais. Em poucos meses,
seu perfil no Instagram ultrapassou 1,2 milhão de seguidores,
número expressivo para alguém que produz conteúdo quase exclusivamente voltado
à fiscalização informal da desordem urbana. Se antes suas publicações
circulavam principalmente entre grupos interessados em segurança pública, hoje
alcançam milhões de pessoas e frequentemente figuram entre os vídeos mais
compartilhados por cariocas, transformando Luan em um dos influenciadores mais
comentados quando o assunto é ordem pública no Rio de Janeiro.
Título e Texto: Bruna Castro, Diário do Rio, 29-6-2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-